A CSN anunciou a venda do controle da divisão de cimentos e de uma fatia da infraestrutura para reduzir a alavancagem. Operação pode render até R$ 18 bilhões e ocorre em meio a ceticismo do mercado. (Imagem: Adobe Stock)
Na quinta-feira (15), a CSN (CSNA3) anunciou ao mercado que irá vender o controle de sua empresa de cimentos e uma parcela de sua empresa de infraestrutura. A companhia já havia dito anteriormente que estudava essas soluções e vem repetindo que a desalavancagem de seu balanço era uma prioridade. Desta vez, a mensagem veio com prazos. O início dos processos de venda será ainda em janeiro e as assinaturas estão previstas para o terceiro ou quarto trimestre. A maior novidade foi o anúncio da venda de controle do negócio de cimentos, já que, até então, a companhia só falava em buscar um novo sócio.
A possibilidade de compra de controle aumenta o apetite dos investidores, segundo um analista ouvido pela reportagem, que preferiu não se identificar. No entanto, o fato de a gestão da CSN ter repetido tantas vezes que diminuiria sua alavancagem sem tomar atitudes mais práticas faz o mercado reagir de forma cética ao anúncio. No início do dia 15, o papel chegou a operar em alta de mais de 2,7%. Ainda durante a teleconferência com investidores, porém, o papel passou a cair e era negociado com queda de 3,6% no final da tarde.
Nos bastidores, apurou a Broadcast, a empresa já vinha sinalizando a investidores e credores que faria um anúncio relevante em breve. No entanto, novamente, a fama de prometer vender ativos e, na verdade, segurá-los, vinha gerando ceticismo no mercado.
Ainda em setembro do ano passado, a diretora da Fitch Ratings, Debora Jalles, disse que a CSN começava a se aproximar dos gatilhos de rebaixamento de rating. Ela disse que o nível de alavancagem da companhia vinha sendo persistentemente alto para empresas da categoria BB. “A empresa tem feito uma estratégia de venda de participações minoritárias, mas isso ainda não se traduziu em redução de dívida”, afirmou Jalles, já sinalizando descontentamento com o discurso que não se traduzia na prática. Ao fim do terceiro trimestre de 2025, a dívida líquida consolidada da CSN atingiu R$ 37,545 bilhões. O indicador de alavancagem medido pela relação Dívida Líquida/Ebitda dos últimos 12 meses, porém, foi de 3,14 vezes.
Desta vez, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, garante que a conversa é diferente. “Apesar de termos certeza da melhora em 2026, esperar mais não faz sentido. Vamos resolver definitivamente a estrutura de capital do grupo CSN. Nunca nos comprometemos como agora: de forma transparente, objetiva e pragmática”, disse.
Em sua visão, ao longo dos anos, a companhia acumulou ativos sem ter empresas ruins em seu portfólio. Para ele, a venda do controle da CSN Cimentos, que a empresa anunciou que terá seu processo iniciado em janeiro, resolveria sozinha o endividamento da empresa. “Veremos o que fazer com sobras”, afirmou.
Ele afirmou também que os motivos para essa decisão são o momento econômico brasileiro de juros altos e a entrada de produtos estrangeiros no País. “Momento econômico é rentista e beneficia quem não se compromete com investimento, crescimento e emprego”, afirmou. Ele disse que a companhia insistiu, talvez, até mais do que deveria em sua estratégia e que agora deve se adequar.
Alavancagem, caixa e projeções do grupo
Com a venda do controle da CSN Cimentos e uma fatia da CSN Infraestrutura, a companhia pretende obter de R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões. “Como primeiro passo das ações de desalavancagem, a companhia vendeu 11% da MRS para a CSN Mineração por R$ 3,35 bilhões em 2025”, disse ainda a empresa, lembrando de uma operação recente. No entanto, o diretor financeiro, Marco Rabello, explicou a analistas que o valor dessa primeira transação não faz parte do montante projetado de desalavancagem a partir de agora, uma vez que já entrou no caixa da empresa antes do anúncio de hoje.
Segundo a CSN, com base no novo portfólio de ativos, o Grupo tem potencial de dobrar seu Ebitda e sua rentabilidade em até oito anos, com endividamento em torno de 1 vez, concentrando suas operações nos segmentos de maior crescimento e que geram maior valor e sinergias.
Rabello afirmou ainda que a empresa foi procurada por possíveis compradores para o negócio de cimentos que não têm operação no Brasil. Ele entende que uma solução do tipo facilita trâmites no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Após ser questionado por analistas, ele afirmou que a companhia não tem aprovação do Conselho de Administração para uma venda adicional na CSN Mineração e que a empresa tem importância estratégica para o grupo.