Depois de dois meses de euforia, março forçou uma pausa para a Bolsa brasileira. O Ibovespa recuou 0,70%, aos 187.461 pontos, pressionado por um cenário externo mais hostil e por sinais de desgaste no quadro doméstico.
Publicidade
Depois de dois meses de euforia, março forçou uma pausa para a Bolsa brasileira. O Ibovespa recuou 0,70%, aos 187.461 pontos, pressionado por um cenário externo mais hostil e por sinais de desgaste no quadro doméstico.
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Apesar do recente desanimo, com ganho de 16,35% no primeiro trimestre, o índice acumula o melhor desempenho desde o fim de 2020, sustentado por um início de ano marcado por fluxo estrangeiro e reprecificação de ativos locais. O que se viu em março foi menos uma reversão e mais uma mudança de ritmo.
“Não é uma mudança estrutural, e sim uma reação a um ambiente mais adverso com o conflito no Oriente Médio e as incertezas que vieram desde que começou”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
O principal vetor de pressão veio do exterior. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou o prêmio de risco global e empurrou o petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril, em meio à ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de energia. O choque reacendeu temores inflacionários, fortaleceu o dólar e redirecionou fluxos para ativos defensivos, esvaziando parcialmente o apetite por mercados emergentes.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março veio acima do esperado, com alta de 0,44%, pressionado pela elevação das passagens aéreas, enquanto a taxa de desemprego avançou para 5,8%. Ao mesmo tempo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou para baixo a projeção de crescimento do país em 2026, para 1,5%, e as expectativas de inflação no Boletim Focus voltaram a subir, reforçando a leitura de um ambiente mais desafiador para juros e atividade.
Esse conjunto de fatores se refletiu diretamente no desempenho das carteiras recomendadas. Em um mês mais seletivo, superar o índice voltou a ser exceção. Das oito carteiras acompanhadas pela Grana Capital, apenas duas fecharam março no campo positivo e acima do Ibovespa.
A liderança ficou com a Top 5 do Itaú, que avançou 1,27% na simulação de um aporte de R$ 100 mil. O desempenho foi impulsionado pela alta de 14,67% da Eneva (ENEV3), em um portfólio que combinou exposição a commodities e ativos domésticos, com nomes como Aura Minerals (AURA33), Axia (AXIA3), B3 (B3SA3) e Nubank (ROXO34).
Na segunda colocação aparece a carteira Top Ações da XP Investimentos, com ganho de 0,19%. A seleção foi beneficiada sobretudo pelo rali das petroleiras, em linha com o choque de preços no mercado internacional, com destaque para Petrobras PN (PETR4), que subiu 23,75%, e Prio (PRIO3), com alta de 21,51%.
| Instituição | Valor (R$) | Rentabilidade |
|---|---|---|
| Itaú Top 5 | 101.269,44 | 1,27% |
| XP Top Ações | 100.186,75 | 0,19% |
| Ibovespa | — | -0,70% |
| BB Investimentos | 98.923,40 | -1,08% |
| Santander | 98.735,87 | -1,26% |
| BTG Pactual | 98.642,68 | -1,36% |
| Ágora | 97.756,53 | -2,24% |
| Planner | 97.723,24 | -2,28% |
| Genial | 91.743,40 | -8,26% |
Fonte: Grana Capital
Na outra ponta, a carteira Ibovespa 10+ da Genial teve o pior desempenho do mês, com queda de 8,26%. O resultado foi pressionado por ações mais sensíveis ao ciclo doméstico, como Lavvi (LAVV3), que recuou 22,54%, Alpargatas (ALPA4), com baixa de 19,32%, e Movida (MOVI3), que caiu 11,39%, refletindo o impacto da deterioração das expectativas de juros sobre setores ligados a consumo e crédito.
O recorte do trimestre ajuda a entender a mudança de dinâmica. Embora o saldo de 2026 ainda seja expressivo, a dispersão de retornos aumentou e o ambiente se tornou menos indulgente. Se, em janeiro, o avanço era relativamente disseminado, embalado por fluxo externo, março trouxe de volta um mercado mais dependente de alocação precisa e menos tolerante a erros.
| Corretora | Jan (%) | Fev (%) | Mar (%) | Acumulado (%) |
|---|---|---|---|---|
| Ibovespa | 12,99 | 4,09 | -0,70 | 16,35 |
| XP Investimentos | 12,30 | 2,70 | 0,60 | 15,90 |
| BB Investimentos | 12,72 | 3,00 | -0,77 | 15,21 |
| Planner | 8,89 | 7,91 | -1,97 | 15,19 |
| Itaú | 9,20 | 3,70 | 1,40 | 14,90 |
| Santander | 13,20 | 0,50 | -1,14 | 11,83 |
| BTG Pactual | 9,70 | 2,80 | -1,00 | 11,60 |
| Genial | 12,99 | 1,72 | -8,09 | 5,63 |
Fonte: relatórios das corretoras
A metodologia da Grana Capital considera as carteiras divulgadas no início de cada mês e acompanha o desempenho dos mesmos ativos até o último pregão, levando em conta apenas a variação de preços, sem dividendos ou juros sobre capital próprio. Participam do levantamento Ágora Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial, Itaú, Santander, Planner e XP Investimentos.
Invista em informação
As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador