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Dólar vai a R$ 6,40? Por que o UBS acredita que o alívio no câmbio é momentâneo

Ainda que a moeda já tenha recuado desde a máxima de R$ 6,20, a perspectiva para o câmbio segue negativa

Por Luíza Lanza

28/01/2025 | 18:00 Atualização: 28/01/2025 | 18:00

Notas de dólar americano. (Foto: Adobe Stock)
Notas de dólar americano. (Foto: Adobe Stock)

A reta final de 2024 foi marcada por uma disparada do dólar que levou a cotação ao maior valor da história do Plano Real. Ainda que a moeda americana já tenha perdido mais de R$ 0,30 desde a máxima de R$ 6,20, o alívio deve ser momentâneo e a perspectiva para o câmbio brasileiro ainda é negativa. Esta é a projeção do UBS, que vê o dólar com potencial de chegar até R$ 6,40 este ano.

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  • Leia mais: Dólar hoje fecha em baixa pelo sétimo pregão seguido; por que a moeda está caindo?

O mês de janeiro tem sido marcado por um alívio global do dólar, especialmente frente ao real, com um entendimento do mercado de que as primeiras medidas de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos são mais brandas do que as ventiladas em campanha. Mas Arend Kapteyn, economista-chefe do UBS, e Alejo Czerwonko, diretor de investimentos de mercados emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management, acreditam que estão por vir novos anúncios de tarifas dos EUA contra outros países e que o movimento pode ter sido apenas pontual.

“O otimismo que existiu logo após a posse, quando parecia que Trump agiria mais devagar nas tarifas, é equivocado”, disse Kapteyn. Alejo Czerwonko complementou: “Dezembro foi horrível para os ativos de risco brasileiros, incluindo o real. Então é um movimento tático em uma moeda que sofreu de forma descomunal apenas alguns dias atrás”, pontuou em conversa com jornalistas na Latin America Investment Conference, evento realizado pelo UBS e o UBS BB nesta terça-feira (28), no hotel Grand Hyatt, em São Paulo.

A projeção de 12 meses dos especialistas do UBS para o dólar está entre R$ 6,20 e R$ 6,40. Mas não é só por causa de Trump.

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Para Czerwonko, para além de uma conjuntura que joga a favor de um fortalecimento global da moeda americana, o Brasil tem problemas relevantes para resolver em relação ao equilíbrio fiscal. “Tem sido muito difícil achar um gatilho positivo”, disse o diretor, ao destacar que o pacote de medidas propostas para conter a velocidade de crescimento dos gastos públicos demonstrou que o governo não está disposto a dar um sinal na direção da responsabilidade fiscal.

“Sem dúvida, é o calcanhar de Aquiles do Brasil”, disse. “As ações brasileiras tiveram um desempenho quase 150% abaixo das argentinas, em dólar, em 2024. E isso tem a ver com um país que está resolvendo seu problema fiscal versus outro que está se recusando”, destacou Czerwonko.

Brasil pode se destacar, se fizer o dever de casa

A boa notícia é que, apesar da projeção negativa para o câmbio, o diretor de investimentos de mercados emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management vê o Brasil bem posicionado para se beneficiar de uma conjuntura global mais desafiadora. Bastaria “fazer o dever de casa”.

Se jogar bem as cartas, pode ter uma boa relação com os EUA, com a China e com a Europa, além de estar afastado dos conflitos geopolíticos. Em um mundo que fala em segurança energética, segurança alimentar, transição verde, o Brasil é parte da solução, não do problema”, destacou Czerwonko. “Mas precisa resolver os problemas domésticos.”

A má notícia é que os especialistas do UBS não veem isso acontecendo no curto prazo. Eles concordam que as ações brasileiras estão baratas – os papéis no Ibovespa estão cerca de 40% descontados em relação ao valuation dos mercados emergentes, que, por sua vez, têm um desconto de mesma magnitude em relação às ações dos Estados Unidos. Só não há gatilho de curto prazo para promover uma recuperação expressiva.

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Para o diretor do UBS, o mercado brasileiro deve continuar a andar de lado até meados de 2026, quando uma recuperação pode vir se as eleições presidenciais indicarem mudanças na condução de política econômica no País. “Tem muita notícia ruim no preço dos ativos brasileiros. E não há garantia que quem governará na sequência será significativamente diferente. Há oportunidades, mas requer muita paciência dos investidores”, pontuou Czerwonko.

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