EURO R$ 6,41 +0,25% MGLU3 R$ 7,28 +3,26% BBDC4 R$ 21,30 +2,60% DÓLAR R$ 5,69 +0,57% ITUB4 R$ 23,28 +1,31% PETR4 R$ 28,91 +0,52% ABEV3 R$ 16,15 +0,94% IBOVESPA 107.020,63 pts +1,86% GGBR4 R$ 28,60 +2,69% VALE3 R$ 75,84 +5,52%
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Mercado

Ibov cai 2% e dólar salta 8,5% no 1º tri. Veja as tendências para a Bolsa

Analistas destacam os principais pontos que pesaram no Ibov e o que esperar para os próximos meses

Movimentação na Bolsa de Valores de São Paulo, B3. Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press / Pagos
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press / Pagos
  • Agravamento da pandemia, cenário político conturbado e risco fiscal pesaram no Ibovespa neste 1º trimestre de 2021
  • Para os próximos meses, o mercado deve seguir monitorando o avanço da vacinação para frear covid-19
  • Nessa conjuntura, setor de commodities é beneficiado. Fundos imobiliários ligados ao crédito também podem se destacar. Já quem quer fugir do Risco Brasil, BDRs podem ser maneiras fáceis de acessar o exterior

Se o primeiro trimestre de 2020 foi marcado pelo pior desempenho do Ibovespa na história, com queda de 36,86%, os primeiros três meses de 2021 foram marcados por uma grande quebra de expectativas. A esperança de superação da pandemia que impulsionou o indicador para os 125 mil pontos em janeiro foi arrefecendo à medida que os impactos da segunda onda de covid-19 se tornaram evidentes.

Neste 31 de março, o principal índice de ações da B3 finalizou o primeiro trimestre do ano aos 116.663,72 pontos, uma queda de 2% desde janeiro. O dólar também subiu 9% frente ao real, passando de R$ 5,19 para a atual cotação de R$ 5,63. “Desde fevereiro o Ibov está bem travado. O cenário político está muito difícil, vemos entrevistas do Paulo Guedes que simplesmente não empolgam, dá para ver na cara dele que não está contente”, afirma Bruno Guimarães, head de renda variável da EWZ Capital.

A lentidão da companha de vacinação também pressionou as ações para baixo. Com mais de 3 mil mortos por dia, lockdowns estão ocorrendo em cidades do Brasil. Na visão de Guimarães, o País está sendo passivo quanto ao enfrentamento ao vírus – e isso, claro, jogou um balde de água fria no mercado neste primeiro trimestre e deve continuar pautando o índice nos próximos meses.

“A Bolsa ainda tem espaço para chegar na faixa dos 109 mil pontos se vierem notícias ruins. Por outro lado, os mais otimistas esperam voltar aos 125 mil, o que é difícil. O cenário econômico é mais de cautela”, diz.

Sempre o risco fiscal

Além da questão política e da crise sanitária, o País ainda enfrenta uma terceira fonte de insegurança para os investidores, principalmente para os estrangeiros: a situação fiscal. “Brinco que o gringo que tem portfólio de América Latina, com certeza está vendendo posições de Brasil”, afirma Guimarães. “O mercado está acompanhando se vamos respeitar o teto de gastos, o que eu acho difícil. Será necessário gastar mais dinheiro”, afirma Guimarães.

Ricardo França, analista da Ágora Investimentos, destaca o aumento da taxa de juros nesse primeiro trimestre, para 2,75%, como reflexo das incertezas que pairam sobre o País. “Dado o ambiente de pressão inflacionária e elevado riscos fiscais, passamos a ter uma expectativa de que a Selic vá caminhar para um nível mais elevado do que o esperado para o fim de 2021”, diz.

A preocupação com a dívida pública também contribuiu para a disparada do dólar entre janeiro e março deste ano, segundo França, e deve continuar pesando no Ibovespa nos próximos meses. “Encerramos um primeiro trimestre ainda com algumas dúvidas sobre o orçamento para 2021, vimos um forte avanço dos juros futuros, mais um fator que indica essa atenção ao rumo fiscal.”

Commodities em destaque

Mesmo com as dificuldades que o Brasil enfrentou no primeiro trimestre, a expectativa de uma recuperação global e a escalada do dólar ajudaram a impulsionar as commodities. Exportadoras de minério de ferro, como Vale, Gerdau e CSN, foram beneficiadas pelo aumento de demanda de países como China, que estão na vanguarda da retomada econômica pós coronavírus.

Os papéis VALE3, por exemplo, estão subindo 16,93% no ano e 145,74% nos últimos 12 meses, cotados a R$ 98. Já as ações GGBR4 e CSNA3 valorizaram 24,23% e 18,46% em 2021, respectivamente chegando a R$ 30,25 e R$ 37,73. “A expectativa de recuperação está segurando o preço do minério de ferro em um patamar alto e temos uma dinâmica muito favorável para a indústria de aço”, afirma França.

Empresas como Suzano (SUZB3), ligadas a papéis e celulose, também foram impulsionadas no primeiro trimestre e devem continuar performando bem. As ações da companhia estão subindo 16,93% no ano e 91,25% em 12 meses, chegando a R$ 68,45. “A alta também é embalada por um cenário global mais promissor em termos de atividade e alguns reajustes nos preços da celulose”, conclui o especialista da Ágora.

Essa também é o ponto de vista de Guimarães. “Os papéis que estão sendo os vencedores do ano pertencem a empresas de commodities, que realmente fazem parte do PIB brasileiro desde o século 16”, diz. “Existem outros setores como os de shoppings e educação que estão bastante descontados, que valem a pena, mas o investidor precisa ir com calma.”

E-commerce na baixa

As queridinhas do ano passado, começaram 2021 no vermelho. Durante o primeiro trimestre, papéis de players como Magazine Luiza, Via Varejo e B2W sofreram quedas de cerca de 20% nas cotações.

“Tem um movimento de rotação dos setores, então os investidores realizaram lucros e migraram para ativos mais descontados. Em segundo lugar, há uma preocupação do mercado com o aumento da concorrência entre as grandes que pode causar uma desaceleração nos resultados dessas companhias”, explica França.

Segundo o especialista, essa tendência de baixa tem escala global, com as empresas de tecnologia sofrendo mais que os demais setores. “Acreditamos que essa rotação de setores deve continuar, por enquanto estamos cautelosos em relação às grandes varejistas de e-commerce.”

Mercado imobiliário segue resiliente

O segmento imobiliário passou da euforia com o início da campanha de vacinação para perspectivas menos favoráveis a partir do aumento da taxa Selic e agravamento da pandemia. Em fevereiro o indicador IFIX, benchmark para os fundos imobiliários negociados em Bolsa, chegou a bater os 2,897 pontos. Nesta quarta-feira (31), o índice chegou a 2,846,77 pontos, após cair 0,81% no trimestre.

“Mesmo com a questão do novo ciclo de covid, o que aconteceu não foi uma coisa muito mais brusca do que aconteceu no primeiro semestre do ano passado, em termos de índice. Os fundos que vem sofrendo muito com as medidas restritivas, são principalmente os que tem lastro em shoppings centers e lajes corporativas”, afirma Roberto Sampaio, sócio-diretor da Empírica Real Estate (ERE).

Por outro lado, os fundos imobiliários que se destacaram entre janeiro e março de 2021 pertencem aos segmentos logísticos e de investimento em dívida, com rentabilidades bem interessantes se comparados ao CDI Atual, diz Sampaio. “Esperamos retornos altos para os fundos de crédito com lastro imobiliário, pelos contratos indexados ao IGP-M, que acumula uma alta de quase 30% nos últimos 12 meses.”

Para Leonardo Calixto, CEO e fundador da Empírica Investimentos, a perspectiva para o mercado imobiliário é positiva. “A demanda por crédito será cada vez maior, uma vez que em momentos como esse os bancos se posicionam de forma mais conservadora e retraem o crédito, em vez de acelerar. Desse modo, naturalmente os FIDCs [fundos que investem em títulos de crédito] passam a ser a mola propulsora para fluir o capital para empresas”, afirma.

Fugir do Risco Brasil?

Para o investidor que quer proteger a carteira dos eventuais riscos políticos, sanitários e fiscais, uma das saídas é alocar parte dos recursos em empresas do setor. “Diversificação é a palavra, não só entre empresas, mas em regiões. O que fazemos na EWZ é comprar ativos de companhias americanas, que possuem recibos (BDRs) negociados no Brasil”, afirma Guimarães.

Atualmente, os brasileiros têm mais de 100 opções de BDRs, entre elas, recibos de gigantes como Apple (AAPL34), Google (GOGL34) e Tesla (TSLA34). “Basicamente é o preço da ação nos Estados Unidos, multiplicado pelo dólar”, explica Guimarães. “Então o investidor fica exposto à economia americana, que tem uma campanha de vacinação que está indo melhor que a nossa e uma questão fiscal melhor.”

Entretanto, mesmo que demore mais, a Bolsa brasileira teria tudo para se recuperar da performance negativa. “A B3 antecipa movimentos, é movida por expectativas. Isso quer dizer que vai melhorar antes de a economia real estar a pleno vapor”, diz Leonardo Milane, economista e socio da VLG. “Mas é claro que precisamos torcer para o ambiente político se acalmar e seguir monitorando a questão das vacinas.”

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