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Investimentos

Os fundos de renda fixa que voltam a ficar atrativos com a nova Selic

A expectativa é que o Copom aumente a Selic em 0,75% na próxima reunião

Por Luiz Felipe Simões

05/04/2021 | 3:00 Atualização: 09/04/2021 | 17:28

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Quem se lembra da época dos juros a 14,25%? Há cinco anos, esse era o patamar da taxa Selic. De lá para cá, os juros foram reduzidos até alcançar o menor nível da história, de 2%, em 2020.

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No dia 17 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade elevar a Selic para 2,75% após quatro reuniões sem mudanças. E não para por aí. A autoridade monetária já sinalizou que pretende aumentar a taxa para 3,5% já na próxima reunião, que acontecerá no início do mês de maio.

A medida é uma forma de a autoridade monetária controlar o aumento da inflação. Em 2020, o IPCA fechou o ano em 4,52%, a maior alta desde 2016. Com esse mecanismo, o Banco Central busca reduzir os estímulos econômicos e assim conter o aumento dos preços no País.

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Com a atual taxa básica de juros, a atenção dos investidores se volta para a retomada da renda fixa – uma das classes de ativos mais populares entre os poupadores. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de renda fixa acumulam captação líquida de R$ 49,3 bilhões nos dois primeiros meses de 2021, enquanto que os fundos de ações registraram saques de R$ 17,2 bilhões no mesmo período. O patrimônio líquido total dos fundos de renda fixa bateu os R$ 2,25 trilhões em fevereiro.

Os fundos após a nova Selic

De acordo com um levantamento feito pela plataforma Economática para o E-Investidor, há 10 fundos de renda fixa que podem se beneficiar da Selic a 2,75%. Todos possuem mais de 100 cotistas e não são exclusivos. Para efeitos de comparação, durante o mesmo período de análise o CDI rendeu 0,17% (confira a tabela abaixo):

[—#{“ESTADAO-CONTEUDO-INFOGRAFICO”:[{“ID”:”Q5AmkQ”,”PROVIDER”:”UVA”}]}#—]

Segundo Rafael Paschoarelli, professor de finanças no Insper e fundador da plataforma ComDinheiro, os fundos de renda fixa precisam bater a inflação para serem considerados rentáveis. Caso contrário, o investidor perde o seu poder de compra. “O título que protege o investidor da inflação tem mais volatilidade e isso não é proteção. Vamos supor que você terá 110% do CDI. Isso não resguarda você da inflação, mas sua volatilidade é baixa”, diz.

De maneira geral, os títulos que protegem o investidor da inflação apresentam altos e baixos maiores. Portanto, o investidor tem de saber qual é o seu objetivo e suas preferências na hora de fazer a escolha. Se a ideia é ter é proteção, Paschoarelli recomenda procurar títulos que prometem pagar o IPCA, ou IGP-M, mais um prêmio.

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Contudo, é preciso lembrar que esses ativos são voláteis. Ou seja, há fundos com posições prefixadas que perdem quando os juros sobem. “O dinheiro que já estava aplicado em um prefixado sofre, porque sobem os juros e caem os preços. Porém, é mais atraente entrar agora no prefixado, por conta da taxa mais atrativa. O investidor só não pode esquecer que sofrerá de novo se o governo subir a Selic mais ainda daqui para frente”, diz Paschoarelli.

Segundo Mário Avelar, superintendente de produtos da Ágora Investimentos, toda vez que acontece uma nova movimentação nos juros há uma reprecificação dos contratos futuros de juros. “Para o investidor que está chegando agora na renda fixa, o cenário é muito bom, principalmente para os pós-fixados. Tudo que tem exposição a esse tipo de título é um caminho natural para ele; é vantajoso ter neste momento”, diz o especialista.

Com a alta da inflação, os títulos de renda fixa pós-fixados, como o Tesouro Selic, estão oferecendo rentabilidade negativa frente à inflação. “A expectativa para o índice gira em torno 4,5% e, hoje, os fundos que remuneram acima da Selic estão pagando menos de 3% bruto”, diz Henrique Castiglione, sócio da EWZ Capital.

“A melhor alternativa para o investidor que está de olho no longo prazo, e pensando na manutenção do capital, são os fundos de renda fixa atrelados à inflação. Neles você tem a expectativa de manutenção do seu poder de compra, principalmente agora, em um momento de alta”, diz Castiglione

Entendendo a renda fixa

Para entender a renda fixa, é preciso distinguir as características do ativo dos fundos que aplicam nos títulos. Ao investir em renda fixa, você está emprestando dinheiro para o governo, instituições financeiras, empresas privadas ou até mesmo concedendo crédito para o agronegócio. Na prática, uma parte do seu patrimônio é oferecida em troca de uma remuneração, os juros, durante um período combinado.

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É importante ressaltar que é preciso ter atenção no prazo das aplicações para não correr o risco de ficar com o dinheiro bloqueado se precisar resgatar a quantia, ou ter rendimento negativo na conta.

Veja as três formas de remuneração dos títulos de renda fixa:

  • Títulos pós-fixados – Essa classe de ativo possui uma rentabilidade que acompanha algum indicador financeiro, como a Selic, por exemplo. Aqui entram títulos do Tesouro Direto, CDB, poupança, LCI e LCA. Nesse tipo de investimento, não se sabe previamente qual será o retorno. Sabe-se apenas que os ganhos corresponderão a um percentual do indicador, como por exemplo, 110% do CDI – que acompanha a Selic;
  • Títulos prefixados – Aqui a regra é diferente. O investidor já sabe o quanto receberá no final da aplicação. Contudo, é preciso carregar o título até o vencimento para receber a remuneração completa;
  • Títulos híbridos – Os híbridos mesclam um pouco de renda fixa com a variável. O mais comum são títulos atrelados à inflação, como por exemplo o IPCA +, que remunera uma taxa prefixada mais a inflação do período.

Perspectivas para o futuro

Por conta dos sucessivos cortes na taxa básica de juros ao longo do ano passado, muitos investidores migraram para renda variável visando retornos mais gordos na carteira. Segundo dados da B3, o número de investidores na Bolsa de Valores brasileira saltou de 1 milhão em maio de 2019 para quase 3,2 milhões em novembro de 2020.

“Com o aumento da Selic, os fundos de renda fixa voltarão a ser atrativos. Antes da última reunião do Copom, o investidor não via um retorno nominal robusto”, diz David Camacho, sócio-fundador e gestor da Devant. “Mesmo com fundos pagando um bom risco de crédito, com CDI + 2% a 4%, ao analisar o retorno nominal, ainda não estavam chamativos. O efeito veio com a migração de investidores para a Bolsa e fundos imobiliários.”

No dia 8 de março, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial do País) deste ano saiu de 3,87% para 3,98%, de acordo com informações do boletim Focus do Banco Central (BC). Ou seja, para os investimentos de renda fixa serem considerados rentáveis, precisam ultrapassar essa faixa.

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Na visão de Camacho, a renda fixa é uma estratégia que nunca vai morrer e deve fazer parte do portfólio de todo investidor. “O mercado evoluiu muito bem nos últimos anos, não só no número de emissores do mercado de capitais, mas na quantidade de investidores e novas casas. Todos olham para os IPOs, mas o mercado de dívida tem uma esteira muito grande de crescimento, ainda mais com a volta da Selic”, diz.

Não é incomum ouvir que essa classe de ativo deixou de ser atrativa para os investidores por conta da queda histórica na taxa básica de juros. Mas ela vai além do percentual da taxa somada ao DI ou CDI oferecidos no varejo. As operações podem ser prefixadas ou indexadas a um ativo de inflação, mais uma parcela prefixada. “São operações de quatro a dez anos. Isso sim é renda fixa, em oportunidades de investimentos que continuam aparecendo e são muito relevantes”, diz Avelar, da Ágora.

O especialista faz uma simulação. Considerando a Selic a 2,75%, uma LTN (Letra do Tesouro Nacional, um título público) para janeiro de 2026, por exemplo, pagará cerca de 8,6% ao ano. No entanto, se o investidor capitalizar esses 8,6% nos próximos cinco anos, o retorno acumulado no final do período será de 50%. “Não dá para desprezar isso, é uma taxa de retorno muito alta”, afirma Avelar.

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