A combinação desses elementos, na avaliação da Genial Investimentos, deve permitir ao Bradesco a entrega de um lucro líquido em torno de R$ 6,4 bilhões, o que representa uma alta de 18,9% na comparação anual. Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) deve subir para 14,6% no trimestre, ante 13,3% no 4T24. “Acreditamos que o Bradesco deve dar continuidade à sua agenda de reestruturação, com fechamento de agências, redução de headcount, digitalização gradual do varejo massificado, maior foco em clientes de alta renda e busca por ganhos adicionais de eficiência e agilidade operacional”, ressaltam Nishio e Bastos, analistas da casa.
O Itaú BBA também mantém uma visão positiva para o balanço. Para os analistas da casa, os números devem vir mais consistentes em comparação aos outros trimestres em função da expansão da carteira de crédito e do bom desempenho de serviços e seguros que devem compensar os investimentos contínuos em despesas administrativas. “Projetamos lucro de cerca de R$ 6,4 bilhões, correspondente a um ROE de 15%, o que representa melhora sequencial com boa qualidade”, destaca o BBA.
Já a XP espera que os resúltados confirmem a percepção de que o Bradesco está um passo à frente do seu cronograma de reestruturação. “O banco parece ligeiramente adiantado em relação ao cronograma de seu plano de turnaround, o que permite ao Bradesco usar parte desse “colchão” para proteger seu balanço e acelerar os investimentos previstos no plano”, ressaltou a corretora.
O plano de reestruturação do Bradesco foi lançado em fevereiro de 2024, após o banco reportar uma queda de 21,2% no lucro de 2023 em razão da disparada da inadimplência. Entre as primeiras medidas, a instituição reduziu cargos de diretoria para cortar custos e aumentar a sua eficiência operacional. O banco também estabeleceu uma meta de colocar 75% das transações na nuvem até 2025 e decidiu ampliar a concessão de crédito para o público de alta renda.
Líder em pagamento de dividendos
Embora a reestruturação ainda esteja em curso, o Bradesco (BBDC4) já demonstrou a sua capacidade de gerar valor aos seus acionistas. Um levantamento realizado pela Elos Ayta Consultoria aponta que, entre os bancos listados no Brasil e nos Estados Unidos com ativos superiores a US$ 100 bilhões, a instituição foi a que melhor remunerou seus acionistas por meio de proventos, incluindo dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP), nos últimos três anos.
No período, a mediana do dividend yield em dólares ficou em 11,65%, maior patamar entre todas as empresas analisadas. O resultado superou o do Banco do Brasil (BBAS3), Itaú Unibanco (ITUB4) e o Santander Brasil (SANB11), historicamente conhecidos como bons pagadoras de dividendos.