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Mercado

Minerva: por que fechar o capital seria boa notícia para os investidores

Após informações sobre a possível saída da B3, ações saltaram quase 15% no fim do pregão de quarta (11)

A Minerva Foods (BEEF3) é uma frigorífica exportadora brasileira com atuação na América do Sul e Ásia Foto: Banco de imagem da Minerva Foods
  • Controladores da Minerva (BEEF3) estariam estudando fechar o capital da empresa. Imediatamente após a informação vir a público, os papéis da companhia de proteínas dispararam quase 15%
  • A motivação para fechar o capital ou reduzir a quantidade de ações em circulação viria de um desconto excessivo observado nos papéis
  • Segundo Mario Goulart, analista CNPI da O2 Research, o investidor precisa ter cautela e sugere que quem tem a ação continue com ela

(Jenne Andrade e Rebeca Soares) – Quando o pregão se encaminhava para o fim na quarta-feira (11), uma notícia movimentou o mercado: controladores da Minerva (BEEF3) estariam estudando fechar o capital da empresa. Imediatamente, os papéis da companhia de proteínas dispararam quase 15%, passando de R$ 8,65, às 16h55, para R$ 9,94, às 17h15.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (12), a empresa afirmou que não pretende realizar oferta pública para aquisição de ações para cancelamento de registro e que não há intenção de fechar o capital da Minerva.

Nas redes sociais, muitos investidores que têm na carteira os papéis BEEF3 ficaram confusos. Afinal, por que uma notícia sobre o fechamento de capital da Minerva seria tão bem recebida pelo mercado? Em primeiro lugar, é necessário entender de que forma a saída da B3 seria feita.

Segundo os documentos obtidos pelo site Pipeline, caso a ideia dos controladores seja realizada, a Minerva fecharia o capital por meio de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição), ou seja, o frigorífico recompraria dos investidores as ações por R$ 12, um preço 37,7% maior que o registrado no dia anterior à divulgação, de R$ 8,71. Logo, a oferta beneficiaria os investidores que têm BEEF3 na carteira, já que ganhariam um prêmio significativo.

A motivação para fechar o capital ou reduzir a quantidade de ações em circulação viria de um desconto excessivo observado nos papéis. Apesar de ser uma forte geradora de caixa, com margem líquida positiva, o preço das ações não estaria refletindo o valor atual da companhia. Em 2021, a BEEF3 praticamente estagnou, com um retorno negativo de 1%.

“Existe uma quantidade bem significativa de investidores e gestores que por não entenderem a dinâmica do setor acabaram abrindo posição contra a ação”, afirma Hugo Queiroz, diretor do TC Matrix. “Quando ocorre um fato desse, de um prêmio relevante, esses investidores encerram suas posições, a qualquer preço (o que impulsiona os papéis ainda mais para cima).”

Para Queiroz, o papel está muito barato e não será surpresa se, caso a OPA se confirme, o preço justo venha acima dos R$ 12 ventilados na imprensa. “Acredito que as ações deveriam valer R$ 15 ou R$ 16, no mínimo”, afirma Queiroz. “Para exemplificar o tamanho da assimetria de valor, a média da empresa em termos de múltiplos de EBITDA no passado recente, com margens mais apertadas e dívidas mais altas, era próximo de 7x. Nesse cenário atual, com uma saúde financeira boa, desalavancada, está negociando próximo de 4,2x.”

O múltiplo de EBITDA é uma métrica utilizada para aferir quantos anos de lucro operacional uma empresa valeria, com base no valuation. Mesmo financeiramente bem, atualmente a Minerva estaria subavaliada pelo mercado.

A companhia de alimentos não confirmou o estudo para fechamento de capital, mas afirmou em nota que a ‘miopia’ do mercado acerca dos resultados pode ter despertado a vontade da empresa em procurar maneiras de extrair valor da assimetria.

Cautela

Segundo Mario Goulart, analista CNPI da O2 Research, o investidor precisa ter cautela, já que a informação não foi confirmada. “Se o acionista já tinha as ações (antes da alta), vende um pouquinho, tira aquele lucro e continua de olho. Quando fecha o capital, sempre se paga um bônus a mais para o detentor da ação”, afirma. “Mas se mexer por notícias é sempre muito ruim. Quem tem a ação, mantenha.”

Essa também é a visão de Sérgio Berruezo, analista de research da Ativa Investimentos, que recomenda não agir no impulso. O especialista ressalta ainda que a Minerva realmente tem fundamentos sólidos e a corretora já indicava compra há algum tempo, com preço-alvo de R$ 14. “Apesar de não ter o brilho que a Marfrig e a JBS têm com as operações com os EUA, a Minerva é a maior exportadora em market share da América do Sul e se beneficia da tendência circular de carne bovina na China. É uma empresa interessante e o mercado não está dando tanto valor. Está sendo meio deixada de lado”, afirma.

Caso os papéis continuem disparando, a proposta da OPA pode ser até mesmo inviabilizada. “Seria R$ 12, se a ação chegar lá antes já não faz mais sentido. Então, caso venha a se concretizar uma proposta, pode ser totalmente diferente da que saiu no jornal”, afirma o analista da Ativa. “Nós já indicamos compra e, se o investidor tem o papel, é bom manter.”

Para Bruno Madruga, sócio e head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, é necessário aguardar informações oficiais. “Por enquanto é só especulação, ainda não se tem uma orientação clara sobre o que o investidor deve fazer.”

Outras movimentações

Apesar das poucas informações, Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, recorda de outro rumor envolvendo a empresa ainda neste ano. A Marfrig (MRFG3), também do setor de proteína animal, adquiriu uma fatia da BRF (BRFS3) no início de junho. Porém, segundo informações divulgadas na imprensa, a empresa havia, inicialmente, tentando negociar com a Minerva.

Segundo ele, é possível que o movimento de hoje possa ter relação com a situação das concorrentes, apesar de a Minerva não ter divulgado posicionamento. “Se o mercado está precificando errado e buscando negócios tão grandes, a realização dessa OPA pode ser benéfica. A empresa vinha em um movimento interessante, com bons lucros semestrais e agora fica ainda mais atrativa para os acionistas”, afirma Cruz.

Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos, destaca a atratividade da BEEF3 por conta de um “caixa líquido confortável” e diversificação regional de atuação. Segundo ele, o papel é positivo, mas o risco pode surgir com a incerteza consequente de alguma compra mais agressiva ou do futuro da companhia com o possível fechamento do capital. “Estamos aguardando um posicionamento oficial para ver se o fechamento será concretizado. O preço tende a seguir até o teto, que seria o valor da oferta”, avalia.

De acordo com análise da Genial Investimentos, a empresa segue uma tendência de “evitar o Brasil”. No segundo trimestre, a alta demanda por carne global fez com que a companhia chegasse a reportar números positivos em outros países da América Latina e na Ásia. O continente asiático somou 37% da receita de exportação da Minerva.

O relatório chama a atenção que mesmo com a queda em 7,7% do Ebitda em relação ao 2T20, o valor de R$ 544,9 milhões foi superior aos R$ 501,0 milhões esperados pelo consenso de mercado.

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