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Mercado

Azul (AZUL4) decola no ano e sobe quase 55%; é hora de embarcar?

Empresa mostra boa recuperação pós-pandemia, quando enfrentou problemas com ociosidade de passageiros

Por Rebecca Crepaldi

11/08/2023 | 16:17 Atualização: 11/08/2023 | 18:09

Avião da Azul, uma das principais companhias aéreas brasileiras. Foto: Fabio Motta/Estadão
Avião da Azul, uma das principais companhias aéreas brasileiras. Foto: Fabio Motta/Estadão

Os papéis da Azul (AZUL4) protagonizam as cinco maiores altas do ano. No fechamento da sessão desta sexta-feira (11), a ação registrava valorização acumulada de 54,86% em 2023, cotada a R$ 17,05.

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Ao E-Investidor, analistas explicam que o desempenho pode ser justificado por dois fatores: retomada do setor aéreo pós-pandemia e renegociação de dívidas.

“Ao longo da pandemia, a empresa sofreu bastante com as restrições e, com isso, desvalorizando e tirando a atratividade do setor. Atualmente o setor vem melhorando, uma vez que as restrições cessaram e a empresa vem demonstrando sinais de melhora, mas ainda abaixo do esperado”, analisa Marco Monteiro, analista CNPI da CM Capital.

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Contudo, é preciso cautela para se posicionar no papel. Monteiro relembra que a companhia vem de uma longa desvalorização desde 2021, saindo dos patamares de R$ 49,43 e chegando às mínimas de R$ 6,71 neste ano. Sendo assim, a valorização acumulada de 2023 é ainda um movimento de recuperação da queda.

Não só a ociosidade nos voos entre 2020 e 2021 prejudicou o caixa da companhia, mas também os custos fixos estrangularam a Azul financeiramente. “Em certos momentos, essas receitas praticamente alcançaram o patamar zero”, afirma Daniel Abrahão, assessor de investimentos da iHUB, escritório associado a XP.

Além disso, Abrahão também destaca a crise na Ucrânia em 2022, que provocou um aumento significativo nos preços do petróleo. “Essa produção teve um impacto direto nas margens da empresa, agravando ainda mais a situação”, acrescenta.

Em 2023, a demanda por voos domésticos voltou a crescer, com volumes que atingem patamares similares aos vistos pré-pandemia, explica Victor Bueno, analista CNPI da Nord. O balanço do segundo trimestre de 2023 já mostra que o tráfego de passageiros aumentou 10% e a capacidade 8,4%, contribuindo para uma taxa de ocupação que atingiu 80%. Isso representa uma expansão de 1,2 ponto porcentual em comparação ao 2T22.

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Além da retomada do setor, a diminuição das dívidas é um dos fatores que impulsionam a alta do ativo na Bolsa.

De acordo com Abrahão, houve a renegociação de cerca de 90% dos débitos com as empresas que arrendam as aeronaves da Azul, o que trouxe alívio financeiro à empresa.

“Com o afrouxamento gradual das restrições da pandemia e estabilização dos preços do petróleo, a companhia optou por implementar um plano abrangente de recuperação, um espécie de leasing (tipo de negociação) das aeronaves”, comenta. Anunciado em março deste ano, essa iniciativa foi recebida com otimismo pelo mercado, o que refletiu nos preços das ações ao longo de 2023.

Destaques do balanço

Nesta quinta-feira (10), a Azul reportou o balanço do 2T23. Os números mostraram um recuo no prejuízo líquido de 21,4% em relação a 2T22, em R$ 566,8 milhões.

“No período, a companhia ainda divulgou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,2 bilhão, um aumento de 88,2% e o maior valor já registrado em um segundo semestre em sua história”, destaca Bueno.

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Outro destaque é para a dívida. Apesar do aumento de 3,1% da dívida líquida, que atingiu R$ 17,72 bilhões, versus o segundo trimestre de 2022, seu indicador de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) ficou em 4,2x, queda de 2,1 p.p.

Para o Itaú BBA, os números do segundo trimestre de 2023 mostraram um balanço mais saudável. A instituição também enfatiza a redução da dívida líquida, auxiliada por melhores taxas de câmbio em relação ao trimestre anterior, e diz que ela ainda não reflete totalmente as diversas medidas da empresa para estender os pagamentos a seus arrendatários e detentores de títulos.

Queda de juros beneficia a aérea

O início do ciclo de corte da taxa básica de juros, a Selic, é um ponto positivo para Azul, segundo os especialistas. Isso porque taxas menores impulsionam a economia e, consequentemente, o consumo. No último Copom (Comitê de Política Monetária), o Banco Central reduziu os juros em 0,50 ponto porcentual, o que levou a Selic para 13,25% após mais de um ano em 13,75%.

“Com as melhores perspectivas para o cenário macroeconômico somadas a uma maior responsabilidade quanto à gestão de sua estrutura de capital, os números da Azul já começam a apresentar uma certa recuperação”, pontua Bueno.

Apesar da alta, é preciso cautela

Ainda que as perspectivas sejam melhores, Bueno enfatiza que a Nord segue acompanhando “de fora” o setor aéreo, tendo em vista uma dependência maior do cenário macroeconômico.

Abrahão também salienta a alta dependência das condições internas macroeconômicas do país como um fator que preocupa o mercado. Por conta disso, ele cita que a XP tem recomendação neutra para o ativo, embora reconheça a melhoria dos indicadores financeiros.

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Na CM Capital, Monteiro afirma que “no atual patamar não se torna atrativa a tomada de posição em Azul”, e que a recomendação do papel é neutra, com preço-alvo de R$ 29.

Para o Itaú BBA, o balanço do segundo trimestre mostrou uma rentabilidade sólida, apesar da sazonalidade fraca, o que indica que os próximos trimestres podem vir fortes. Contudo, a recomendação também é neutra, com preço-alvo de R$ 28 para 2023.

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