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Investimentos

O que rende mais na renda fixa com a Selic atual: CDB, LCI ou LCA?

Levantamento mostra que é possível encontrar taxas entre 72% a 133% do CDI, a depender da instituição emissora

Por Luíza Lanza

04/09/2023 | 19:09 Atualização: 04/09/2023 | 19:09

(Foto: Getty Images/Reprodução)
(Foto: Getty Images/Reprodução)

Desde que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 13,25% ao ano no início de agosto, foi confirmada a expectativa de que os ganhos de 1% ao mês na renda fixa estão com os dias contados. Segundo o Boletim Focus, até o final de 2023, os juros devem encerrar o ano em 11,75%, até cair para 9,0% no fim de 2024.

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A perspectiva de redução da Selic significa que investimentos de renda fixa pós fixados, aqueles atrelados aos CDI, terão a sua rentabilidade reduzida ao longo dos próximos meses. O próprio Tesouro Selic, considerado uma das aplicações financeiras mais seguras do País e que vinha sendo muito recomendado durante os 12 meses em que a taxa de juros ficou estacionada em 13,75% ao ano, vai ver seu rendimento diminuir.

Mas isso não significa que ainda não existam oportunidades rentáveis na renda fixa. Adicionando um pouco mais de risco, o investidor consegue encontrar taxas atrativas em produtos como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Por serem títulos emitidos por instituições financeiras, e não pelo governo, esses ativos têm um risco de crédito ligado a seus emissores. Por isso, mesmo com a queda dos juros, oferecem taxas superiores às do Tesouro Direto.

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“A redução da Selic tem o mesmo impacto em todos os títulos de renda fixa, mas os títulos bancários geralmente apresentam rentabilidades mais altas por conta do risco de crédito”, explica Renan Suehasu, planejador financeiro CFP e sócio da A7 Capital. “Com a taxa Selic em queda, pode ser que os investidores estejam dispostos a aumentar o risco de crédito para obter um retorno maior.”

Rentabilidade de CDBs

Um levantamento feito pelo buscador de investimentos Yubb, a pedido do E-Investidor, mostra que é possível encontrar no mercado diferentes rentabilidades, a depender do tamanho da instituição emissora. Ativos de emissoras menores, cujo risco de crédito é considerado maior, oferecem taxas de retorno mais elevadas.

Entre os CDBs emitidos por bancos grandes, as taxas variam entre 72% do CDI a 94% do CDI. Nesse caso, o valor inicial encontrado é de R$ 100, com prazos de vencimento entre 1 mês a 5 anos.

Já entre os CDBs de bancos médios e pequenos, a rentabilidade é maior, sendo possível encontrar taxas entre 95% do CDI e 133% do CDI. Alguns desses ativos permitem investimentos a partir de R$ 1,00, com prazos de vencimento variando entre 1 mês e 9 anos.

  • CDBs bancos grandes
Emissor Valor mínimo Rentabilidade Prazo
Itaú R$ 500,00 90% do CDI 3 anos
Bradesco R$ 500,00 89% do CDI 2 anos
Itaú R$ 1.000,00 89% do CDI 4 anos
Banco do Brasil R$ 1.000,00 89% do CDI 4 anos
Santander R$ 1.000,00 89% do CDI 1 ano

 

  • CDBs bancos pequenos e médios
Emissor Valor mínimo Rentabilidade Prazo
Master R$ 1.000,00 124% do CDI 2 anos
Master R$ 5.000,00 13,23% prefixado 2 anos
Omni R$ 1.000,00 117% do CDI 3 anos
Mercantil R$ 3.000,00 116% do CDI 5 anos
Paulista R$ 5.000,00 115% do CDI 3 anos

 

LCI e LCA

Para quem optar pelas LCIs ou LCAs, as taxas médias são menores em relação às encontradas entre os CDBs. Mas este tipo de ativo oferece uma outra vantagem, que muitas vezes acaba atraindo investidores: a isenção de Imposto de Renda.

“Visto que não existe a cobrança de IR nesse tipo de investimento, o valor líquido recebido pelo investidor tende a ser maior. Principalmente quando observamos títulos com vencimentos abaixo de dois anos”, destaca Pedro Despessel, analista de renda fixa do Simpla Club.

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O especialista explica que as LCIs e LCAs de vencimentos menores acabam sendo mais vantajosas no comparativo, porque este é o período mínimo que um investidor precisa manter o capital alocado em outros títulos para conseguir a menor alíquota de IR, de 15%. No Tesouro Direto, por exemplo, investimentos de até 180 dias têm um imposto de 22,5% sobre o rendimento.

O levantamento do Yubb mostra que é possível encontrar hoje no mercado LCIs e LCAs de vencimento entre 3 meses a 5 anos, com aportes iniciais a partir de R$ 1 mil. As rentabilidades variam entre 88% do CDI a 93% do CDI.

  • LCIs e LCAs de bancos médios e pequenos
Emissor Valor mínimo Rentabilidade Prazo
BTG Pactual R$ 10.000,00 97% do CDI 5 anos
Paulista R$ 1.000,00 96% do CDI 4 anos
Agibank R$ 1.000,00 96% do CDI 5 anos
Pine R$ 5.000,00 95% do CDI 4 anos
Paraná R$ 3.000,00 94% do CDI 3 anos

 

O que analisar antes de escolher

Ainda que os CDBs e as LCIs/LCAs sejam ativos mais arriscados do que os títulos do Tesouro, os especialistas concordam em dizer que ainda se trata de um investimento conservador. Especialmente porque essas classes de investimento contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil. Uma garantia a mais para os investidores em casos de problemas com a instituição emissora do ativo.

Andressa Bergamo, especialista em mercado de capitais e sócia-fundadora da AVG Capital, destaca que a proteção do FGC de R$ 250 mil inclui os rendimentos. “O ideal é que o investidor tenha uma aplicação de até R$ 180 mil, no máximo R$ 200 mil em cada título”, afirma.

Outra coisa que precisa ficar no radar, tanto para os CDBs quanto para as LCIs/LCAs, são os indexadores. No atual cenário de queda de juros, ativos pós-fixados e indexados ao CDI devem sofrer alguma volatilidade, com uma redução gradual de seus rendimentos. Uma boa alternativa pode ser procurar pelos prefixados, aqueles cuja taxa de retorno já é estabelecida na hora do aporte.

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“Para entender quais são as melhores opções dentro desses papéis, é preciso entender qual a taxa que está sendo negociada no mercado e qual a taxa que mais favorece o cliente”, destaca Bergamo.

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