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Mercado

Alpargatas (ALPA3 e ALPA4): Saiba se ainda vale a pena comprar após o prejuízo no 3T20

Na semana passada, os papéis da empresa atingiram o maior valor do ano, superando a faixa dos R$ 40

Loja da Havaianas no Shopping Iguatemi
Loja da Havaianas no Shopping Iguatemi (Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO)
  • Apesar do prejuízo no 3T20, a receita líquida da companhia foi 17,8% maior que a do 2T20 e a melhor da história das Havaianas no Brasil para o período
  • Os papéis da companhia na B3 também vivem um bom momento: ALPA3 e ALPA4 se recuperaram rápido da crise global do novo coronavírus e, em 2020, já somam uma alta de 30,49% e de 18,34%, respectivamente
  • O E-Investidor conversou com especialistas, que veem uma boa perspectiva para o papel, mas pregam cautela após a forte valorização recente.

(Luiz Felipe Simões) – O grupo Alpargatas S.A (ALPA3 e ALPA4) reportou prejuízo de R$ 2,6 milhões no 3º trimestre deste ano, um resultado 104,5% inferior com relação ao lucro líquido do mesmo período de 2019, de R$ 58,5 milhões.

Ao mesmo tempo, a receita líquida da companhia, de R$ 943 milhões, cresceu 17,8% se comparada ao 2T20 – a maior da história das Havaianas no Brasil para um terceiro trimestre. Na comparação anual, o crescimento foi de 40%.

Os números do relatório do 3T20, divulgados pela empresa na última quarta-feira (4), também mostram que as marcas do grupo, como Havaianas e Osklen, tiveram um aumento de vendas on-line de 280% e 226%, respectivamente.

Enquanto isso, os papéis da companhia na B3 também vivem um bom momento: ALPA3 e ALPA4 se recuperaram rápido da crise global do novo coronavírus e, em 2020, já somam uma alta de 30,49% e de 18,34%, respectivamente. Até às 15h54 desta terça-feira (10), ALPA3 e ALPA4 estavam cotadas em R$ 35,99 e R$ 39,36. No pior momento, em 18 de março, as ações chegaram a valer, em ordem, R$ 14,51 e R$ 17,60.

Afinal, apesar do prejuízo no período, a empresa continua sendo uma boa alternativa para os investidores? Para responder essa questão e outras envolvendo a Alpargatas, o E-Investidor conversou com especialistas, que veem uma boa perspectiva para o papel, mas pregam cautela após a forte valorização recente.

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Eduardo Guimarães, sócio analista da Levante Investimentos, explica que o terceiro tri foi muito impactado pela variação cambial. “Os resultados para Ásia e pacífico foram péssimos. Em contrapartida, o saldo foi positivo para Europa e Oriente Médio, onde ela cresceu em euro cerca de 20%”, diz o analista.

Na semana passada, os papéis da Alpargatas atingiram o maior valor do ano, superando a faixa dos R$ 40. Para Flávia Meireles, analista da Ágora investimentos, as ações da companhia subiram bastante. “Acreditamos que este aumento aconteceu por conta do crescimento rápido em um curto espaço de tempo, maior até do que esperávamos”, explica.

Flávia conta ainda que a recomendação para a empresa é neutra. “O valuation deixa pouco potencial de valorização para as ações. Esses papéis subiram muito ao longo de 2020 e no acumulado do ano essa ação já sobe cerca de 30%”, diz a analista.

“Acreditamos que a estratégia de crescimento de longo prazo continua atraente e que o histórico de evolução da Alpargatas também permaneça. Os resultados dos últimos 18 meses mostram isso. A prova é o forte crescimento dos valores no Brasil. Em 2019 e 2020, os preços das ações registraram um salto médio de 8%”, conta Meireles.

Em setembro, a Alpargatas vendeu as operações da Mizuno por R$ 200 milhões para a Vulcabras Azaleia, encerrando uma parceria de mais de 20 anos com a marca japonesa.

No dia 23 de setembro, em um evento da Itaúsa, o presidente da Alpargatas, Beto Funari, explicou a venda das operações. “A Mizuno não tem sinergia com a nossa estratégia, apesar de ser uma boa marca. A venda está de acordo com a nossa visão de desinvestimentos do que não faz parte do nosso principal negócio e nos traz de volta ao foco em estratégias de alto retorno”, disse.

Funari afirmou ainda que as vendas das operações da Mizuno trazem dois benefícios. O primeiro é fortalecer o foco na expansão global da marca Havaianas, carro-chefe do grupo e responsável pela maior parte da receita. E o segundo é a melhoria nos indicadores financeiros da empresa, que permitirão a ampliação da produção do portfólio de Havaianas de forma sustentável.

Entenda quem é o grupo Alpargatas

O grupo Alpargatas (ALPA) é dono de marcas como Havaianas, Osklen, Dupé e, até pouco tempo atrás, detentora das operações da Mizuno no Brasil. É uma das maiores indústrias de calçados da América do Sul e, atualmente, é avaliada em aproximadamente R$ 23,28 bilhões. A companhia brasileira fabricante de calçados é líder do segmento na América Latina.

A história da empresa é longa e começa em 1907. Em 2013, a companhia completou 100 anos na Bolsa de Valores de São Paulo.

Detentora de diversas marcas, o grupo foi vendido em 2017 pela J&F, holding controladora da JBS, por R$ 3,5 bilhões. Atualmente, seus controladores são o Investimentos Itaú S.A., a Cambuhy Investimentos e a Brasil Warrant Administração de Bens Empresa S.A (BW).

A companhia tem forte presença nacional e vem procurando espaço no mercado internacional, onde as vendas já representam de 20% a 25% das receitas.

Como estão as contas do grupo?

Segundo dados do relatório do terceiro trimestre de 2020, as vendas on-line do grupo aumentaram de maneira significativa, principalmente com o ‘boom’ de vendas de e-commerce das duas principais marcas do grupo, Havaianas e Osklen. Mesmo assim, o aumento nas vendas digitais não foi o suficiente para impedir que a empresa reportasse o prejuízo de R$ 2,6 milhões no período.

Flávia Meireles explica que todas as varejistas sofreram por conta da pandemia de covid-19, principalmente nos dois primeiros trimestres. “O primeiro tri foi o mais impactado, pois a pandemia já estava acontecendo no exterior. Em contrapartida, o segundo trimestre foi de recuperação”, diz.

Do lado negativo, temos o segmento internacional, que neste terceiro trimestre registrou queda de 16,7% na comparação anual do volume vendido. Ainda que a quantidade tenha caído, a receita líquida internacional cresceu 33,3% por conta da variação cambial.

Retirando as despesas extraordinárias devido à covid, as de reestruturação e o prejuízo da operação descontinuada da Mizuno, o lucro líquido ajustado da companhia foi de R$ 122,4 milhões.

Previsões para o futuro

Em 2019, o grupo vendeu 28 milhões de pares de calçados e já projeta para 2024 a venda de mais 40 milhões, uma estimativa de aumento de 71% no número de vendas. A venda das operações da Mizuno mostra que o grupo está focado em vender os ativos não essenciais para focar em Havaianas.

“Independentemente das incertezas provocadas pela pandemia, o preço alvo das ações preferenciais de Alpargatas para dezembro 2021 é de R$ 43 e a recomendação continua neutra”, diz Meireles,  a Ágora

Apesar de a empresa não estar na carteira da Levante Investimentos, Guimarães acredita que as perspectivas para o papel são boas. “Se com a pandemia, e o PIB caindo, a companhia apresentou bons resultados, imagine em um cenário com a economia favorável”, diz.

Guimarães projeta que 2021 poderá ser um ano ainda mais favorável para a empresa – se houver continuidade de investimento em melhorias digitais atrelada ao poder da marca para passar preço e melhorar a margem. “Esperamos números melhores que esses”, conclui.

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