Às 12h50 (de Brasília), os papéis da Petrobras lideravam as perdas, com a ON (PETR3) caindo 6,52%, a R$ 50,07, e a PN (PETR4) recuando 5,63%, a R$ 45,78. No mesmo horário, Prio (PRIO3) tombava 5,75%, a R$ 63,92, enquanto PetroReconcavo (RECV3) cedia 3,76%, a R$ 13,57, e Brava Energia (BRAV3) recuava 3,48%, a R$ 20,55.
O movimento acompanha a queda expressiva do petróleo no mercado internacional. O Brent chegou a recuar mais de 16%, negociado na casa dos US$ 91, após semanas de forte valorização impulsionada pelo risco geopolítico.
Apesar da pressão no setor, o pano de fundo é de maior apetite ao risco. O Ibovespa sobe 1,88%, aos 191.805 pontos, impulsionado justamente pela melhora no cenário externo. O acordo entre Estados Unidos e Irã prevê duas semanas de cessar-fogo, com interrupção imediata dos ataques e reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás.
Esse alívio reduz o prêmio de risco embutido nos preços da commodity e desencadeia o que analistas já classificam como um movimento clássico de rotação: saída de petróleo e entrada em setores mais sensíveis ao crescimento.
Petrobras diz que não importará diesel
No caso da Petrobras, além do fator externo, há também elementos operacionais no radar. A companhia informou que não irá importar óleo diesel em maio, uma decisão sustentada pela produção doméstica suficiente para atender o mercado. O resultado decorre, segundo a própria empresa, de uma estratégia que incluiu o adiamento de uma parada programada em uma de suas unidades, medida que aumenta a eficiência no curto prazo.
Já entre as independentes, a pressão vendedora também se soma a eventos específicos. A Prio chegou a abrir em queda superior a 8% e entrou em leilão logo no início do pregão, refletindo a intensidade do ajuste. No caso da PetroReconcavo, o conselho de administração aprovou, por unanimidade, a assinatura de aditivos a contratos de compra e venda de petróleo com a Petrobras.
Os ajustes envolvem tanto operações diretas quanto contratos via sua subsidiária SPE Tiêta, mantendo a Petrobras como compradora. Embora a ata divulgada ao mercado não detalhe valores ou condições, o movimento reforça a dependência comercial da companhia em relação à estatal, fator que pode ganhar mais peso em um ambiente de maior volatilidade para preços.
Após semanas de ganhos expressivos, o setor de óleo e gás passa por realização, enquanto o mercado, diante do cessar-fogo, busca novas oportunidades fora da commodity.
*Com informações das repórteres Cecília Mayrink, Amélia Alves e Ana Paula Machado, do Broadcast