

As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3), antiga VIA (VIIA3), não param de cair desde uma operação mal sucedida de follow on e da mudança do seu ticker na bolsa de valores. Desde o dia 13 de setembro, quando houve a oferta primária, até o pregão desta segunda-feira (25), o papel sofreu uma desvalorização de 46,85%.
A expectativa da companhia era captar R$ 1 bilhão por meio da oferta de ações. O problema é que a precificação do papel saiu a R$ 0,80, totalizando em uma emissão de R$ 622,9 milhões. O volume decepcionou o mercado e as ações da companhia despencaram 18,92% no pregão seguinte ao follow on, passando a valer a R$ 0,90.
Entenda nesta matéria por que o dia 3 de outubro será decisivo para os papéis da empresa.
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O pessimismo do mercado está pautado nas dúvidas sobre a capacidade da companhia em entregar resultados robustos nos próximos trimestres e em função do cenário macroeconômico que torna o ambiente ainda mais desafiador para as varejistas. “Há um processo de reestruturação dentro da empresa, mas vejo que o grupo precisa entregar resultados mais concretos para que o mercado volte a apostar na companhia e também no setor”, diz Bruna Sene, analista da Nova Futura.
A situação se soma ao contexto nada favorável para o varejo. Mesmo com os dois cortes recentes na taxa Selica, o mercado aponta que os juros devem permanecer em patamares elevados por mais tempo. Além disso, o poder de consumo dos brasileiros permanece comprometido com o alto endividamento.
“O processo de retorno ao consumo pode ser lento e, do ponto de vista de setorial, ainda vemos as varejistas passando por um processo de adaptação na pós-pandemia com um cenário mais competitivo”, diz Sene.
Devido a esse conjunto de fatores, não há uma perspectiva de melhora para as ações da companhia. No dia 8 de setembro, a S&P Global Ratings revisou os ratings de crédito das emissões de debêntures da companhia, com vencimento em maio de 2026 e setembro de 2028. A nota caiu de “brAA-” para “brA-”, na Escala Nacional Brasil.
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Segundo Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research, a revisão da nota abriu espaço para a antecipação do vencimento de um dos CRIs da companhia, que soma em R$ 420 milhões. “Foi convocada uma assembleia para a próxima terça-feira (3) para decidir sobre a antecipação do vencimento do CRI. Se houver essa antecipação, a companhia precisa desembolsar R$ 420 milhões”, diz Ferrer.
Na prática, caso essa medida seja efetuada, o plano de levantar capital por meio de follow on poderia perder o seu efeito para a reestruturação da companhia. Isso porque uma eventual antecipação do vencimento poderia desencadear em outras antecipações de outras dívidas, como as debêntures. Ou seja, os R$ 622,9 milhões seriam utilizados para pagar dívidas de forma antecipada.
No pregão desta terça-feira (26), as ações do Grupo Casas Bahia operam em queda de 1,69%, cotadas a R$ 0,58.