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Investimentos

Onde investir no exterior e fugir do risco Brasil e rombo na Americanas

Em meio a incertezas políticas e rombo na Americanas, especialistas defendem diversificação internacional

Por Luíza Lanza

16/01/2023 | 2:30 Atualização: 16/01/2023 | 7:39

Diversificação internacional permite acesso a diferentes de opções de investimento. (Fonte: Getty Images/Reprodução)
Diversificação internacional permite acesso a diferentes de opções de investimento. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Investir no exterior pode ser uma ótima alternativa para quem quer diversificar os investimentos, ter acesso a mercados maiores e até blindar o portfólio das instabilidades do cenário brasileiro. Uma estratégia que vem ganhando fôlego nos últimos anos, mas que se mostrou especialmente importante depois de toda a volatilidade de um ano atípico, como foi 2022.

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Em 2023, o início de ano no mercado brasileiro também começou turbulento. Não bastassem as questões fiscais no novo governo na última semana, a invasão de golpistas em Brasília trouxe ainda mais incertezas para o cenário.

Para completar a tempestade perfeita, a Americanas (AMER3) identificou “inconsistências contábeis” no valor de R$ 20 bilhões em seus balanços – uma notícia que atingiu em cheio as ações da companhia e provocou uma queda de mais de 75% em um único pregão. 

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Com tantos elementos prometendo pressionar os investimentos domésticos, colocar parte do patrimônio no exterior pode ser uma forma de se proteger em partes do “risco Brasil”.

Uma estratégia importante independentemente do momento do mercado e que deve ser mantida como uma posição estrutural da carteira de investimentos, explica Ian Caó, diretor de investimentos da Gama. “Dentro do mercado brasileiro, querendo ou não, todos os ativos estão expostos a esse guarda-chuva de risco Brasil. Estando tudo bem ou tudo ruim por aqui é importante ter uma parcela do portfólio lá fora”, diz.

A diversificação internacional costuma englobar especialmente o mercado norte-americano, o maior e mais maduro do mundo. As vantagens de uma alocação nos Estados Unidos são variadas e, segundo Rachel de Sá, chefe de economia da Rico, podem ser úteis para a maior parte dos perfis de investidores, com exceção dos muito conservadores ou daqueles focados em prazos mais curtos.

“Ter parte de seu patrimônio em ativos dolarizados te ajuda a proteger sua carteira em momentos de incerteza elevada e de eventos puramente domésticos, como eleições e crises políticas; a investir em setores que muitas vezes não existem ou ainda são muito incipientes em nossa economia e em nossa Bolsa, como é o caso das empresas de tecnologia; e a acessar um mercado muito maior do que o brasileiro”, elenca a economista da Rico.

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Nesta outra reportagem, mostramos algumas opções para quem quer ampliar a carteira para além do eixo mais famoso “EUA-Europa”.

Qual o melhor ativo no momento?

Em 2022, o mercado de ações dos EUA sofreu quedas acentuadas. Um desempenho bem abaixo do próprio Ibovespa no período, como mostramos aqui. O principal motivo? O início do aperto monetário, com sete aumentos consecutivos na taxa de juros americana para tentar conter a maior inflação do país em mais de 40 anos.

Com o ciclo de alta nos juros ainda em curso, começou a ser precificado por lá a possibilidade de uma recessão que, se confirmada, pode voltar a penalizar os ativos de renda variável.

“Apesar de termos começado o ano bem, com as ações mostrando alguma recuperação, a desaceleração econômica e possível recessão ainda deve cobrar a sua conta em termos de resultados mais fracos das empresas”, explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. “Isso quer dizer que, se as coisas ainda continuarem ruins, as ações podem sofrer mais. Por isso estamos mais defensivos na parte de alocação em ações”.

Por outro lado, a alta da taxa de juros criou uma oportunidade que há muito tempo não se via para investir em títulos de renda fixa nos EUA. A maior parte desses ativos é prefixada e sofreu com a marcação a mercado em 2022. Uma oportunidade dupla aos investidores: estão com preços descontados e pagando uma taxa atrativa.

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“Se durante muito tempo falamos de juros muito baixos, de 0% ou 1%, hoje a realidade é outra. Dá para encontrar títulos do governo americano pagando 4% ou de empresas high yields pagando entre 4% a 8% de taxa”, diz Alves. “Um rendimento em dólar que não se via há muito tempo”.

Esta também é a visão de Ian Caó, da Gama. “Se tivéssemos que destacar uma classe de ativos específica seria a renda fixa global, que realmente tem um prêmio muito atrativo dado o risco retorno”. Nesta reportagem, mostramos quais são as principais aplicações que permitem a exposição ao mercado internacional.

A aplicação pode ser feita diretamente por meio de bonds, os títulos de renda fixa americana, ou por meio de fundos de investimento. Uma maneira mais segura para o investidor com pouco domínio do mercado, segundo Vania Cervini, especialista em investimentos da Ágora Investimentos. “Fundos são uma forma mais fácil de se investir no exterior, com um custo menor, contando ainda com um gestor especializado para fazer essa alocação. Acaba sendo uma forma mais simples para aquele investidor que não conhece tanto o mercado”, diz.

A Ágora tem duas recomendações para quem quer internacionalizar o portfólio com exposição a renda fixa global: os fundos da Lord Abbett e da PIMCO. “São duas gestoras fortes em renda fixa global e com muita experiência nesse mercado”, destaca Cervini.

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