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Fundo Baobá: Investimento em equidade racial não é aposta, é respeito

O diretor-executivo do fundo fala sobre investimento social privado com foco na agenda da equidade racial

Fundo Baobá: Investimento em equidade racial não é aposta, é respeito
Giovanni Harvey é diretor do Fundo Baobá, que promove ações em equidade racial. | Foto: Divulgação
  • O investimento social privado entrou no radar dos investidores como uma das estratégias para atender à agenda ESG
  • Desde 2011, o Fundo Baobá gerencia recursos desse tipo de investimento para apoio a projetos pró-equidade racial
  • O fundo já doou mais de R$ 20 milhões para cerca de 900 iniciativas ao longo dos últimos 11 anos

As discussões em torno da agenda ESG, do inglês environmental, social and governance, ganham cada vez mais a atenção das empresas dentro e fora do mercado financeiro. Com isso, o investimento social privado tem estado no radar dos investidores como uma das estratégias para atender à tendência e, ao mesmo tempo, consolidar o compromisso público com a agenda.

O diálogo com agentes do mercado que se identificam com estes fundamentos tem feito parte da estratégia do Fundo Baobá, que, desde 2011, gerencia recursos desse tipo de investimento para apoio a projetos pró-equidade racial. O tema ganha ainda mais coro neste domingo (20), Dia da Consciência Negra, quando a pauta circula com mais força nos debates sobre a relação entre o mundo corporativo e a diversidade.

Na avaliação do diretor-executivo da organização, Geovanni Harvey, o investimento social privado ampliou sua participação na promoção da equidade racial no Brasil, e as estratégias de ESG têm impulsionado as empresas neste sentido. “A agenda ESG tem sido um importante fator de estímulo para que as empresas (dependendo do nível de engajamento da alta liderança, das características culturais da empresa e da estratégia de posicionamento de marca) invistam na pauta da equidade racial”.

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Entre os parceiros do Baobá estão JPMorgan, Citi Foundation, Instituto Coca-Cola, Google.org e outras companhias de destaque no mercado financeiro, que contribuem com o fundo para o investimento em projetos por meio de editais. Segundo Harvey, mais de 50% das iniciativas nas quais o Baobá investiu nunca tinham recebido doações ou aporte financeiro de filantropia. A tendência é de que o apoio seja ampliado. “Os contratos firmados nos permitem projetar um saldo de R$ 100 milhões até dezembro de 2022”, explica.

Harvey salienta, no entanto, que reconhecer o papel do investimento social privado na promoção da equidade racial não é uma aposta, e sim uma manifestação de respeito às iniciativas que o segmento tem feito em prol da causa nos últimos 30 anos. Por isso, ele considera fundamental que os investidores continuem comprometidos com a agenda.

Ao E-Investidor, o gestor falou sobre o trabalho do Fundo Baobá para a equidade racial e os alinhamentos da organização com o mercado e com os investidores. Além disso, Harvey aborda o diálogo da proposta da entidade com as temáticas ESG.

Confira a entrevista:

E-Investidor – Por que apostar em investimento privado para Equidade Racial?

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Giovanni Harvey – O reconhecimento do papel do investimento social privado na promoção da equidade racial não é uma aposta, é uma manifestação de respeito diante de todas as iniciativas que têm sido feitas em prol da causa da equidade racial desde os anos 1990, com a iniciativa pioneira do Banco de Boston, em parceria com o Geledés, na realização do “Programa Geração XXI”.

Desde então, embora nem sempre de forma linear, o investimento social privado ampliou a sua incidência na agenda de promoção da equidade racial no Brasil e, notadamente nos últimos anos, se constituiu num valoroso contraponto ao quadro de desconstrução das políticas públicas de promoção da igualdade racial.

É fundamental que o investimento social privado continue comprometido com esta agenda, num momento no qual há a expectativa de que sejam restabelecidas as funções que o governo brasileiro tem a obrigação de cumprir, pois o racismo estrutural não é uma consequência “mecânica” do período escravocrata e sim uma consequência das políticas públicas que foram adotadas na Primeira República.

O avanço das pautas ESG provou alguma alteração no perfil dos investidores da entidade?

Harvey – A agenda ESG tem sido um importante fator de estímulo para que as empresas (dependendo do nível de engajamento da alta liderança, das características culturais da empresa e da estratégia de posicionamento de marca) invistam na pauta da equidade racial. Não podemos dizer que houve uma alteração no perfil dos investidores, mas houve, inegavelmente, um aumento da demanda e uma maior qualificação do diálogo que travamos com os parceiros institucionais.

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O movimento de interesse por esses fundos é maior entre pessoas jurídicas ou físicas?

Harvey – Em função de uma série de fatores, nós temos um relacionamento mais robusto e diversificado com as pessoas jurídicas (cooperação internacional, investimento social privado, filantropia nacional e internacional), mas estamos estruturando uma série de iniciativas com o objetivo de aumentar o engajamento dos doadores individuais.

Qual é a sua avaliação sobre o espaço que os fundos ESG têm ocupado no mercado financeiro?

Harvey – Entendo que a distinção entre os fundos que integram aspectos ESG e os demais fundos é positiva e torço para que o espaço deste modelo de operação (ou congêneres) ocupe cada vez mais lugar no mercado financeiro.

Quais as estratégias do Fundo para ampliar/manter o diálogo com o mercado?

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Harvey – O Fundo Baobá é o maior “endowment” exclusivamente dedicado ao financiamento de iniciativas de promoção da equidade racial no Brasil. Os contratos firmados nos permitem projetar um saldo de R$ 100 milhões até dezembro de 2022, chegando a R$ 130 milhões até maio de 2023. A nossa meta é alcançar 250 milhões até 2026. O Fundo Baobá doou mais de R$ 20 milhões para cerca de 900 iniciativas ao longo dos últimos 11 anos. Mais de 50% das iniciativas nas quais o Fundo Baobá investiu nunca haviam recebido doações ou investimento da filantropia.

Estes indicadores distinguem o Fundo Baobá da maior parte das organizações que atuam no campo, notadamente pelo fato de a nossa instituição ser constituída por 192 pessoas e organizações de base do movimento social negro; dispor de uma estrutura de governança robusta; ter boas práticas de compliance e uma sólida reputação técnica.

A nossa estratégia se baseia na manutenção e no aperfeiçoamento desses fundamentos, na busca contínua da inovação e na manutenção do compromisso institucional de financiar a vanguarda da luta contra o racismo, ocupando espaços que nenhuma outra organização social, fundada nas mesmas bases, ocupou ao longo da história do nosso País.

Nós temos interesse em dialogar com os agentes de mercado que se identificam com estes fundamentos. Este é o norte da nossa estratégia.

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