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Seis pontos que o investidor precisa saber sobre Rússia e Ucrânia

Ataque foi autorizado pelo presidente russo. Como ficam os mercados globais?

Por Luíza Lanza

24/02/2022 | 13:44 Atualização: 24/02/2022 | 13:44

O presidente da Rússia, Vladimir Putin. Foto: AP
O presidente da Rússia, Vladimir Putin. Foto: AP

O mundo acordou nesta quinta-feira (24) com a notícia de que a Rússia atacou a Ucrânia. O estopim para que o cenário mais temido dos últimos meses se concretizasse aconteceu quando o presidente russo Vladimir Putin reconheceu a independência de duas regiões separatistas no leste do país vizinho – o que serviu de pretexto para que o Kremlin avançasse.

Leia mais:
  • A crise entre Rússia e Ucrânia e seus efeitos para o mercado
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“O desenho é uma invasão total, o objetivo da Rússia é tomar a Ucrânia interior. Uma guerra acaba rápido quando o exército oponente é fraco demais, e por isso é derrotado rapidamente, ou forte demais, o que estimula um cessar fogo. Um exército intermediário é quando se tem mais destruição e problema, e é o que está se desenhando”, explica Thiago de Aragão, diretor de estratégia da Arko Advice, mestre em Relações Internacionais e colunista do E-Investidor.

Além das perdas humanas que um conflito armado ocasiona, a economia mundial também é inevitavelmente afetada. Rússia e Ucrânia são grandes produtores e exportadores de commodities e a eclosão de uma guerra entre os dois países deve impactar todos os mercados globais.

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João Beck, economista e sócio do BRA, explica que, diferentemente da pandemia, o mercado se protegeu. “Isso ficou evidente desde o sobrepreço dos contratos de derivativos de diversas classes de ativos até a disparada do preço do petróleo e derivados. A crise ucraniana foi escalando ao longo das semanas”, diz.

A economia brasileira não está imune às tensões no leste europeu. Por isso, o E-Investidor separou alguns pontos que o investidor precisa ficar atento enquanto o conflito estiver acontecendo.

1) O preço das commodities vai subir

O principal efeito do conflito na economia vai ser sentido via commodities, principalmente as energéticas e as agrícolas. Pela primeira vez em sete anos, o preço do barril de petróleo ultrapassou a casa dos US$ 100. O gás natural também sobe 40% nesta quinta-feira. A Rússia é uma grande produtora e exportadora de ambos os produtos e a possibilidade de interrupção nas cadeias produtivas faz os preços aumentarem.

2) Inflação nos alimentos

Além da Rússia, referência em gás natural e petróleo, a Ucrânia também tem forte agricultura, sendo responsável por mais de 10% da produção mundial de trigo. A paralisação da produção ucraniana deve reduzir significativamente o estoque do insumo no mercado e aumentar os preços dos alimentos mundo afora.

“São commodities que afetam diretamente o consumo primário de consumidores, o pãozinho, a gasolina”, diz Aragão.

Com a tendência de aumento nos preços das commodities agrícolas e, em consequência, dos alimentos, há também um aumento da renda direcionada para alimentação e menos consumo para gastos discricionários e serviços em todo mundo.

3) Desaceleração no mercado global

Com as condições do mercado mais restritas, deve haver menos liquidez nas bolsas para financiamento e menos apetite para investimentos – vetores que podem levar à desaceleração do crescimento global.

4) Aumento das taxas de juros

Em uma tentativa de conter a inflação, que já vinha acelerada por causa dos efeitos da pandemia, as economias mundiais vão ficar pressionadas para aumentar suas taxas básicas de juros. “A alta das commodities se soma ao cenário de inflação alta em todo mundo e pode ocasionar um aperto monetário (subida de juros) maior do que o projetado”, explica Beck, da BRA.

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Se o banco central dos Estados Unidos já vinha endurecendo o discurso monetário, agora a situação deve piorar. “O FED fica numa sinuca de bico. Por um lado, a desaceleração global pode aliviar a inflação de salários que hoje é um canal de contágio relevante. Por outro lado, a alta das commodities pressiona preços industriais”, afirma.

5) Haverá efeitos do conflito no Brasil

E como fica o Brasil? O Ibovespa vem de um movimento de recuperação, acumulando ganhos de 6,85% no ano até o pregão de quarta-feira (24). Para Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos, a pergunta é se vamos ter na B3 apenas uma correção ou uma queda mais forte, mas ainda não é possível saber a resposta.

“O Brasil não é diretamente afetado, podemos dizer até o contrário, já que é exportador de matéria- prima que está subindo. Os setores produtores de matéria-prima devem se dar bem: petróleo, minério, alimentos, exportadoras, empresas indexadas ao dólar”, explica.

6) Aversão ao risco

O mercado financeiro como um todo vai ficar com uma grande aversão ao risco. “Quem está mais perto sofre mais, mas o Brasil, por ser emergente, também vai sentir”, diz Cunha, da iHUB.

Ativos de empresas do setor de construção, que dependem mais da taxa de juros, de varejo ou as techs, que performam pior em momentos de aversão ao risco, devem sofrer mais.

João Beck, da BRA, acrescenta que os efeitos sentidos pelas potências globais também vão se refletir aqui. “Em especial o contágio de inflação que pode forçar o Banco Central americano ao aumento mais acentuado da taxa de juros num ambiente econômico fragilizado e endividado”, afirma.

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