Holding investigada por ligação com PCC tinha 22% do Banco Master
Banvox foi constituída em 2020 por Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, e Daniel Bueno Vorcaro, atual presidente da instituição financeira; procurados, os executivos e a Banvox não comentaram sobre a participação na holding
Operação Carbono Oculto pode bloquear até R$ 1,4 bilhão de fundos de investimentos. (Foto: Foto Werther Santana/Estadão)
Uma megaoperação da Polícia Federal ocupou a Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, para fazer buscas e apreensões em gestoras e fintechs no âmbito da Operação Carbono Oculto. Segundo a investigação, deflagrada na quinta-feira (28), organizações criminosas como o Primeiro Comando Capital (PCC) usavam instituições financeiras para lavar dinheiro e fazer ocultação de patrimônio ilegal. O E-Investidor obteve acesso à lista dos envolvidos.
Um deles é a Banvox Holding, que detinha 22% do capital do Banco Master até o meio do ano passado, quando transferiu essa participação para a DV Holding – sociedade que tem Vorcaro, presidente do Master, entre os sócios. Essa transação incluiu um adiantamento de R$ 360 milhões ao executivo para “futuras aquisições de ações do Master”.
A Banvox iniciou as atividades em julho de 2020 com Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado, ex-sócio do banco, como diretores. Em setembro, Vorcaro foi destituído da diretoria da holding e o executivo Artur Martins de Flgueiredo foi eleito. Hoje, Quadrado e Figueiredo seguem entre os principais acionistas. Procurados, os executivos e a Banvox Holding não comentaram o assunto.
Logo no início, essa sociedade já acumulava investimentos de R$ 140 milhões no banco. No total, a Banvox injetou R$ 557 milhõespor uma participação de 22% no Master. No final do ano passado, na transferência à DV Holding, essa fatia foi avaliada em R$ 2,1 bilhões.
Além da Banvox Holding Financeira, a subsidiária Banvox DTVM também é citada na investigação. Esta segunda empresa administra pelo menos um fundo que está na mira da Operação Carbono Oculto por suposta ligação com o PCC: o fundo imobiliário Los Angeles 1, atual “Lucerna”. O produto teria fluxos financeiros com a instituição de pagamentos BK Bank, a empresa utilizada pelo grupo criminoso para remessa e recebimento de recursos, segundo os promotores. A Banvox alega que, por orientação da sua área de compliance, já havia renunciado à administração do fundo antes de ser deflagrada a operação da PF e que não tem qualquer relação pessoal com os cotistas do fundo investigado. O documento
Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que o Lucerna possui um patrimônio de R$ 68,7 milhões. A última auditoria do fundo foi realizada em dezembro de 2024 pela Confiance Auditores, que fez ressalvas quanto à venda de um imóvel feita pelo produto sem apresentação do contrato de compra e venda e com comprovação do pagamento de apenas metade do valor atribuído.
Um case único
As operações do Master provocam polêmica há algum tempo. No final de 2024, o banco acumulava cerca de R$ 40 bilhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos – metade da liquidez do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade que protege os investidores contra a insolvência de instituições financeiras privadas. Além do alto volume de emissões, as taxas oferecidas eram de até 140% do CDI, acima da média do mercado.
Como reflexo, a capacidade do banco de pagar as dívidas passou a ser questionada pelos corredores da Faria Lima. Em março deste ano, o Banco de Brasília (BRB) anunciou a intenção de comprar 48% do Master, transação que foi encarada como uma operação de salvamento à instituição financeira, mas com dinheiro público.