Com a Selic em 15% ao ano, investimentos conservadores seguem entregando retornos elevados e ampliam a diferença de rendimento em relação à poupança. (Foto: Adobe Stock)
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros da economia brasileira na última quarta-feira (28) assegura retornos elevados para quem investe em renda fixa, inclusive com aportes modestos. Mas quanto rende investir com a Selic em 15%?
Em um cenário de juros ainda em dois dígitos e expectativa de cortes apenas mais à frente, R$ 10 mil aplicados hoje podem render bem mais do que a poupança, desde que o investidor escolha o produto certo e entenda como a política monetária influencia sua carteira no curto e no médio prazo.
Segundo a XP Investimentos, a manutenção dos juros reflete um ambiente de incerteza elevado, especialmente do ponto de vista inflacionário. Em comunicado, o Banco Central (BC) destacou que os riscos, tanto de alta quanto de baixa para a inflação, seguem acima do padrão histórico, citando fatores como a desancoragem (acima da meta estabelecida) das expectativas, a resiliência dos preços nos serviços e o impacto conjunto das políticas econômica interna e externa.
“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, afirmou o Copom, ao justificar a decisão de manter a política monetária restritiva por mais tempo.
Apesar do tom cauteloso, o BC deixou a porta aberta para uma possível flexibilização já na próxima reunião, em março, desde que o cenário projetado se confirme. Ainda assim, reforçou que seguirá adotando uma “restrição adequada” para garantir a convergência da inflação à meta.
O que muda para o investidor
Na prática, a Selic em 15% dá continuidade aos investimentos conservadores com retornos historicamente elevados. Desde a penúltima reunião do Copom, a curva de juros apresentou fechamento no comparativo mensal, influenciada sobretudo pelo ambiente externo. A XP observa que o mercado já começa a precificar cortes mais relevantes da Selic apenas a partir de 2027.
Com a Selic mantida em 15% ao ano, os investimentos em renda fixa oferecem retornos elevados em termos históricos, especialmente quando comparados à poupança, querende pouco e tem uma regra fixa. No atual patamar de juros, ela passa a render cerca de 0,5% ao mês. Em três meses, isso resulta em algo próximo de 1,5%, o que transforma R$ 10 mil em R$ 10.154,93 mil.
Já os investimentos atrelados ao CDI acompanham de perto a taxa Selic. Produtos como Tesouro Selic e CDBs que pagam 100% do CDI rendem perto de 1% ao mês nesse cenário. Em três meses, o ganho fica em torno de 2,5%, elevando os mesmos R$ 10 mil para R$ 10.251,47 mil.
Ou seja, mesmo em um período curto, a taxa maior faz diferença considerável no resultado final. Quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, maior tende a ser a distância entre a poupança e os investimentos que seguem o CDI.
No horizonte de um ano, a poupança rende pouco mais de R$ 630, enquanto Tesouro Selic, CDBs e Letras de Crédito Imobiliário e Agronegócio (LCIs e LCAs) entregam ganhos acima de R$ 1,2 mil, reforçando a perda de competitividade da caderneta em cenários de juros elevados.
No médio e no longo prazo, o efeito dos juros compostos torna a diferença ainda mais significativa. Em cinco anos, os R$ 10 mil aplicados na poupança chegariam a cerca de R$ 13,6 mil, enquanto no Tesouro Selic o valor final ultrapassaria R$ 18,5 mil, já descontadas taxas e impostos. CDBs que pagam 100% do CDI apresentam desempenho muito semelhante, enquanto LCIs e LCAs (isentas de Imposto de Renda para a pessoa física) também se mostram altamente competitivas, mesmo com rentabilidade um pouco menor.
O cenário reforça que, com a Selic em 15%, a escolha do produto faz diferença relevante no resultado final, sobretudo para o investidor que consegue manter o dinheiro aplicado por mais tempo.
Onde estão as melhores oportunidades
Diante desse cenário, a XP mostra uma visão construtiva para a renda fixa. Os analistas destacam que os títulos indexados à inflação (IPCA+) seguem especialmente atrativos, com taxas reais próximas às máximas históricas, o que aumenta o potencial de ganho real no médio e no longo prazo.
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Para prazos mais curtos, os pós-fixados continuam sendo recomendados, aproveitando o patamar elevado dos juros sem abrir mão da liquidez. Já os prefixados aparecem como uma estratégia mais tática, indicada para investidores que acreditam no início do ciclo de cortes nos próximos meses.
No crédito privado, a orientação é de cautela e seletividade. A XP reforça a importância de avaliar o equilíbrio entre risco e retorno, com prioridade para emissores com alavancagem controlada e estrutura de dívida saudável.