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Mercado

5 empresas valorizam mais de 160% no ano. Vale investir?

Há 333 empresas listadas na Bolsa que não compõem o índice Bovespa. Veja as que mais se destacam em 2023

Por Rebecca Crepaldi

07/08/2023 | 8:04 Atualização: 07/08/2023 | 8:04

(Foto: SERGIO  CASTRO/AE)
(Foto: SERGIO CASTRO/AE)

O investidor sempre está de olho no Ibovespa, o principal índice acionário da B3. Isso porque ele funciona como um termômetro do mercado de capitais do Brasil, com 83 empresas em sua carteira. Contudo, há mais 333 companhias listadas na Bolsa de Valores que não fazem parte do Ibovespa.

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Em 2023, cinco empresas fora do índice chamam a atenção por registrarem altas exorbitantes no acumulado do ano, avançando mais de 160%. São elas: Estapar (ALPK3), Cedro (CEDO4), Minupar (MNPR3), Tenda (TEND3) e Plano e Plano (PLPL3). A primeira, Estapar, sobe mais de 227% no acumulado do ano até o fechamento da última sexta-feira (4). 

O principal motivo citado pelos especialistas ouvidos pelo E-Investidor para a disparada dos papéis envolve a expectativa do mercado para a redução da taxa básica de juros, a Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), já começou o movimento com um corte de 0,5 ponto porcentual, para 13,25% ao ano, na última reunião, terminada na quarta-feira (2) passada.

O que levou cada empresa a subir na Bolsa?

Estapar (ALPK3): + 227,56% em 2023, R$ 5,11

Líder no segmento de estacionamentos privados, a Estapar, criada em 1981, enfrentou um cenário delicado durante a pandemia. Segundo Rafael Quick, analista de imobiliário do Inter, a companhia apresentou, durante o período, fortes quedas em seus resultados junto com um alto nível de alavancagem.

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“Agora, com expectativas de queda dos juros, os papéis da Estapar apresentaram uma boa recuperação também com esperança de retomada nos resultados operacionais, com possível melhora do cenário macroeconômico”, explica.

Apesar disso, ele cita que vê riscos para a companhia que acendem um sinal de alerta para quem deseja se posicionar no papel: o nível de dívidas com vencimento de curto prazo considerado alto, perda de concessões devido à baixa geração de caixa e mudança estrutural no segmento de estacionamentos.

Cedro (CEDO4): + 216,41% em 2023, R$ 12,15

Com mais de 140 anos de existência, a Cedro é uma empresa do setor têxtil especialista em confecção profissional e tecidos técnicos. Esse setor, segundo Rodney Ribeiro, assessor de investimentos na WIT Invest, vem impondo um desafio para muitas de suas empresas.

De acordo com Ribeiro, a alta da Cedro neste ano ocorre por conta de uma recuperação de resultados ruins que se estende desde 2014. Sendo assim, “é uma empresa que apresenta oportunidades para ganhos expressivos”, também impulsionada pela queda da Selic. Contudo, ele enfatiza que o ativo envolve cuidado com a dinâmica do mercado de atuação da companhia e que este investimento está voltado mais para o investidor arrojado.

Minupar (MNPR3): + 162,72% em 2023, R$ 16,21

A holding brasileira atua no setor de alimentos processados, principalmente relativos a aves, ovos e salsichas. Segundo Ribeiro, é justamente o setor que atua que explica a alta exorbitante da Minupar.

“A dinâmica positiva do setor alimentício voltou a atenção para este papel por conta da substituição de alguns alimentos por ovos, frango e salsichas, sendo estes produtos mais baratos que a carne bovina. Em tempos de inflação e juros altos, o consumidor corre para substituir seus produtos na mesa do dia a dia, assim como acontece no mercado internacional”, comenta.

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Ainda de acordo com o especialista, a empresa passou por uma oferta pública de aquisição OPA), o que fez o valor da ação subir. Portanto, ele destaca que o investimento nessa empresa deve ser feito com moderação. “Alocar uma pequena dose poderá trazer bom resultado. Outro fator preponderante para investir nela depende de quanto o investidor tem ‘musculatura’ para suportar oscilações negativas”, acrescenta.

Plano & Plano (PLPL3): + 189,43% em 2023, R$ 11,23

A Plano & Plano, incorporadora subsidiária da Cyrela (CYRE3), foi criada em 1990 e se volta para o setor de construção civil de imóveis de baixa renda. Neste ano, sua alta expressiva está intimamente ligada à expectativa de queda na Selic. Juros mais baixos, segundo Hugo Baeta, analista de Renda Variável da AF Invest, beneficiam empresas cíclicas domésticas.

“Um segundo fator para a alta está relacionado à exposição dela dentro do segmento de baixa renda. Nesse novo governo, a gente viu várias medidas que vão beneficiar bastante o setor. Com isso, todas as empresas que atuam nesse segmento passam por um bom momento”, salienta.

Na visão do especialista, há também o fato que a Plano &  Plano registrava um valuation (valor do ativo) barato, com um potencial de crescimento elevado, entregando resultados positivos. “Estava rendendo bem, com uma margem bem boa e lançando novos empreendimentos”, afirma.

Tenda (TEND3): + 216,82% em 2023, R$ 13,37

Fundada três anos após a Plano & Plano, em 1993, a construtora Tenda também atua com imóveis de baixa renda e a valorização de suas ações na Bolsa reflete as novas medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o programa Minha Casa, Minha Vida.

“O programa elevou a faixa de renda e o valor máximo dos imóveis. Isso atraiu fluxo comprador para construtoras que são beneficiadas e que atuam dentro do Minha Casa, Minha Vida. Se observarmos o desempenho das construtoras no ano, as que atuam com um público que possui uma faixa de renda mais baixa foram as que mais subiram, em detrimento das construtoras e incorporadoras que atuam com um público de alta renda”, comenta André Fernandes, head de Renda Variável e sócio da A7 Capital.

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Ele também cita a queda de juros, que favorece o setor de construção civil por deixar as taxas de financiamento mais atraentes para o consumidor final, além de reduzir o custo dos projetos das companhias. A diminuição da Selic abre espaço para Tenda avançar. “Um corte mais agressivo nos juros daqui até o fim de 2024 pode ter um impacto bem positivo”, conclui.

Uma companhia sobe mais de 400%

Antiga Gradiente, referência em eletrônicos de áudio na década de 70 e 80, a agora IGB (IGBR3) saltou 417% em 2023, com um papel cotado a R$ 172,99. Contudo, não é mais possível investir em IGB, já que a empresa se prepara para fechar capital.

Em 2018, a companhia entrou em recuperação judicial (RJ), que se estendeu até maio de 2023. Naquele ano, quando entrou com o processo, os papéis estavam cotados abaixo de R$ 1, valorizando até este momento 17.299%, quando congelou a cotação, pois iniciou os trâmites para sair da Bolsa de Valores.

“Ela vem se recuperando de uma crise que viveu nesse período de 2014, pagando dívidas e fazendo demissões. Isso causou uma insegurança, mas a companhia vem mostrando recuperação, vem fazendo o dever de casa”, disse Ribeiro, da WIT Invest.

  • Entenda a disputa entre Apple e Gradiente pelo marca iPhone

Outro impulsionador da alta da IGB neste ano consiste na disputa com a Apple pelo uso exclusivo da marca iPhone no Brasil. O embate se estende desde 2013. Nas instâncias inferiores, a Apple ganhou, mas quando o processo chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF ) o relator, o ministro Dias Toffoli, deu voto favorável à Gradiente. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes pediu vista e paralisou o julgamento em 9 de junho deste ano.

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