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O que muda para investidores de Casas Bahia (BHIA3) com grupamento de ações

Rede varejista tenta há meses reestruturar suas operações e o inplit faz parte desse esforço

O que muda para investidores de Casas Bahia (BHIA3) com grupamento de ações
Via (VIIA3) agora é Grupo Casas Bahia (BHIA3). (Foto: Márcio Fernandes/ Estadão)
  • Os acionistas da Casas Bahia (BHIA3) aprovaram em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) a proposta de grupamento da totalidade das ações ordinárias da companhia
  • O analista da Suno Research José Eduardo Daronco explica que a decisão pode ser explicada por uma regra da bolsa brasileira

Os acionistas da Casas Bahia (BHIA3) aprovaram em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) a proposta de grupamento da totalidade das ações ordinárias da companhia. O movimento, também chamado de “inplit” ou “reverse stock split,” é uma operação financeira realizada por uma empresa na qual o número de ações em circulação é reduzido, enquanto o valor nominal das ações é aumentado na proporção inversa.

No caso das Casas Bahia, o grupamento se deu na proporção de 25 para 1. As ações passarão a ser negociadas agrupadas a partir de 28 de dezembro. Os acionistas da varejista têm um prazo de 30 dias, até 27 de dezembro de 2023, para ajustar suas posições em lotes múltiplos de 25 ações na B3 (B3SA3) para permanecerem no quadro acionário.

A empresa informou que após essa data eventuais frações de ações resultantes do grupamento serão agrupadas em números inteiros e vendidas em leilões na B3, com os valores disponibilizados aos acionistas após a liquidação financeira da venda.

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O analista da Suno Research José Eduardo Daronco explica que a decisão pode ser explicada por uma regra da bolsa brasileira. Se uma ação ficar abaixo de R$ 1, por muitos pregões, ela é retirada do Ibovespa. Neste caso, não há só uma perda de prestígio, mas também de liquidez, dado que muitos fundos passivos investem no índice e, por consequência, nas ações do Grupo Casas Bahia.

Vale lembrar que na última semana a agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito nacional de Casas Bahia para “brBB-“, com perspectiva de crédito negativa. Na ocasião, justificou citando os resultados financeiros do terceiro trimestre de 2023, que indicaram que o grupo não atingirá as métricas de crédito estimadas na avaliação anterior. “A estrutura de capital é frágil e a retomada da rentabilidade é dependente de condições favoráveis de negócios, financeiras e econômicas”, destacou.

Por volta de 12h45 a ação BHIA3 subia 1,89%, cotada a R$ 0,54.

Quais os efeitos práticos?

O mestre em Finanças e sócio da Quantzed Leandro Petrokas destaca que o inplit não muda o valor de mercado da empresa. Ou seja, o acionista não sofrerá oscilação no valor investido na companhia, e os efeitos práticos tendem a ser o aumento de liquidez e redução de volatilidade das ações.

Para ele, o desafio das Casas Bahia é muito grande. “Não temos visão construtiva para o case. A marca perdeu muito espaço e, em alguma medida, ‘parou no tempo’ na questão de inovação e experiência ao cliente”.

O analista frisa que sempre haverá concorrência, mas outros players tendem a se destacar. “Ainda estamos em um processo de aceleração do e-commerce, o que merece atenção por parte dos investidores. A Amazon recém começou a operar no Brasil e já detém uma parcela significativa do market share” [participação de mercado], pontua.

3TRI23

No terceiro trimestre de 2023 o Grupo Casas Bahia reportou prejuízo de R$ 836 milhões, alta de 311% frente ao prejuízo do mesmo período de 2022. Foi o quinto trimestre consecutivo cujos resultados líquidos vieram negativos.

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O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo, em R$ 66 milhões, o que fez reverter o resultado positivo na comparação anual, e a receita líquida caiu 6,3% em relação ao terceiro trimestre de 2022, marcando R$ 6,5 bilhões.

O lucro bruto, por sua vez, alcançou R$ 1,5 bilhão, e a dívida líquida ajustada chegou a R$ 900 milhões.

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