Com lucro recorde e eficiência em alta, Itaú reforça posição de destaque no setor bancário e segue como uma das principais apostas da Nord Investimentos. (Foto: Adobe Stock)
O balanço do Itaú Unibanco (ITUB4) foi divulgado na noite de quarta-feira (4), após o fechamento de mercado. O banco entregou números robustos no quarto trimestre e fechou o ano com o maior lucro de sua história. Para a Nord Investimentos, o resultado não trouxe surpresas negativas e reforçou uma tese defendida há anos. “O resultado comprova que o Itaú não é somente o maior, como o melhor banco País”, avalia a casa em relatório.
O lucro líquido acumulado em 2025 somou R$ 46,8 bilhões, alta de 13% em relação a 2024, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 23,4%. Na prática, o indicador mostra quanto o banco gera de lucro para cada real investido pelos acionista, e níveis acima de 20% já colocam a instituição entre as mais rentáveis do setor.
Além do lucro recorde, o Itaú cumpriu todas as metas estabelecidas em seu guidance, o conjunto de projeções divulgado ao mercado no início do ano, que o banco revisou para cima ao longo de 2025. Para a Nord, o desempenho reforça não apenas a capacidade de geração de resultado, mas também a previsibilidade da gestão.
Crédito cresce, eficiência avança e ROE chega a 24%
No quarto trimestre, o desempenho operacional manteve o ritmo forte. A carteira de crédito alcançou R$ 1,49 trilhão, crescimento de 6% em base anual, puxado pelas linhas para pessoas físicas (+7%) e pequenas e médias empresas (+9%).
Esse avanço sustentou a margem financeira. No trimestre, a linha somou R$ 31,5 bilhões, alta de 7%. Segundo a Nord, a margem financeira com clientes, responsável por cerca de 98% do total, avançou 9% e compensou com folga a queda de 34% na margem financeira com o mercado, mais sensível a oscilações de juros.
As receitas de serviços e seguros também impulsionaram o resultado. No período, essas linhas totalizaram R$ 15,6 bilhões, crescimento de 9%. Com isso, o produto bancário atingiu R$ 47,6 bilhões, avanço de 8% na comparação anual.
Do lado do risco, o cenário permaneceu sob controle. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 1,9% pelo quarto trimestre consecutivo. A despesa com perda esperada cresceu 5%, abaixo da expansão da carteira de crédito, enquanto o custo de crédito total avançou 9%.
Mesmo com esse aumento, as despesas operacionais cresceram em ritmo mais contido. As despesas não decorrentes de juros subiram 4%, para R$ 17,3 bilhões, o que derrubou o índice de eficiência para 38,9%, melhora de 1,8 ponto percentual.
Esse conjunto de fatores levou o Itaú a registrar lucro líquido trimestral de R$ 12,3 bilhões, alta de 13%, com ROE de 24,4%.
“Mesmo com o custo do crédito crescendo acima do produto bancário, a menor expansão das despesas operacionais sustentou a rentabilidade”, resume a Nord.
Por que a Nord fala em “melhor ano da história”
Além do balanço, o Itaú divulgou seu guidance para 2026, e foi aí que a Nord identificou um ponto-chave da tese. Apesar do tom conservador, algumas metas superam as projetadas para 2025.
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A carteira de crédito deve crescer entre 5,5% e 9,5%, enquanto a receita de prestação de serviços e o resultado de seguros devem avançar entre 5% e 9%. A margem financeira com clientes tende a crescer em intervalo menor do que no ano anterior, mas ainda em ritmo considerado saudável.
O custo de crédito também deve subir, mas sem acender alertas. Segundo a Nord, a tendência aponta para um movimento alinhado à expansão da carteira, mantendo o equilíbrio entre crescimento e risco.
As despesas não decorrentes de juros, por sua vez, devem avançar entre 1,5% e 5,5%, abaixo do crescimento das receitas. Esse cenário abre espaço para nova melhora do índice de eficiência, um dos principais motores da rentabilidade do banco.
Com essas premissas, a Nord projeta que o Itaú pode superar 2025 e entregar, em 2026, o melhor ano de sua história novamente, com lucro acima de R$ 50 bilhões.
Qual a recomendação?
Para a Nord, os números recentes reforçam uma tese estrutural. “O Itaú é o maior e melhor banco para ser acionista no Brasil e na América Latina”, afirma a casa. A avaliação se apoia em uma combinação de cultura de gestão de riscos, disciplina operacional e investimentos contínuos em tecnologia e inovação, que permitem crescimento sem perda de eficiência.
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Entre 2021 e 2025, o Itaú distribuiu R$ 105 bilhões em proventos, com payout (porcentagem de lucro líquido distribuído aos acionistas) próximo de 60%, consolidando-se como um dos maiores pagadores de dividendosdo setor.
Esse histórico ajuda a explicar o desempenho das ações. Nos últimos 12 meses, os papéis ordinários acumularam alta de 82%, bem acima do avanço de 45% do Ibovespa no mesmo período.
Ainda assim, a Nord vê valuation (valor do ativo) atrativo. As ações negociam a cerca de 9 vezes o lucro projetado para 2026, com dividend yield(rendimento do dividendo) estimado em 7%.
Diante desse cenário, a casa mantém recomendação de compra para o Itaú. A preferência recai sobre as ações ordinárias (ITUB3), que negociam a preços mais baixos do que as preferenciais e, por isso, oferecem dividend yield mais elevado.