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Mercado

O que esperar da possível fusão entre BRF e Marfrig

Com os rumores da combinação, os papéis BRFS3 subiram 16,28% na sexta-feira (21)

carne
Foto: Clayton de Souza/Estadão
  • Na última sexta-feira (21), a Marfrig comprou 196,8 milhões de ações ordinárias da BRF, o que significa uma participação de 24,23% no capital da companhia
  • O movimento reaqueceu os rumores em torno de uma possível fusão entre os negócios
  • Especialistas têm visão positiva para uma eventual combinação, ressaltando a complementaridade entre as atividades das companhias

Os rumores de que a processadora de carnes Marfrig (MRFG3) estaria comprando um grande volume de ações da empresa de alimentos BRF (BRFS3) tomaram conta do mercado durante o pregão da última sexta-feira (21).

A confirmação veio somente após o encerramento das negociações, via fato relevante divulgado pela Marfrig, o que reaqueceu as expectativas em torno de uma possível combinação entre os negócios.

Foram adquiridas 196,8 milhões de ações ordinárias da BRF, o que significa uma participação de 24,23% no capital social da concorrente. O movimento explica parte das oscilações atípicas nos ativos: os papéis BRFS3 chegaram a subir 16,28%, para R$ 26,39, enquanto o MRFG3 caiu 5,20%, para R$ 18,05.

Segundo o comunicado emitido pela Marfrig, o objetivo do aumento da participação é somente diversificar investimentos em um segmento com alta complementaridade às atividades da companhia. “A Marfrig esclarece que não pretende eleger membros para o Conselho de Administração ou exercer influência sobre as atividades da BRF”, explica o frigorífico, em comunicado.

Apesar de a fusão não ter sido confirmada, a possibilidade é vista com bons olhos por analistas – e a questão da complementaridade é um dos pontos que reforçam a positividade. “Estamos falando de união de negócios que, apesar de estarem no mesmo setor, são bem diferentes”, afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. “Enquanto a Marfrig tem uma alta capacidade de produção no segmento bovino, a BRF é voltada para suínos e escambos”, completa.

Esteter também destaca que existe uma importante complementaridade regional, caso haja uma combinação entre as companhias. Cerca de 80% da receita da Marfrig, por exemplo, vem da América do Norte. Somente uma menor parte é originada das operações no Brasil, Uruguai e Argentina. Na outra ponta, a BRF tem atuação forte no Brasil (80%) e no Oriente Médio, com a oferta de carnes Halal DPP (principalmente de boi e de frango), consumida pelos muçulmanos. “Nisso você acaba tirando um pouco dos riscos regionais de acontecer algum tipo de embargo. Acaba-se criando uma cadeia global de alimentos”, explica Esteter.

Essa também é a visão dos analistas Larissa Pérez e Leonardo Alencar, da XP Investimentos. “Na frente comercial seria um acréscimo estratégico ao portfólio de ambas as empresas. A BRF é forte no varejo, enquanto a Marfrig está focada no food service, canais que crescem rapidamente nos mercados emergentes, sendo a China um dos mais importantes”, explicam. “Um portfólio mais diversificado daria maior poder de precificação e colocaria a nova empresa em uma posição melhor para aumentar a participação no mercado”, complementam.

Desafios

Por se tratar de uma possível fusão entre duas empresas gigantes, é claro que não faltariam desafios a serem transpostos para concretizar o acordo. Para os analistas da XP, a maior dificuldade seria a aderência cultural entre as empresas, apesar de existirem inúmeros bons motivos para a fusão acontecer, principalmente por reunir diferentes cadeias produtivas em diversos países.

“Vemos também duas culturas muito diferentes tentando se fundir, o que não é fácil de acontecer. A operação de commodities é mais nervosa, enquanto produtos processados ​​precisam de uma estrutura melhor e de um prazo mais longo para amadurecer. Pode parecer um detalhe pequeno, mas podemos esperar diferentes culturais de gestão, diferentes métricas de desempenho e, portanto, uma fusão que pode nunca ter fim”, dizem os Pérez e Alencar.

Por sua vez, Esteter acredita que a parte difícil seja a diferença de estrutura das empresas. O analista vê a Marfrig como uma companhia e um grande investidor. Enquanto isso, a BRF tem um capital pulverizado e passou por uma reestruturação grande ao longo dos últimos anos.

“Essa unificação dos negócios não é tão simples. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já está analisando a questão que foi anunciada na sexta-feira. Acho que até mesmo a possível fusão seria só uma etapa mais para frente”, diz Esteter.

O analista acredita que nos próximos dias será muito difícil para os investidores traçar uma expectativa de movimentos nos preços, justamente por terem menos informações do que os executivos da Marfrig. “Mas para o longo prazo o movimento nos agrada”, conclui Esteter.

Investigação da CVM

Na sexta-feira (21), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu o processo administrativo Nº 19957.004417/2021-11 para investigar a Marfrig por um suposto vazamento de informações antes da publicação do fato relevante. Nas informações do procedimento, na descrição do tipo de processo está descrito: “Supervisão: Notícias, fatos relevantes e comunicados”.

Procurada, a autarquia respondeu que, como de costume, não comenta processos que estão sendo investigados, mas está acompanhando e analisando o caso./ COM LUIZ FELIPE SIMÕES

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