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Mercado

Por que o mercado não deve esperar por privatizações em 2021

Neste ano, os governos devem focar os esforços em questões envolvendo a covid-19

Câmara dos Deputados. Foto: Luis Macedo/Agência Câmara
  • A campanha eleitoral de Jair Bolsonaro (Brasil), João Doria (São Paulo) e Romeu Zema (Minas Gerais) animou o mercado em relação às privatizações, mas em dois anos nenhuma grande empresa foi vendida
  • Especialistas do mercado não esperam que Eletrobras, Sabesp e Cemig sejam privatizadas em 2021
  • As ações das estatais não devem ser prejudicadas, mas as desestatizações poderiam fazer os ativos dispararem

O presidente Jair Bolsonaro chegou à metade do seu mandato, mas não conseguiu entregar as promessas do seu programa econômico. O compromisso com uma agenda liberal e a desestatização de companhias foi a principal bandeira defendida por ele e outros governantes durante as eleições de 2018.

Com a chegada da pandemia de coronavírus, no entanto, a força política para tirar os planos do ministro da Economia, Paulo Guedes, do papel caiu e as privatizações ficaram em segundo plano. Até agora, nenhuma grande empresa teve o seu projeto votado.

A discussão também não avançou nos governos estaduais, que controlam estatais brasileiras de capital aberto e também tinham planos de transferências para a iniciativa privada. É o caso da Sabesp (SBSP3) e Cemig (CMIG4), controladas pelos governos de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente.

“2020 foi atípico e nada que estava pré-estabelecido pela agenda liberal prosperou. O foco foi a pauta do auxílio aos mais afetados pela crise”, diz Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos.

Para especialistas consultados pelo E-Investidor, a virada para 2021 não deve fazer esses projetos avançarem e o mercado financeiro não deve esperar a privatização dessas empresas. A justificativa é simples: a pandemia ainda está longe de um desfecho e não há consenso político para a aprovação das joias da coroa.

Eletrobras (ELET3 e ELET6)

No caso de Eletrobras (ELE3 e ELET6), uma das joias da coroa controlada pelo governo federal, Vitor Sousa, analista de Utilities da Genial Investimentos, ressalta que mesmo se a dívida pública brasileira atingir quase 100% do PIB, a empresa não será privatizada, pois o valor da venda seria irrisório para resolver o problema.

“A privatização da Eletrobras passa longe de ser a principal medida para a solução da questão fiscal do País”, afirma Sousa, salientando que mesmo com o plano de desestatização avançado para a empresa, e uma das prioridades de Guedes, o projeto não deve ser votado.

Os assuntos que devem tomar o tempo dos políticos em 2021 são as eleições na Câmara e no Senado, o pagamento do auxílio por mais alguns meses, a votação do orçamento para 2021 e a manutenção do teto de gastos. O consenso é que algumas privatizações controladas pelo governo  podem acontecer ao longo do ano, mas devem ser vendas “pequenas”.

“Não haverá a venda de nenhuma empresa que realmente precise ser privatizada e que diminua o tamanho do Estado para gerar eficiência, como a Eletrobras”, diz Espírito Santo, economista-chefe da Órama.

Sabesp (SBSP3) e Cemig (CMIG4)

Para Sabesp (SBSP3) e Cemig (CMIG4), que pertencem aos estados de São Paulo e de Minas Gerais, respectivamente, os especialistas acreditam que os governadores também estarão mais focados em outros assuntos. Uma das prioridades de São Paulo, por exemplo, será a vacina contra a covid-19.

“Doria sempre falou da venda da Sabesp, mas esse ano o foco será nas questões que envolvem a vacina. Além disso, ele quer ser presidente e privatizar não é fácil, pois muitos são contrários a essa ideia e eu acredito que ele não vai querer se queimar com essas pessoas”, afirma o analista da Genial.

No caso da companhia mineira, Zema tem dificuldades de encaminhar o projeto, pois encontra resistência dos políticos e dos moradores da região. Em MG, além de passar pelos políticos, o plano deve ser aprovado em um plebiscito.

Sem um desfecho para a situação da pandemia no curto prazo, a tendência é que o governador priorize o controle da crise em fez de realizar campanhas para incentivar a venda da Cemig.  “Tenho 33 anos de mercado e ouço que Cemig e Sabesp serão privatizadas desde que entrei nele. Acredito que vou ouvir mais um ano sem nada acontecer”, diz Espírito Santo, da Órama.

Como ficam as ações das empresas?

Mesmo que as privatizações não avancem em 2021, as ações da Eletrobras, Sabesp e Cemig podem ter um ano positivo. Em caso de venda, no entanto, os especialistas reforçam que o investidor deve ficar de olho porque os papéis podem disparar com qualquer notícia envolvendo o andamento dos projetos.

“Não vejo um centavo do preço atual dos ativos que tenha sido precificado pela expectativa das privatizações”, afirma Sousa, analista da Genial, ressaltando que cabe ao investidor avaliar se a compra das ações está alinhada com a estratégia do seu portfólio de investimentos.

Na Ágora Investimentos, os três papéis têm recomendação de compra. Segundo a corretora, a SBSP3 pode chegar a R$ 104 em caso de privatização, mas seu atual preço-alvo é de R$ 70. A ação encerrou o pregão de terça-feira (12) cotada a R$ 41,69.

No caso de ELET3 e ELET6, a Ágora estipulou o preço-alvo de R$ 57 – os ativos estão cotados atualmente a R$ 34,41 e R$ 35,07, respectivamente. As ações da Eletrobras também são indicadas por seis de sete corretoras consultadas pelo E-Investidor.

Já a CMIG4 tem o preço-alvo de R$ 14, ante a R$ 14,66 no fim da sessão do dia – valor que pode ser revisado.

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