Avaliação do Itaú BBA aponta que resultados da ABB reforçam a tese estrutural positiva da WEG, especialmente em segmentos ligados a eletrificação, geração de energia e data centers. (Foto: Adobe Stock)
O Itaú BBA manteve recomendação Outperform (melhora no desempenho) para a WEG (WEGE3), avaliando que o ambiente de demanda e preços observado nos resultados do quarto trimestre de 2025 da ABB (Asea Brown Boveri, uma das principais comparáveis globais da companhia brasileira) sinaliza um cenário estruturalmente saudável para o setor de bens de capital. Na leitura do banco, se espera que a ação tenha um desempenho melhor do que a média do mercado ao longo do tempo.
Na divisão de Motion da ABB, considerada a mais comparável ao negócio de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEIE) da WEG, a companhia europeia reportou crescimento de 6% na receita comparável anual, enquanto os pedidos avançaram 13% no mesmo período.
Segundo a empresa, “os volumes foram o principal motor do crescimento da receita, combinados com um cenário geral positivo de preços”, o que indica que a demanda segue firme mesmo em um contexto macroeconômico mais desafiador.
Para o investidor, esse ponto é importante porque mostra que o setor não depende apenas de reajustes de preços para crescer. Há expansão real de volumes, sinalizando investimentos industriais ainda em curso. No caso da WEG, isso reforça a tese de resiliência do negócio, dado seu posicionamento global e diversificação de mercados.
O Itaú BBA também chama atenção para o comportamento dos pedidos. A ABB destacou que os segmentos de óleo e gás e celulose e papel foram detratores no período, mas essa fraqueza foi compensada por áreas menos relevantes para a WEG, como ferrovias e HVAC (aquecimento, ventilação e ar-condicionado).
Em contrapartida, os analistas ressaltam que produtos ligados à geração de energia e ao portfólio voltado a data centers, dentro da divisão de eletrificação, foram destaques positivos, segmentos que dialogam diretamente com as avenidas de crescimento da WEG no médio e longo prazo.
Do ponto de vista de rentabilidade, a ABB reportou margem Ebita (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de 18,3%, queda de 40 pontos-base na comparação anual. A empresa atribuiu essa retração a fatores pontuais, como a aquisição da Gamesa Electric, na Espanha, e ineficiências iniciais em uma nova divisão voltada a aplicações industriais pesadas. Para o Itaú, o dado é interpretado de forma construtiva ,a margem permanece praticamente estável quando se excluem esses efeitos não recorrentes.
“Vemos os resultados da ABB como ligeiramente positivos para a WEG, sugerindo um ambiente saudável tanto em volumes quanto em preços”, afirmam os analistas do Itaú BBA.
Na visão do banco, a contração anual da margem não sinaliza deterioração estrutural do setor, mas sim efeitos específicos da empresa europeia.
WEG enfrenta desafios no curto prazo, segundo Itaú
Apesar dessa leitura mais favorável do cenário setorial, o Itaú BBA reconhece que o curto prazo para a WEG segue desafiador. O banco afirma que um desempenho mais fraco no quarto trimestre já é amplamente esperado pelo mercado. A projeção é de queda de receita na comparação anual do 4T25, acompanhada de compressão de margens, principalmente em função dos impactos da guerra comercial e do ambiente global mais restritivo.
Ainda assim, o banco enxerga potencial de melhora em relação à sua própria estimativa, que prevê uma redução de 1 ponto percentual na margem Ebitda trimestre contra trimestre no 4T25.
“Considerando os esforços da companhia para compensar os impactos negativos da guerra comercial, vemos upside [potencial de valorização de um ativo] para nossa projeção”, destacam os analistas.
Mesmo com o preço-alvo de R$ 50 para o fim de 2026, ligeiramente abaixo da cotação atual, o Itaú BBA reforça que a WEG segue como uma de suas ações preferidas no setor, ao lado de outras empresas industriais globais.