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Colunista

Bradesco (BBDC4) supera gigantes globais e lidera em pagamento de dividendos entre 2023 e 2025

Com valorização de quase 100% no triênio, banco brasileiro se consolida como o melhor remunerador entre instituições com ativos acima de US$ 100 bilhões

Por Einar Rivero

04/02/2026 | 15:03 Atualização: 05/02/2026 | 7:16

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O Bradesco (BBDC4) lidera o ranking global de dividend yield entre 2023 e 2025, superando pares como Itaú, BB e bancos americanos. Confira os dados da Elos Ayta sobre o retorno aos acionistas. (Imagem: Adobe Stock)
O Bradesco (BBDC4) lidera o ranking global de dividend yield entre 2023 e 2025, superando pares como Itaú, BB e bancos americanos. Confira os dados da Elos Ayta sobre o retorno aos acionistas. (Imagem: Adobe Stock)

Os números do sistema financeiro no período entre 2023 e 2025 ajudam a reposicionar o Bradesco (BBDC4) no radar dos investidores. Em um universo de bancos com ativos superiores a US$ 100 bilhões, listados no Brasil e nos Estados Unidos, o Bradesco aparece como o banco que melhor remunerou seus acionistas por meio de proventos, incluindo dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP). Levantamento da Elos Ayta mostra que o banco superou concorrentes tradicionais e referências históricas em distribuição de resultados.

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A análise do dividend yield em dólares nesses três anos mostra o Bradesco na liderança do ranking. O banco registrou uma mediana de 11,65% ao ano entre 2023 e 2025. Trata-se do maior patamar entre todas as instituições analisadas. O indicador supera o Banco do Brasil (BBAS3), que aparece na sequência com 8,44%, e também está acima de nomes historicamente associados a políticas generosas de dividendos, como Itaú Unibanco (ITUB4), Santander Brasil (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11).

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O dado chama atenção não apenas pelo nível, mas pela metodologia. O uso da mediana reduz o efeito de distorções pontuais e privilegia a recorrência. Nesse critério, o Bradesco se destaca como o banco mais consistente em geração de caixa e distribuição ao acionista no período recente. Em 2023, o dividend yield em dólares foi de 11,65%. Em 2024, houve retração para 4,30%, refletindo um ambiente mais desafiador para o setor financeiro. Em 2025, o indicador saltou para 16,90%, o maior valor individual da amostra, reforçando a leitura de retomada.

Na comparação direta com seus principais pares domésticos, o contraste é evidente. O Banco do Brasil apresentou dividend yield elevado em 2023, de 13,72%, mas perdeu força nos anos seguintes, recuando para 8,44% em 2024 e 5,27% em 2025. O Itaú Unibanco teve desempenho mais volátil. Pagou 5,30% em 2023, 6,62% em 2024 e registrou um pico de 18,33% em 2025, mas, ainda assim, ficou com mediana de 6,62%, bem abaixo do Bradesco. O Santander Brasil manteve patamares mais estáveis, porém inferiores, com mediana de 6,17%.

Quando ampliada para o cenário internacional, a liderança do Bradesco se mantém. Bancos globais de grande porte, como Barclays, NatWest e Santander Espanha, aparecem atrás no ranking por mediana de dividend yield em dólares. A leitura reforça a percepção de que o banco brasileiro passou a competir em outro patamar de retorno ao acionista, mesmo em comparação com instituições de mercados desenvolvidos.

O uso de dados em dólares elimina distorções cambiais e permite comparação direta com bancos estrangeiros. Nesse recorte, o Bradesco supera grupos europeus e americanos de grande porte. O resultado sugere que o banco conseguiu equilibrar distribuição de capital com preservação de balanço.

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Para o investidor focado em renda, o Bradesco emerge como o principal pagador do triênio. Para o investidor de longo prazo, a valorização próxima de 100% reforça que a estratégia não foi feita à custa do crescimento do valor de mercado.

O desempenho em dividendos não ocorreu de forma isolada. A segunda tabela, que analisa a rentabilidade total das ações em dólares, ajuda a completar o quadro. Entre 2023 e 2025, o Bradesco acumulou retorno de 98,71%. O resultado o coloca entre os melhores desempenhos do ranking global, à frente de bancos como Barclays, Woori Financial Group e NatWest, e muito acima de gigantes americanos como Citigroup, JPMorgan e Bank of New York Mellon.

O primeiro lugar ficou com o Santander Espanha, com alta de 165,05%, seguido pelo BTG Pactual, com 124,79%, e pelo BBVA, com 117,37%. Ainda assim, o retorno próximo de 100% em dólares, combinado com a liderança absoluta em dividendos, cria um perfil raro no setor bancário global: valorização relevante de capital somada à remuneração elevada e recorrente.

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Na comparação com os pares brasileiros, o Bradesco volta a se destacar pelo equilíbrio. O BTG Pactual teve uma valorização superior, mas não aparece entre os líderes em dividend yield no período. O Itaú Unibanco acumulou retorno de 84,82%, abaixo do Bradesco, e com uma mediana de dividendos significativamente menor. O Santander Brasil ficou ainda mais atrás, com alta de 72,4% em dólares no triênio.

Os dados sugerem uma mudança de percepção do mercado em relação ao Bradesco. Após anos marcados por pressão sobre margens, aumento da inadimplência e questionamentos sobre rentabilidade, o banco conseguiu reconstruir sua capacidade de geração de caixa. A consequência foi uma política de dividendos mais agressiva, sem abrir mão da recuperação do valor de mercado.

Para o investidor, a mensagem é clara. No período recente, o Bradesco não foi apenas um banco em recuperação. Foi o banco que mais pagou dividendos entre seus pares globais de grande porte. E fez isso enquanto entregava uma valorização expressiva das ações. Em um setor no qual, muitas vezes, dividendos elevados vêm acompanhados de baixo crescimento, o banco conseguiu combinar as duas dimensões.

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