Investimentos

Petrobras pode voltar a ser a maior pagadora de dividendos do Ibovespa?

Em 2022, a petroleira encerrou o ano com um DY de 68,32%, o maior entre as companhias do Ibovespa

Petrobras pode voltar a ser a maior pagadora de dividendos do Ibovespa?
No ano passado, a Petrobras ganhou notoriedade pela distribuição de dividendos elevados (Foto: Andre Ribeiro/Agência Petrobras)
  • Segundo dados da Economatica, as ações da Siderúrgica Nacional (CSN3) apresentram um dividend yield de 28,9% em 2023
  • Ao olhar para os papéis da Petrobras de forma separada, a petroleira que, antes desfrutava o título de maior pagadora de dividendos, fica em segundo lugar no ranking
  • Apesar da atual colocação, as projeções do mercado mostram que há chances da estatal voltar a ocupar o topo do ranking até o fim do ano

As ações da Petrobras (PETR3/PETR4) já foram as protagonistas da Bolsa de Valores brasileira quando o assunto é distribuição de dividendos. Segundo dados da Economatica, a companhia encerrou 2022 com um dividend yield (DY) de 65,32% para as ações preferenciais e de 59,7% para as ordinárias. O porcentual foi o maior entre as companhias listadas do Ibovespa.

No entanto, os momentos de “glória” não tiveram continuidade ao longo de 2023. Isso porque, ao considerar o DY das ações da petroleira de forma isolada, o título de maior pagadora de dividendos do principal índice da B3 ficou para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3).

Com apenas 0,35% de participação da composição do principal índice da B3, as ações da siderúrgica foram as responsáveis por manter um dividend yield (DY) de 28,8%, o maior do IBOV até o momento. As ações preferenciais (PETR4) da Petrobras apareceram, em seguida, com um DY de 27,6%, enquanto as acionárias (PETR3) com um DY de 25,1%.

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“Houve um maior interesse dos acionistas em distribuir os dividendos que foi acompanhado com uma leve melhora nos resultados da companhia. Também tivemos uma redução da distribuição dos dividendos da Petrobras”, justifica Lucas de Caumont, estrategista de investimentos da Matriz Capital, sobre o desempenho da Siderúrgica Nacional.

Outro fator que ajudou a empresa ter um DY elevado foi a queda da cotação do papel. No acumulado de 2023, as ações da CSN3 apresentam uma desvalorização de 5%. Como o dividend yield é o resultado da divisão dos proventos pagos nos últimos 12 meses pela cotação da companhia, nos períodos de baixa performance, a tendência é que o DY aumente.

No entanto, a Siderúrgica Nacional não deve sustentar esse “status” de maior pagadora de dividendos por muito tempo. “A empresa tem um cronograma de investimentos bastante relevante daqui pra frente”, diz Renato Chanes, analista da Ágora Investimentos. O anúncio de novos investimentos reduz o lucro da companhia e impacta na remuneração dos acionistas.

Quando o reinado da Petrobras vai voltar?

As projeções dos analistas apontam que a presença da Petrobras no segundo lugar do ranking das maiores pagadoras de dividendos do Ibovespa pode ser temporária. Segundo dados da EQI Research, a estatal deve conquistar o topo desta lista ainda neste ano. Isso porque as estimativas apontam um DY de 20,6% para as ações preferenciais (PETR4) e de 15,8% para as ações ordinárias (PETR3). Os porcentuais serão os maiores entre as companhias que compõem o Ibovespa.

No entanto, o investidor precisa ter em mente que os dados apresentados sinalizam uma projeção. Ou seja, há a possibilidade da variável encerrar o ano em um patamar maior ou menor. Além disso, nem todas as corretoras possuem as mesmas estimativas. Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research, por exemplo, afirma que a petroleira deve distribuir mais de R$ 100 bilhões até o fim deste ano, o que a colocaria em destaque novamente.

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“Como as distribuições não seguem de forma regular, surgem outras companhias que pagaram mais em um recorte menor. No entanto, em um contexto geral, acreditamos que a empresa volte a pagar valores mais elevados”, diz Ferrer. Apesar da previsão de remuneração elevada, a Empiricus prefere ficar de fora do papel devido ao risco político já que a companhia está suscetível a sofrer interferências do governo federal na sua política de preços para os combustíveis.

Os analistas do Bank Of America (Bofa) também são otimistas diante do interesse do governo brasileiro em alcançar a meta de zerar o déficit fiscal em 2024. Além disso, na avaliação do banco, a companhia não possui “reserva legal” e, por esse motivo, necessita distribuir dividendos por não poder reter caixa.

Para este segundo semestre, o BofA estima retornos de US$ 15,8 bilhões, equivalente a R$ 77,1 bilhões ao considerar a cotação do dólar de R$ 4,88. O volume representaria um retorno em torno de 17%.  Já para 2024, a projeção é uma distribuição de US$ 19,5 (R$ 95,16 milhões),o que representaria um rendimento de 21%. Com essa perspectiva, o Bank Of America possui recomendação de compra para as ações da Petrobras e mantém um preço-alvo de R$ 46,50 (US$ 16,50),

Já a Ativa Investimentos projeta, até o fim do ano, um dividend yield para a Petrobras de 15,6%. No entanto, reconhece a possibilidade da companhia ultrapassar essa estimativa ao longo dos próximos meses.

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