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Mercado

Volatilidade no mercado: anos eleitorais afetam crescimento e inflação

Mesmo em eleições mais recentes, o padrão de reação dos ativos financeiros não parece ter se alterado

Por Estadão Conteúdo

21/10/2021 | 11:50 Atualização: 21/10/2021 | 12:25

O trader que opera em day trade tem como base fundamental a análise técnica, orientada por gráficos que permitem observar a volatilidade dos ativos. (Foto: Unsplash)
O trader que opera em day trade tem como base fundamental a análise técnica, orientada por gráficos que permitem observar a volatilidade dos ativos. (Foto: Unsplash)

(Francisco Carlos de Assis) –  O quanto um ano eleitoral pode afetar os ativos financeiros é uma conta que o mercado sempre procura antever. Mas o Departamento Econômico do Bradesco, em vez de se lançar ao exercício da prospecção, preferiu recorrer aos últimos seis ciclos eleitorais e chegou à conclusão de que houve uma grande variância no comportamento dos ativos nas últimas seis eleições majoritárias.

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“Ainda que a distribuição desse comportamento não seja uniforme, foi possível notar que a maioria dos ativos começou a ficar mais volátil ao redor de maio do ano eleitoral”, observaram os economistas do Bradesco num relatório que o banco distribuiu a clientes e imprensa na quarta-feira (20).

O trabalho feito pela equipe de economistas e analistas do Bradesco tomou como base para análise o comportamento das eleições presidenciais desde 1998 e constatou que, em média, a Bolsa caiu 13% entre maio e o começo de outubro do ano eleitoral. A taxa de câmbio apresentou dinâmica semelhante, com desvalorização média de 14% no período.

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“Em relação às taxas de juros, também há heterogeneidade. No caso do Swap360, houve uma abertura relevante da taxa em relação à Selic na eleição de 2002, de 2,95 pontos porcentuais a partir de maio, e fechamento na de 2010, com uma desaceleração de 1,56 ponto a partir de agosto”, confirma o relatório. “O comportamento de 2002, de fato, é bastante diferente dos outros períodos. Excluída essa eleição, em média, houve abertura de 0,27 ponto porcentual.

Ainda segundo o Depec do Bradesco, os anos eleitorais também afetaram as projeções de crescimento e inflação, com grande dispersão, a partir de meados do ano. As projeções de PIB do ano da eleição caíram 0,6 ponto porcentual em média, sendo que para o primeiro ano de mandato recuaram 0,5 ponto porcentual.

“No caso da inflação do ano eleitoral houve revisão de uma queda de 0,28 ponto porcentual, enquanto para o IPCA do primeiro ano do mandato, a revisão média é de 0,1 ponto porcentual, excluindo as variações de 2002, que foram muito mais elevadas”, lê-se no relatório do Bradesco.

Eleições recentes

Mesmo em eleições mais recentes, diz o documento do Bradesco, o padrão de reação dos ativos financeiros não parece ter se alterado, começando a ficar mais evidente a partir de maio.

“Em média, vemos que a incerteza eleitoral afetou negativamente a bolsa, o câmbio e os juros de curto prazo até a definição do 1º turno. Boa parte dos ativos registra alguma correção com a definição eleitoral, voltando para os níveis do começo do ano eleitoral. Cada ciclo eleitoral é distinto, por sua natureza, e o ponto inicial da política econômica, juros, dívida pública e inflação importam bastante para o desempenho do quadro geral”, escrevem os economistas e analistas do Bradesco.

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“No caso do crescimento efetivo da economia nos anos eleitorais, não encontramos sinais de que haja um efeito particularmente negativo sobre o PIB do ano da eleição. Se o crescimento da economia brasileira a partir do terceiro trimestre de 2021 replicar o padrão médio das últimas seis eleições, excluindo-se a de 2010, o crescimento do PIB de 2022 seria de 1,7%”, prevê o relatório.

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