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Investimentos

Dólar em queda: é hora de recalcular a rota dos investimentos?

Instituições financeiras projetam tendência de baixa até o fim do ano. Confira os ativos mais recomendados

Por Luana Meneghetti

11/08/2021 | 3:00 Atualização: 11/08/2021 | 9:42

(Fonte: Shutterstock)
(Fonte: Shutterstock)

A crise gerada pela covid-19 e as consequentes baixas na taxa básica de juros, a Selic, que registrou seu menor patamar histórico em 2020, a 2% ao ano, ocasionaram fuga de capital com efeitos na elevação da taxa de câmbio no Brasil. Há cerca de um ano, a moeda norte-americana chegou a variar na casa dos R$ 5,84.

Leia mais:
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Após um ano de forte altas, chegando perto dos R$ 6, em julho o dólar voltou a dar sinais de baixa, retornando ao patamar de R$ 4,9 por quatro dias consecutivos. De lá pra cá, a taxa de câmbio não tem ultrapassado a casa de R$ 5,3, de acordo dados coletados no Ipeadata. Na segunda-feira (9), o dólar fechou cotado a R$ 5,25 e
e na terça-feira (10), o dólar fechou em queda de 0,96%, cotado a R$ 5,19.

As instituições financeiras projetam que a taxa de câmbio continue nesse movimento de baixa até o fim do ano. Das sete casas consultadas, três estimam o dólar abaixo de R$ 5, entre R$ 4,70 a R$ 4,90. Veja a projeção dos bancos para a taxa de câmbio ao final do período de 2021 e 2022.

Projeção Câmbio R$/US$ XP Itaú BBA BTG Pactual Bradesco Santander Credit Suisse Safra
2021 4,90 4,75 5,00 4,70 5,05 5,20 5,20
2022 4,90 5,10 5,10 5,30 5,55 5,20 5,10

*Projeções contidas nos relatórios macroeconômicos das instituições até segunda-feira, 9 de agosto de 2021.
*BTG Pactual mudou sua projeção nesta segunda-feira 9, de 4,90 para 5,00.

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De acordo com o estrategista Macro da XP, Victor Scalet, o que mantém a projeção da XP em R$ 4,90 é o risco fiscal. “Ainda estamos confortáveis com essa projeção porque estamos com uma balança comercial forte, com os juros mais baixos lá fora e com os preços das commodities mais alto. Isso nos permite ver uma apreciação pequena, mas relevante do câmbio”, diz.

O dólar que tinha batido máxima de R$ 5,3 na manhã de segunda-feira (9), voltou a cair para R$ 5,2 com o anúncio do governo de que o programa Bolsa Família ficaria dentro do teto dos gastos, que é uma das principais preocupações dos especialistas para a concretização do movimento de apreciação do real.

As projeções das instituições, no entanto, sinalizam um movimento de retomada da economia. O saldo positivo da balança comercial, que registou um superávit de US$ 7,4 bilhões em julho, somado ao aumento da taxa Selic em 5,25%, com previsões de 7% ao final do ano, e ao avanço da vacinação, sustentam a possibilidade de um real mais forte até o fim do ano. “Estamos otimistas com a valorização do real e acreditamos que ainda tem bastante espaço para o dólar cair”, diz Sergio Zanini, sócio e gestor da Galapagos Capital.

No entanto, os especialistas pontuam que o cenário ainda é de instabilidade. O aumento de número de casos da variante Delta no mundo e o risco fiscal no Brasil podem reverter essas projeções. Diante de tantas incertezas e da volatilidade do câmbio, como o investidor deve agir?

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Saem commodities, entram empresas domésticas

A principal recomendação dos estrategistas para esse segundo semestre é diminuir a exposição aos ativos ligados às commodities e aumentar as apostas em empresas domésticas.

Segundo Bruno Komura, estrategista de renda variável da Ouro Preto Investimentos, o real mais forte deve pressionar os resultados das empresas exportadoras e beneficiar as importadoras, que devem se sobressair no Ibovespa neste segundo semestre. “Acredito que teremos bons resultados no varejo e serviços, em especial shoppings e aéreas. Ainda vai ter bastante espaço na bolsa para essas empresas colherem os benefícios que foram ofuscados pelo câmbio”, aponta.

Na carteira Top 10 ações da XP para agosto, a corretora reduziu o peso em Vale (VALE3), de 15% para 10%, aumentou o peso para Localiza (RENT3), de 5% para 10%, e para Rede D’or (RDOR3), de 10% para 15%. B3 (B3SA3), Arezzo (ARZZ3), SulAmérica (SULA11), Assaí (ASAI3), Multiplan (MULT3) e Klabin (KLBN4) continuam com peso de 10%. Sai da carteira, na contramão do movimento de maior exposição ao varejo, Americanas S.A. (AMER3) e redução do peso para Lojas Americanas (LAME4), de 8,5% para 5%.

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“Ainda gostamos do setor de commodities e acreditamos que suas ações possuem um rendimento e valuations atrativos. Porém, de uma perspectiva macro, acreditamos que esta liderança possa estar mudando. Assim, achamos válido começar a reduzir as grandes posições no setor e aumentar em empresas domésticas”, explica a XP em seu relatório.

De acordo com Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico, também foram realizadas mudanças na carteira recomendada da corretora. “Diminuímos a exposição a grandes bancos e empresas de commodities e aumentamos para os setores domésticos, ligadas ao varejo e serviços. Porém, a diversificação continua sendo a alma do negócio”, diz.

Entre as ações recomendadas da Rico para agosto, estão com peso de 10% Multiplan (MULT3), maior rede de shoppings do país, Lojas Americanas (LAME4), NotreDame Intermédica (GNDI3), BDRs da Visa (VISA34) e da Alphabet (GOGL34). Natura (NTCO3) e Localiza (RENT3) também ganham espaço na carteira com peso de 7,5%.  As demais recomendações incluem duas empresas de commodities, Vale (VALE3) e Klabin (KLBN4) , e uma instituição financeira, a BB Seguridade (BBSE3).

A carteira da Órama também segue a tendência para o segundo semestre com Via Varejo (VVAR3), Ambev (ABEV3), CVC (CVCB3), Simpar (SIMH3) e BR Properties (BRPR3), todas com peso de 10%.

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Embora haja uma alocação maior para os setores de serviços e varejo neste segundo semestre, Zogbi aconselha não guiar os investimentos de acordo somente com as oscilações da taxa de câmbio. “Não recomendamos investir pensando na alta ou na queda do câmbio. O indicado é que o investidor sempre tenha uma parcela de investimentos dolarizados para se proteger de qualquer cenário”, afirma.

Renda Fixa

Em 2020, a taxa Selic chegou ao seu menor patamar histórico e os juros passaram a perder para a inflação. A renda fixa que geralmente garantia bons rendimentos aos investidores, perdeu os holofotes no ano passado registrando o maior resgate histórico: R$ 41,2 bilhões de saques, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No entanto, a alta da taxa Selic deve atrair novamente os investidores.

De acordo com levantamento da Yubb, plataforma de busca de investimentos, a renda fixa continuou ocupando o segundo lugar na busca pelos investidores no primeiro semestre, mesmo com as taxas de juros ainda baixas. As ações lideraram as buscas, em seguida aparecem os CDBs. “A renda fixa deve ser a principal beneficiada agora com o aumento da taxa de juros. Os papéis pós-fixados continuam atrativos e devem ganhar bastante fluxo com aumento da Selic”, comenta Komura.

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A opinião é a mesma da compartilhada pelo economista Fabio Gallo, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV Eaesp) e colunista do Estadão, em entrevista concedida ao E-Investidor na semana passada.

Já os pré-fixados não são recomendados por Komura no panorama atual. “Estamos em um momento de expectativa de elevação na taxa de juros, então o cenário é de bastante volatilidade. Quando tivermos mais clareza da estabilização da Selic e as perspectivas para o próximo ano, os papéis pré-fixados devem ficar mais atrativos”, avalia.

Na avaliação de Zogbi, a renda fixa pode parecer uma alternativa positiva no momento, mas a inflação ainda está bastante elevada. “Os investidores que querem multiplicar patrimônio devem pensar em ganhar da inflação. Ir para o Tesouro Selic ou CDI nesse momento não é uma boa alternativa para maiores rentabilidades”, comenta.

Segundo a estrategista, para maiores rentabilidades, o investidor precisa continuar tomando riscos, ou pela renda variável ou pela renda fixa no IPCA+. “É preciso buscar ganhos acima da inflação”, diz.

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