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Mercado

Emissão privada de renda fixa terá recorde em 2022, diz BTG Pactual

Movimento é liderado por empresas que precisam rolar dívidas, disse o chefe de mercado de capitais do BTG

Por Reuters

17/06/2022 | 11:30 Atualização: 17/06/2022 | 11:30

BTG Pactual aponta que, mesmo com alta dos juros, renda fixa deverá ter emissão recorde nesse ano – Foto: Shutterstock/CrizzyStudio/Reprodução
BTG Pactual aponta que, mesmo com alta dos juros, renda fixa deverá ter emissão recorde nesse ano – Foto: Shutterstock/CrizzyStudio/Reprodução

As emissões corporativas de dívida no Brasil em 2022 rumam para um recorde mesmo com o ciclo de alta de juros no País e nos Estados Unidos, com grandes empresas se valendo da ampla demanda de investidores e do momento adverso para captações no exterior ou com ações, disse o chefe de mercado de capitais de renda fixa e project finance do BTG Pactual, Daniel Vaz. “Tem muita emissão no forno para acontecer no terceiro trimestre, vai ser muito forte”, disse à Reuters o executivo, citando instrumentos como debêntures, CRAs (recebíveis do agronegócio), LCIs (Letra de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio).

Leia mais:
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Segundo Vaz, esse movimento é liderado por companhias que precisam rolar dívidas, mas também por outras que estão dentro de ciclos de investimentos de mais longo prazo, como nos casos das empresas ligadas a concessões de infraestrutura (saneamento, portos, rodovias e energia).

Há também companhias se antecipando dado o cenário em geral mais volátil das eleições presidenciais, que ocorrem neste ano em outubro. Por fim, com o mercado de renda variável quase fechado – em 2022 houve apenas uma oferta inicial – e limitado para captações no exterior, o caminho mais viável tem sido a renda fixa, produto que tem tido forte demanda de investidores.

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“E mesmo com o mercado de ações praticamente fechado para captações muitas empresas domésticas seguem com ratings muito bons para dívida”, pontuou Vaz.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) compilados pelo BTG, a renda fixa respondeu por 91,5% dos 44,6 bilhões de reais de captações de feitas por empresas brasileiras no mercado de capitais em maio. A maioria dos recursos foi para capital de giro (31,3%), refinanciar passivos (23,8%) e investimento em infraestrutura (17%). Em 2021, as emissões totais de renda fixa no país somaram 178,8 bilhões de reais, segundo os dados.

Esse movimento, conforme disse Vaz, reflete também a forte migração de recursos de investidores, de ações para renda fixa, o que tem reduzido os spreads (diferença entre o preço de compra e venda) para emissores. “O juro aumentou, mas há demanda do mercado pelos papéis”, disse.

Na quarta-feira (15), o Federal Reserve, o banco central norte-americano, elevou a taxa básica de juros nos Estados Unidos em 0,75 ponto porcentual, para a faixa entre 1,5% e 1,75% ao ano. Por aqui, o Banco Central subiu a Selic em 0,5 ponto, para 13,25% ao ano.

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O executivo disse ainda que, dado o cenário de incertezas, mesmo empresas que poderiam liquidar dívidas têm preferido uma rolagem para preservar caixa. Há ainda os casos de grandes exportadoras que têm emitido dívida doméstica, fazendo swap (operação em que há troca de posições ) para dólares e recomprando bônus no exterior com valores de face bastante descontados. “E isso tem sido uma oportunidade para o BTG, que opera em diferentes moedas”, afirmou Vaz.

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