No entanto, assim como ocorre com a Petrobras, como é possível entender em detalhes nessa reportagem, o risco político pode “frear” o bom desempenho e reverter o atual momento do banco estatal. O receio dos analistas está pautado nas incertezas referentes ao perfil da equipe econômica do próximo governo e se o banco irá manter a nova gestão. Caso haja uma mudança na gestão do Banco do Brasil, torna-se maior a possibilidade da instituição financeira voltar seus esforços para subsidiar linhas de crédito em detrimento à distribuição de dividendos.
Veja a performance dos bancos tradicionais no acumulado do ano
| Ativo |
Retorno de 2022 |
| Brasil (BBAS3) |
33,4% |
| Itau Unibanco (ITUB4) |
30,1% |
| BTG Pactual (BPAC11) |
24,9% |
| Itau Unibanco (ITUB3) |
22,7% |
| BTG Pactual (BPAC3) |
15,2% |
| BTG Pactual (BPAC5) |
11,4% |
| Santander (SANB3) |
4,7% |
| Santander (SANB11) |
3,1% |
| Santander (SANB4) |
2,4% |
| Bradesco (BBDC3) |
-9,6% |
| Bradesco (BBDC4) |
-11,4% |
| Fonte: Einar Rivero, gerente de relacionamento do Trade Map/*Retorno no acumulado do ano até o pregão do dia 11/11/2022 |
“O que a gente precisa saber agora é como essa nova gestão vai atuar. Se vai seguir na linha que tem foco em eficiência e maior lucro ou se vai mudar um pouco a filosofia do banco, que pode ter menor lucro”, diz André Luzbel, head de renda variável da SVN Investimentos
Em casos de subsídios de linhas de crédito, Mário Goulart, analista CNPI e criador do canal no YouTube “O Analisto”, acredita que o próximo governo deve priorizar os recursos de outras instituições financeiras, como a Caixa Econômica e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ao invés do Banco do Brasil, por conta do alto nível de governança da companhia.
“A governança do Banco do Brasil melhorou muito nos últimos anos e é um banco que está crescendo em receita. Mas para subsidiar financiamentos, o governo prefere usar a Caixa Econômica ou o BNDES porque não estão sujeitos às reações do mercado”, diz.
A melhoria da governança não se limita apenas à gestão de recursos, mas também às regras para a tomada de decisão da empresa que oferecem proteção aos investidores. Um deles é o plano estratégico da companhia que deve ser seguido durante um período de cinco anos independente da mudança de presidente. A outra característica de “blindagem” corresponde à composição do Conselho de Administração, no qual 50% são formados por membros independentes.
“Esses conselheiros (independentes) participam de comitê de assessoramento do banco e as decisões de investimento são tomadas em colegiado, e não de forma monocrática”, afirma Milton Rabelo, analista da VG Research.
Os resultados referentes ao terceiro trimestre foram animadores para o mercado e reafirmaram a tese de que a companhia segue como uma boa “aposta” de investimento dentro do setor bancário. De julho a setembro, o Banco do Brasil conseguiu reportar um lucro líquido de R$ 8 bilhões. O valor é 75,7% superior ao mesmo período do ano passado, quando a instituição registrou um lucro líquido de R$ 4,6 bilhões.
Os números da estatal foram melhores em comparação aos bancos privados, como Santander e Bradesco, que decepcionaram o mercado com os seus resultados – confira os detalhes nesta reportagem. E a tendência é que nos próximos trimestres a instituição financeira continue com o mesmo ritmo de crescimento. “Segundo projeções do próprio banco, o lucro líquido anual deve ficar acima dos R$ 30 bilhões, muito além das perspectivas do mercado”, afirma José Eduardo Daronco, analista da Suno Research.
Os bons resultados também reforçam a perspectiva de que a empresa continuará com o pagamento de bons dividendos. De acordo com dados do TradeMap, enviados ao E-Investidor, o dividend yield (rendimento do dividendo) das ações do Banco do Brasil de 2022 chegou a 10,5%, a maior remuneração da estatal em um intervalo de dez anos. Veja os detalhes nesta reportagem.