Pesquisa divulgada em 29 de outubro e publicada pela Reuters mostrou que Trump está à frente do rival Joe Biden nos estados de Arizona, Geórgia, Michigan, Nevada e Pensilvânia, enquanto o candidato democrata e atual presidente dos Estados Unidos lidera no Wisconsin. Esses lugares são conhecidos como estados-chave, e costumam decidir as eleições americanas.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que a eleição de Trump poderia aumentar o sentimento de incertezas, gerando volatilidade no mercado, o que desfavorece moedas emergentes como o real. Além disso, o candidato republicano tem sinalizado na direção de uma política econômica mais protecionista, o que pode prejudicar a exportação por parte de alguns setores importantes da Bolsa brasileira.
“Trump fala em ser bastante aguerrido na política comercial. Por exemplo, colocar uma tributação de 10% sobre importações. Em geral, o que o Trump está endereçando não são as relações comerciais com o Brasil, mas sim com a China. Mas poderia dificultar alguns setores da economia brasileira, como a agricultura, onde o Brasil é mais competitivo”, avalia Alves.
O estrategista-chefe pondera que Trump tende a defender a produção de petróleo, e pode tirar incentivos para carros elétricos e para a indústria de energia renovável. Essa característica poderia beneficiar o Brasil, considerando que o País é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e pode ganhar ainda mais importância caso a guerra no Oriente Médio avance.
Outra medida que tem sido citada na campanha do ex-presidente Trump é a redução da carga tributária para companhias locais. Para Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, caso o candidato conseguisse reduzir os impostos no país, poderia haver aumento da inflação. Isso poderia fazer com que o Federal Reserve (Fed) tivesse que aumentar as taxas de juros para conter a alta de preços.
Taxas de juros mais altas nos Estados Unidos tornam o país mais atrativo para os investidores, especialmente considerando a tendência de corte da taxa Selic no Brasil. Considerando que a volatilidade é maior por aqui, os investidores tendem a preferir economias mais estáveis que ofereçam uma melhor relação entre risco e retorno.
“É importante ressaltar que o mercado é altamente complexo e influenciado por uma variedade de fatores, não apenas políticos”, pondera Gonçalvez.
As diferenças políticas e ideológicas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também pode ter impactos negativos nas empresas nacionais.
“É bem verdade que existe um certo antagonismo de pensamento, de princípios, do Trump com o atual governo. Talvez as relações possam ficar um pouco estremecidas. E aí o Brasil vai ter que adotar uma postura mais pragmática, porque é interessante negociar com os Estados Unidos e manter o diálogo aberto”, destaca Alves, da Avenue.