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Mercado

Economistas comentam efeitos da saída de Mandetta

O mercado deve olhar o comportamento do novo ministro com atenção

Por E-Investidor

16/04/2020 | 19:11 Atualização: 17/04/2020 | 11:10

Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Depois de muito vai e vem, a disputa entre Luiz Henrique Mandetta e o presidente Jair Bolsonaro finalmente chegou ao fim. Nesta quinta-feira (16), Mandetta  anunciou em suas redes sociais que foi demitido do cargo de Ministro da Saúde. Em seu lugar, assume o oncologista Nelson Teich, que afirmou ter “alinhamento completo” com Bolsonaro.

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“Quero agradecer a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar”, disse o ex-ministro.

No cargo, Mandetta teve diversos embates públicos com o presidente da república. De um lado, Mandetta defendia a necessidade de isolamento para toda a população. Do outro, Bolsonaro pregava o chamado “isolamento vertical” e o uso da hidroxicloroquina em pacientes com a covid-19 ainda na fase inicial.

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No Brasil, a demissão ajudou a acelerar a queda da Bolsa e coincidiu com o dólar nas máximas. Porém, o anúncio de Teich como titular da Pasta aliviou o mercado. Apesar de Mandetta ser bem visto pela população e pelos técnicos da área, Teich já mostrou compromisso público com a manutenção do distanciamento social como melhor estratégia para lidar com a disseminação do novo coronavírus. O alinhamento à abordagem científica tranquiliza os investidores.

Para entender se essa dança das cadeiras no ministério vai afetar o mercado, o E-Investidor conversou com especialistas sobre o assunto. Veja o que eles pensam sobre a decisão do presidente:

Luiz Carlos Mendonça de Barros, economista e ex-presidente do BNDES

“Nesse momento, a situação estava muito radicalizada entre a saúde e a economia. Acredito que vai ajudar no distensionamento, mas não acho que tem impacto direto na Bolsa. A insegurança da Bolsa é por outras razões. É preciso discutir como será a volta à normalidade. Os investidores se preocupam porque ninguém sabe direito como se dará essa transição do isolamento para a volta da circulação. Há dúvidas de natureza técnica da pandemia e ninguém sabe como o consumidor vai reagir. O grau de incertezas vem de coisas mais complexas. O medo do ponto de vista de como se faz essa transição ainda é grande.”

André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica

“O Bolsonaro já disse publicamente que Teich vai ter que pensar na pandemia como um todo, olhando empregos, economia e saúde. Essa nomeação já pode vir com um certo estresse. Inicialmente, a bolsa de valores pode reagir com algum movimento de alta, imaginando que o novo ministro possa flexibilizar um pouco o isolamento social.

No entanto, esse afrouxamento pode gerar um aumento significativo no número de casos e isso pode fazer o novo ministro se aproximar novamente da saúde pública. Isso significa retomar o isolamento com força e deve trazer a bolsa para baixo, mais uma vez. Se houver algum clima de euforia, acredito que ele será apagado brevemente quando os casos começarem a aumentar de forma mais rápida. De modo geral, o novo ministro é uma incógnita.”

Joelson Sampaio, coordenador do curso de economia da FGV EESP

“A decisão aumenta as incertezas porque ela muda o jeito de como que vai ser conduzida a política do governo Bolsonaro em relação ao Ministério da Saúde. O mercado também vai olhar o comportamento do novo ministro com atenção. É possível que ele siga a mesma linha do Mandetta.

A percepção geral é de mais uma troca por um problema que o Bolsonaro teve com um dos ministros. O mercado vai sempre ler troca como um fator negativo, mas todos vão esperar para ver como vai ser a condução desse novo ministro. Se ele mudar as regras do jogo e não seguir as práticas internacionais é possível que o mercado seja prejudicado.”

Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper

“Vai depender muito do que o novo ministro vai fazer em termos de política pública. O que pode impactar na avaliação das empresas e no Ibovespa é um eventual protocolo de saúde pública que dê segurança para que a economia volte. Nenhum país conseguiu essa dinâmica de voltar ao que era antes do coronavírus. Me parece que o presidente tomou uma decisão muito mais política do que técnica. Outro ponto importante é que o STF deu autonomia para os estados em relação à quarentena. Ou seja, o governo federal, e o próprio ministro, não teriam como obrigar todo mundo a retomar as atividades.”

Leonardo Trevisan, economista e professor de Relações Internacionais da ESPM SP

“O novo ministro adotou já na sua primeira colocação a fala de que nenhuma atitude seria tomada maneira brusca. É preciso reconhecer que ele não é um gestor público e que representa um sinal positivo para o mercado porque, desde 1990, ele tem uma história de sucesso em empresas médicas.

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É verdade que em artigos recentes, Nelson Teich defendeu o mesmo isolamento social que pregava o ex-ministro, mas foi muito claro sobre evitar qualquer polarização entre saúde e economia.  Agora devemos aguardar as primeira decisões.”

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos

“Com o que se sabe sobre o novo ministro não parece que teremos medidas extremas no combate ou ‘descombate’ à pandemia. Ao que parece, trata-se de uma pessoa muito organizada com um plano de ação bem definido, o que não seria recebido de maneira ruim pelo mercado. Aguardamos mais informações ou declarações para irmos formando uma opinião mais consistente. Momentos de trocas no governo sempre são de grande apreensão.”

COLABORARAM: ERNANI FAGUNDES / JENNE ANDRADE / LUCAS BALDEZ / MATEUS APUD / PEDRO HALLACK E VALÉRIA BRETAS

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