A boa notícia para os investidores é que o momento desafiador não parece ser uma realidade para todos os fundos imobiliários listados no IFIX. Um levantamento da Economatica, a pedido do E-Investidor, mostra que, dos 115 FIIs que compõem a carteira teórica do índice, 50 operam no campo positivo no acumulado de 2024. Desse total, 15 distribuíram um dividendo mínimo mensal de R$ 1 por cota aos seus acionistas ao longo do ano.
Veja as maiores quedas mensais do IFIX desde 2020
| Mês |
Desempenho |
| Outubro de 2023 |
-1,97% |
| Junho de 2021 |
-2,19% |
| Setembro de 2024 |
-2,58% |
| Julho de 2020 |
-2,61% |
| Agosto de 2021 |
-2,63% |
| Novembro de 2021 |
-3,64% |
| Fevereiro de 2020 |
-3,69% |
| Janeiro de 2020 |
-3,76% |
| Novembro de 2022 |
-4,15% |
| Março de 2020 |
-15,85% |
| Fonte: Elos Ayta Consultoria |
O Hotel Maxinvest FII (HTMX11) foi o que mais se destacou entre os fundos imobiliários analisados tanto em rentabilidade das cotas quanto em distbruição de proventos. Segundo dados da Economatica, os investidores do HTMX11 receberam R$ 20,5 por cota em dividendos de janeiro até o dia 7 de outubro. Já os papéis do fundo entregam uma valorização de 11,86% no acumulado durante o mesmo período.
O alto rendimento do fundo, que investe em 21 hoteis distribuídos nas principais regiões de São Paulo, se deve ao ciclo de desinvestimento de parte do seu portfólio. Em setembro, o HTMX11 informou ao mercado a venda de quatro unidades hoteleiras por meio do seu relatório gerencial. Além disso, anunciou o pagamento de um dividendo mensal de R$ 2,13 por cota.
O Patria Prime Oficces (HGPO11) também se destacou na indústria de fundos imobiliários nos últimos meses. As cotas do fundo avançaram 11,84% em 2024, enquanto os investidores receberam R$ 16,05 em dividendos ao longo do ano. O último provento foi pago no mês passado quando os investidores receberam uma remuneração de R$ 1,70 por cota após o fundo apresentar um resultado de R$ 3,4 milhões.
Veja os FIIs com os maiores retornos e dividendos em 2024
| FII |
Retorno em 2024* |
Dividendo por cota* |
| HTMX11 |
11,86% |
R$ 20,5 |
| HGPO11 |
11,84% |
R$ 16,05 |
| CACR11 |
16,77% |
R$ 13,74 |
| MFII11 |
18,94% |
R$ 11,86 |
| KNHY11 |
12,97% |
R$ 11,05 |
| HGLG11 |
4,33% |
R$ 11 |
| KNUQ11 |
12,97% |
R$ 10,65 |
| HABT11 |
2,19% |
R$ 10,26 |
| TRXF11 |
2,55% |
R$ 10,04 |
| RZAT11 |
17,85% |
R$ 9,85 |
| KNCR11 |
10,91% |
R$ 9,83 |
| JSAF11 |
5,65% |
R$ 9,82 |
| TVRI11 |
8,61% |
R$ 9,67 |
| HGCR11 |
5,51% |
R$ 9,55 |
| VCJR11 |
3,81% |
R$ 9,4 |
| Fonte: Economatica/*Dados do acumulado de 2024 até o pregão do dia 7 de outubro |
Rentabilidade não é garantia de rentabilidade futura
A rentabilidade das cotas e o pagamento de proventos dos fundos imobiliários ao longo de 2024 chamam a atenção dos investidores que buscam bons rendimentos no mercado de renda variável em tempos de alta da Selic. Mas, antes de realizar qualquer modificação na carteira, é preciso avaliar a previsibilidade dos rendimentos dos fundos para os próximos meses com base no novo ciclo econômico.
André Oliveira, analista do BB Investimentos, explica que a dinâmica de uma política de aperto monetário costuma favorecer os fundos imobiliários voltados para o crédito privado. Ou seja, aqueles fundos que investem nos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Já os fundos de tijolo que investem em imóveis físicos para a geração de renda tendem a ter dificuldades para entregar bons resultados ou não conseguem um desempenho similar aos FIIs de CRIs.
Por essa razão, o investidor precisa ser cauteloso ao incluir novos fundos no portfólio. “Nossa preferência segue nos FIIs com diversificação de ativos (CRIs ou Imóveis) em regiões consolidadas, boas garantias, pouco alavancados e com contratos que protegem o cotista de um cenário inflacionário”, diz Oliveira em relatório. Veja os fundos imobiliários mais recomendados nesta reportagem.