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Mercado

O que esperar da ação da Via Varejo, que teve o maior tombo do Ibovespa em fevereiro?

Pesa sobre o papel da varejista o aumento da concorrência no e-commerce

A Via Varejo é dona da Casas Bahia e do Ponto Frio (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)
  • Os especialistas afirmam que o aumento da concorrência deixou a Via Varejo em desvantagem frente aos seus pares nacionais e internacionais
  • Na reta final do ano passado, a ação VVAR3 entrou em rota de desvalorização, até atingir R$ 11,87 no último pregão de fevereiro
  • Nos pregões de março, as ações ordinárias da empresa se equilibraram entre baixas significativas e altas modestas. Uma exceção ocorreu na quarta-feira, 10, em que os papeis subiram 10,29%.

Com recuo acumulado de 19,20% em fevereiro, a ação ordinária da Via Varejo (VVAR3) teve a maior desvalorização no mês entre os papéis que compõem o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira.

Nos pregões de março, as ações ordinárias da empresa se equilibraram entre baixas significativas e altas modestas. Uma exceção ocorreu na quarta-feira, 10, em que os papeis subiram 10,29%. Na quinta-feira (11), houve valorização de 1,73%

Além de fatores macroeconômicos, especialistas explicam ao E-Investidor que a companhia saiu em desvantagem no quesito confiança dos investidores após competição acirrada entre as varejistas com forte presença no comércio eletrônico.

No ranking de maiores quedas do IBOV em fevereiro, a segunda e terceira posição ficaram com Petrobras (PETR3) e Cogna (COGN3), com quedas de 18,95% e 17,26%, respectivamente, conforme levantamento realizado pelo buscador de investimentos Yubb.

Um movimento de rotação setorial iniciado no final de 2020 ajuda a explicar o desempenho negativo do papel VVAR3 em fevereiro, avalia Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb.

“Com a perspectiva no final do ano e em janeiro de reabertura econômica e avanço sobre a pandemia, investidores que estavam posicionados em ações que tiveram fortes valorizações em 2020, principalmente as de tecnologia e varejo eletrônico, passaram a se posicionar em ações que foram muito penalizadas e não acompanharam o resto do mercado no ano passado”, explica Pascowitch, citando que o movimento foi global e não só no Brasil.

Na reta final do ano passado, a ação VVAR3 entrou em rota de desvalorização, até atingir R$ 11,87 no último pregão de fevereiro. Diversos fatores ligados à difícil conjuntura macroeconômica brasileira também desfavoreceram a ação da varejista entre os investidores. “Desaquecimento econômico, maior pressão da inflação, fim do auxílio emergencial, além de sinalizações negativas da venda do varejo, que saíram no mês passado sobre as vendas do varejo no mês de dezembro”, cita Karoline Borges, analista da Planner Investimentos.

A segunda onda da covid-19, além de fazer o País superar os recordes de mortes registrados no ano passado, renova as incertezas sobre o fim da pandemia no Brasil. “Estamos com menos de 4% da população vacinada e é uma segunda onda muito importante, com hospitais cheios e novas medidas de restrição. Então o cenário é menos otimista para os ciclos domésticos de curto prazo”, acrescenta Borges.

Concorrência

Os especialistas também concordam que o aumento da concorrência deixou a Via Varejo em desvantagem frente aos seus pares nacionais e internacionais. “No varejo eletrônico nacional, a Magazine Luiza (MGLU3) é a mais avançada. Via Varejo ao lado de B2W (BTOW3) e Lojas Americanas (LAME4) disputam o crescimento na participação desse mercado”, aponta o fundador do Yubb, sem considerar ainda nomes de peso internacional, como Amazon e Mercado Livre, que não são listados na bolsa brasileira.

“O Mercado Livre é o maior player, o mais desenvolvido e antigo, e está planejando investir pesado no Brasil agora em 2021. Isso também tem preocupado bastante os investidores de Via Varejo”, acrescenta a analista da Planner.

Ainda sobre a concorrência, Pascowitch lembra que um movimento recente de dois pares nacionais acirrou a disputa e pesou no saldo negativo da Via Varejo em fevereiro.

“B2W e Lojas Americanas anunciaram estudos para a fusão das suas operações. Elas já fazem parte do mesmo grupo econômico, mas  fundir suas operaçõe, significa que elas podem se tornar mais eficientes e produtivas, reduzir custos, aumentar margens, lucratividade e a rentabilidade do acionista”, destaca Pascowitch.

2021: um ano desafiador

A Via Varejo teve um 2020 de reestruturação: a nova gestão completou um ano na companhia. Até junho de 2019, a empresa pertencia ao grupo Pão de Açúcar e voltou para a família Klein.

A empresa registrou lucro líquido de R$ 336 milhões entre outubro e dezembro de 2020, contra um prejuízo de R$ 875 milhões no mesmo período de 2019. No acumulado anual, a empresa obteve R$ 1 bilhão no ano passado, ante um prejuízo de R$ 1,4 bilhões no ano anterior.

Os números, apesar de positivos, vieram em linha com as expectativas do mercado, uma vez que já havia sinais desses resultados, principalmente com as vendas sólidas no e-commerce durante e após a crise.

E são os mesmos números do ano passado que geram incertezas sobre a capacidade da companhia de repetir o feito em 2021. “Vai ser difícil avançar nesses números que eles alcançaram no ano de 2020, porque a base de comparação vai ser mais forte”, analisa Flávia Meirelles, analista da Ágora Investimentos. “2020 foi um ano bom, mas para 2021 esperamos uma desaceleração do crescimento das vendas das categorias de eletrônicos e eletrodomésticos”, completa. Meirelles dá recomendação neutra para o papel, e preço-alvo de R$ 17.

A analista da Planner, por sua vez, tem recomendação de compra da ação, e preço-alvo de R$ 21,25. “Com mais esse resultado, a empresa comprovou que está em outro patamar, que é muito mais competitiva. Mas leva tempo para conquistar a confiança do mercado”, diz Borges. “O papel abriu uma excelente oportunidade de compra para os investidores de médio e longo prazo, e acho que todos os riscos já estão precificados”, conclui.

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