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Mercado

Investe em bitcoin? Entenda o que influencia o mercado futuro do criptoativo

Baixa liquidez das negociações tem afastado muitos operadores 

Por Leo Guimarães

02/05/2024 | 16:52 Atualização: 02/05/2024 | 18:46

BlackRock (BLAK34) lança primeiro ETF de Bitcoin no Brasil; veja detalhes. Foto: Envato Elements
BlackRock (BLAK34) lança primeiro ETF de Bitcoin no Brasil; veja detalhes. Foto: Envato Elements

Os contratos futuros de bitcoin estrearam na B3 no último dia 17 de abril sob muita expectativa, mas duas semanas depois a baixa liquidez das negociações tem afastado muitos operadores.

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Para se ter uma ideia, a média diária de volume financeiro negociado na primeira semana ficou na casa dos R$ 356 milhões, resultado de cerca de 10,5 mil negócios a cada pregão. Em comparação, o dólar futuro negocia a um volume diário de R$ 131 bilhões e cerca de 2 milhões de transações.

“Estou analisando para ver o que se pode buscar de oportunidade no futuro de bitcoin”. A declaração é do empresário e operador de day trade, Mauro Botto, mas poderia ser de outros profissionais do setor, que também estão no “modo espera”.

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A principal dificuldade, repetem os especialistas, é a baixa liquidez. O volume financeiro baixo,  gera spreads muito altos, que podem gerar fortes distorções de preços. O spread é a diferença entre o valor pedido para compra e para a venda do ativo financeiro.

Para entender o ruído deste início de operações do futuro de bitcoin, é preciso entender que, num mercado mais funcional, com mais participantes, se tem um operador comprando a R$ 10, tem outro vendendo a R$ 11.

“No bitcoin futuro hoje, se eu quero comprar a R$ 10, quem tá vendendo pede R$ 30. Tem uma variação de preço em que não acontece nada. E, como essa diferença é muito grande, você pode pagar muito mais caro, ou vender barato, e alguém no meio do caminho pode fazer uma contraoferta e você perder dinheiro”, explica Botto.

Risco de margem também é alto

Gabriel Fioravante, especialista de criptomoedas do Banco Inter, reforça que o mercado está engrenando e que ainda levará um período de tempo para sua maturação. Ele aponta outro problema decorrente da baixa liquidez, este relativo às margens.

“No fluxo atual, com essa falta de volume e liquidez, qualquer pessoa que entra no mercado, acaba levando os pontos junto”, diz Fioravante.

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A forte abertura de preços também amplia o risco de margem. Como as corretoras dão stop automático em perdas a partir de 70%, a grande variação de preços pode liquidar rapidamente a operação do trader, num momento em que o mercado andar contra ele. Ou seja, o risco de sair da brincadeira antecipadamente no prejuízo também é outro fator que faz os operadores  mais experientes a esperarem a maturação deste novo mercado.

Apesar dos riscos mais acentuados, já tem gente operando nos futuros de bitcoin. É o caso do fundador da Scalper, empresa de Educação e Tecnologia, e operador de day trade, André Antunes. Ele diz que vem conseguindo fazer dinheiro justamente na divergência de preços deste início de operações. “No primeiro dia que foi lançado fiz R$ 3 mil em três minutos”, afirma.

Ele diz que percebeu diferença de preço, com o Bitcoin sendo negociado a R$ 370 mil no Brasil, enquanto, no mundo, estava a R$ 328 mil. “Percebi essa ineficiência, vendi a R$ 370 mil e esperei outros participantes equilibrarem o mercado na arbitragem”, disse.

Gap de preços de fechamento e abertura de mercado

Um outro fator de atenção é que o Bitcoin futuro não é negociado apenas na B3. Todo mundo negocia neste mercado, 24h por dia, sete dias por semana, através das corretoras especializadas, a exemplo a Binance, uma das maiores.

A diferença para o mercado da B3 é que este funciona  de segunda a sexta, das 9h às 18h30 . Essa diferença de horários pode ocasionar um gap muito forte entre o preço de fechamento de um dia e a abertura do outro.

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Por isso, há uma grande variação de margem do day trade para o swing trade, sendo o primeiro caracterizado pela compra e venda dos ativos financeiros no mesmo dia,  enquanto a outra operação busca movimentos de médio prazo. No day trade, a margem é de  R$ 100 para começar a operar. Mas, o operador que decidir levar o contrato para o outro dia e dormir posicionado, vai ter que deixar de garantia 50% do valor do lote.

Hoje, isso representa algo em torno de R$ 16 mil, já que cada lote representa 10% do valor de um bitcoin, cotado em torno de R$ 320 mil.

Questão de tempo para deslanchar

Apesar dos deasfios, todos concordam que o mercado de derivativos de bitcoin tem tudo para deslanchar no Brasil, sendo uma questão de tempo. A B3 possibilitou a negociação do ativo em real, sem a necessidade de operar em dólar, alegam os especialistas.

“Basta ter conta numa corretora de primeira linha e sair operando. O dinheiro fica aqui no Brasil. É uma grande vantagem, pois não tem o risco de a corretora quebrar e sumir com o  dinheiro, como já aconteceu com algumas lá fora”, diz Botto. Em novembro de 2022, a quebra da corretora FTX foi um dos motivos que fez o bitcoin cair em descrédito no mercado, fazendo o criptoativo amargar  vários meses na baixa.

Dos três pontos que fazem os maiores operadores a se interessar pelo  mercado futuro, só falta a liquidez para os derivativos de bitcoin, porque volatilidade e a recém conquistada regulação, já são realidade. “O mercado de bitcoin é um dos que têm mais oportunidades hoje, porque tem muita volatilidade, tem muita coisa acontecendo”, diz Antunes.

Volatilidade não falta ao Bitcoin

Depois de se recuperar nos últimos meses de um período de forte baixa por causa da quebra da FTX em 2022, o Bitcoin voltou a ceder forte em abril, na casa dos dois dígitos.

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A recente queda vem após o anúncio das autoridades financeiras dos EUA de que os fundos de índice (ETFs) de Bitcoin, e de outras criptomoedas, não podem ser usados como garantia para crédito.

O lançamento de  ETFs de Bitcoin, por sinal, foi um dos motivos para a recuperação do mercado de criptoativos, e já representam 10% dos negócios do ativo, com produtos lançados por grandes gestoras globais como BlackRock e Fidelity.

Comparado com os futuros do índice  S&P, lançado na Bolsa há pouco mais de três anos, os derivativos de Bitcoin já mostram que têm bastante potencial. “O futuro do Bitcoin agora, me parece, pelo volume, está tendo tanta liquidez quanto o futuro do S&P, que é negociado há três, quatro anos. Então, é uma questão de tempo para esse mercado se estabelecer”, diz Botto.

O futuro de Bitcoin foi lançado pela B3 no último dia 17 de abril, depois de aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 28 de março. Esta matéria explica como como negociar o ativo.

O que diz a B3 sobre o mercado futuro de Bitcoin

O valor de R$ 100 de margem para operar no day trade de Bitcoin é considerado pelo mercado como um estímulo para atrair operadores. A B3, por sua vez, informa que  possui programas de incentivo para fomentar a liquidez do Futuro de Bitcoin, assim como possui programas similares para seus demais produtos. “Essa é uma prática bastante tradicional para estimular a liquidez nos mercados de bolsa, inclusive no exterior”, argumenta a companhia através de nota.

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A margem de R$ 100 para daytrade, explica a B3, é o valor mínimo que a corretora deve exigir do seu cliente para cada contrato a ser negociado. O valor foi definido utilizando metodologia já adotada para produtos semelhantes como os minicontratos de dólar e índice. “A B3 tem o compromisso de reavaliar esse valor periodicamente para garantir aderência do valor às condições do mercado.”

Sobre a baixa liquidez, a operadora da Bolsa brasileira diz que o mercado recebeu bem o novo produto e que os números de negócios já chegam a uma média de 10 mil contratos sendo negociados por dia, o equivalente a 1 mil Bitcoins. “Como referência, a última edição do Relatório de Dados de Criptoativos da Receita Federal, publicado em junho de 2023, registrava a negociação de 250 Bitcoins por dia considerando o volume de todas exchanges brasileiras.”

 

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