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Mercado

Até onde as ações da Embraer (EMBR3) podem crescer?

Embora negativa em 21,3% em 2022, a ação da fabricante de aeronaves acumula ganhos de 113,9% em um ano

Até onde as ações da Embraer (EMBR3) podem crescer?
Analistas citam oportunidades e riscos para as ações da fabricante brasileira de aeronaves. (Foto: Roslan Rahman/ AFP)
  • Analistas ouvidos pelo E-Investidor dizem que o mercado ainda está otimista com os papéis da Embraer, que ainda têm potencial de se valorizar mais em 2022, embora também existam fatores de risco no radar
  • O noticiário da companhia, desde o ano passado, está movimentado por uma série de negociações e novos acordos fechados, que sustentam, em partes, os ganhos acumulados
  • Além do noticiário movimentado, a Embraer tem um forte impacto do câmbio sobre seus resultados, seja na formação da receita ou no custo da dívida, que frequentemente gera perdas grandes com variação cambial

O ano de 2022 iniciou com uma correção no preço das ações da Embraer (EMBR3), que acumula perdas de 21,3% em janeiro. Mesmo com o recuo, a empresa tem uma valorização de 113,9% no acumulado dos últimos 12 meses, o segundo maior entre as ações do Ibovespa, considerando a cotação de R$ 19,56 (-2,54%), às 13h51 desta sexta-feira (28).

Com ganhos tão elevados, será que há espaço para mais valorização do papel? Analistas ouvidos pelo E-Investidor dizem que o mercado está otimista com as ações da Embraer e que elas ainda têm potencial de se valorizar mais em 2022, embora também existam fatores de risco no radar.

O noticiário da companhia, desde o ano passado, está movimentado por uma série de negociações e novos acordos fechados que sustentam, em partes, os ganhos acumulados.

“A ação da Embraer teve uma forte valorização em 2021 por conta de uma sequência de notícias, como novos contratos de vendas de aeronaves e principalmente pela transformação nos negócios da empresa, abrindo um novo campo de negócios que são os novos tipos de aeronaves (pequenas) que despertaram o interesse dos mercados. Mas é um projeto de longo prazo”, diz Mario Mariante, analista-chefe da Planner Corretora.

Nesta semana, por exemplo, a empresa anunciou que assinou contrato de venda de aeronaves para a companhia norte-americana de arrendamento de aviões Azorra, no valor de US$ 3,9 bilhões. Em outubro de 2021, a Embraer também fechou uma venda de US$ 1,2 bilhão em aeronaves para a NetJets, empresa de Warren Buffett.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA, avalia que a melhora da performance dos papéis no ano passado aconteceu à medida que fatores negativos de 2020 se dissiparam no mercado, como o cancelamento da fusão da divisão de aviação comercial com a Boeing e os impactos da covid-19, que afetaram a demanda por aeronaves.

Além de novos contratos para a fabricação de aeronaves, Nishimura destaca a atuação na empresa no mercado experimental de carros voadores. A Eve, braço da companhia nesse segmento, foi avaliada em US$ 2,9 bilhões no final de 2021 e deverá ser listada em Nova York.

“A iniciativa de eVTOL, os chamados carros voadores, é vista com entusiasmo, a ponto de se justificar um prêmio de valuation acima da média histórica. Segundo o time de análise da XP, a ação é negociada com múltiplo EV/EBITDA 2022 ao redor de 9,2 vezes, acima da média histórica de 7,5 vezes”, observa o sócio da BRA.

A Embraer tem um forte impacto do câmbio sobre seus resultados, seja na formação da receita ou no custo da dívida, que frequentemente gera perdas grandes com a variação cambial. Mariante ressalta que nos nove primeiros meses de 2021, a companhia acumulou um prejuízo líquido de R$ 284,2 milhões, influenciado por uma despesa financeira líquida de R$ 1 bilhão. “A influência do câmbio sobre o financeiro é o que muitas vezes segura o preço dos papéis da empresa. O mercado passou a avaliar a companhia com um olhar de otimismo com as novas parcerias e novos negócios”, diz o analista-chefe da Planner.

O que pode fazer os papéis se valorizarem?

Para Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, alguns fatores podem valorizar as ações da empresa. Entre eles o possível crescimento da demanda por aviões comerciais, a reintegração da divisão anunciada recentemente após decisão da Boeing de não seguir em frente com a compra, a resiliência da aviação executiva – mesmo com o cenário internacional adverso para os combustíveis – e  sua participação na Eve, onde a empresa, em sua avaliação, tem bastante potencial e maior demanda de venda do que os concorrentes.

“Em nossa opinião, as ações da Embraer têm potencial de valorização de 35%, até R$ 27, o que a colocaria em seus patamares históricos de múltiplos. A possível alta seria impulsionada pelo aumento da demanda por aviões, aumento das plataformas de sales-leaseback das aéreas pelo mundo e aumento da demanda por aeronaves EvTol”, acredita Crespi.

Mariante, da Planner, embora não arrisque um patamar de preço para as ações, avalia que estas possuem espaço para uma recuperação de preço, considerando o recuo que tiveram neste mês de janeiro. A recuperação, ele ressalta, depende também da confirmação de números mais consistentes a partir deste ano.

Nishimura, por sua vez, afirma que o consenso do mercado aponta para um potencial de valorização da ordem de 30%, no período de um ano.

Quais os riscos para os papéis?

O sócio da BRA observa que a companhia está exposta a alguns fatores de riscos macroeconômicos, como o PIB mundial, que afeta diretamente os pedidos de aeronaves Já uma valorização do real, ante o dólar, pesaria contra a empresa, diz ele.

“A Embraer também enfrenta uma concorrência mais forte com fabricantes de aeronaves maiores, como Airbus e Boeing. O arrefecimento das restrições à circulação devido à pandemia atua de forma positiva, uma vez que ajuda para a retomada do setor aéreo e a consequente melhora da indústria ligada ao segmento”, acrescenta Nishimura.

No quesito competição, o analista da Guide salienta que a empresa pode enfrentar disputa mais intensa por parte da Bombardier, que está junto à Airbus. Além disso, Crespi vê riscos de aumento do preço dos insumos no mercado internacional e de execução, com destaque para a Eve.

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