Operação na América do Norte sustenta resultados e margens da Gerdau no 1T26 (Foto: Adobe Stock)
A Gerdau (GGBR4) entregou um primeiro trimestre de 2026 (1T26) acima das expectativas do mercado e reforçou o peso estratégico da operação na América do Norte para sustentar os resultados da companhia. O balanço, divulgado na segunda-feira (27), após o fechamento do mercado, foi bem-recebido por analistas, que destacaram a expansão de margens, o avanço no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e a resiliência operacional da siderúrgica.
O Safra classificou o resultado como positivo, destacando que o Ebitda ajustado de R$ 2,96 bilhões ficou 4% acima de suas estimativas e 5% acima do consenso de mercado. A principal surpresa veio das operações brasileiras, embora a América do Norte continue sendo o principal motor de rentabilidade da empresa.
Segundo o banco, “as margens na América do Norte partem de uma base sólida e devem melhorar ainda mais no segundo trimestre, apoiadas por spreads metálicos [diferença entre o preço de venda do aço e o custo das matérias-primas] mais amplos e demanda saudável”. O Safra também vê espaço para expansão de margens noBrasil, caso os reajustes de preços se sustentem nos próximos meses.
Apesar do desempenho operacional forte, o banco chamou atenção para uma geração de caixa mais fraca no período. O fluxo de caixa livre (FCF) somou apenas R$ 16 milhões, bem abaixo da projeção do banco, refletindo maior consumo de capital de giro e aumento dos investimentos (capex). Ainda assim, a alavancagem permaneceu sob controle, com dívida líquida/Ebitda em 0,74 vezes.
Apesar de tensão macro, Gerdau surpreende
Na avaliação de Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, o trimestre mostrou a capacidade da companhia de navegar em um cenário macroeconômico adverso.
“Os resultados da Gerdau no 1T26 foram sólidos e vieram melhores do que o mercado esperava”, afirmou. Segundo ele, o destaque ficou para a expansão da margem Ebitda, que atingiu 17,7%, “o melhor patamar em vários trimestres”.
Uarian ressalta que cerca de 75% do Ebitda consolidado veio dos norte-americanos, região onde a companhia conseguiu elevar preços, recuperar volumes e ampliar spreads de forma relevante. “Enquanto o Brasil sofre com demanda fraca e concorrência externa, a exposição aos Estados Unidos tem funcionado como uma proteção importante”, disse.
O Citi pondera que o ambiente doméstico segue pressionado pelo aumento das importações de aço e pela demanda enfraquecida. Mesmo assim, o banco espera melhora sequencial no segundo trimestre, sustentada por preços médios mais altos e sazonalidade mais favorável.
A XP Investimentos seguiu linha semelhante e afirmou que a Gerdau apresentou “melhoras generalizadas” no primeiro trimestre. Para a corretora, o desempenho reforça a tese de investimento baseada em geração resiliente de caixa e exposição relevante ao mercado norte-americano.
A corretora manteve visão construtiva para a ação e reiterou a Gerdau como sua principal escolha (“top pick“) no setor de mineração e siderurgia. O Itaú BBA também acredita que o balanço deve levar o mercado a revisar para cima as expectativas para 2026.
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Além dos números operacionais, a companhia anunciou dividendos de R$ 0,18 por ação, com pagamento previsto para 9 de junho. A empresa também seguiu executando seu programa de recompra e cancelamento de ações, movimento visto como positivo pelas instituições financeiras.
Recomendações
Entre as principais casas que repercutiram o balanço, o tom predominante segue construtivo para as ações da Gerdau.
O Safra mantém recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 25,50, o que implica potencial de valorização de cerca de 18%;
O Citi reiterou recomendação de compra para GGBR4, com preço-alvo de R$ 23,00;
A XP Investimentos manteve a ação como top pick do setor de siderurgia e mineração;
O Itaú BBA segue com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 24,00.
O trimestre mostrou que a diversificação geográfica segue sendo um diferencial importante para a Gerdau.