O presidente do Banco Central defendeu, durante a sua fala, que a meta de inflação de 3% no Brasil está em linha com a dos pares. Ponderou, no entanto, que é necessário debater melhor a razão pela qual o País precisa de juros tão elevados para perseguir essa meta.
“O que eu acho que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta. Eu acho que esse é o tema”, disse.
Galípolo também afirmou que a palavra “serenidade” se aplica à função de reação da política monetária para o resto de 2026.
“Nós vamos consumir os dados e encarar os dados com serenidade. O que significa isso? Significa que o Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças. Ele se move de uma maneira mais comedida e segura”, disse.
O presidente da autarquia ponderou que adoraria poder dar mais informações sobre o que acontecerá ao longo do ano, mas ponderou que, infelizmente, cai no risco de “dar algum tipo de sinalização, dado o nível de incerteza, que pode ser frustrada”. Isso, afirmou, causaria mais dano do que ajudaria.
No momento atual, acrescentou, dada a incerteza no cenário, o Comitê de Política monetária (Copom) tem que ter serenidade para separar o que é ruído e sinal, sem mudar a função de reação.
Ao longo do dia, o BC também realizou operações no mercado de câmbio e de liquidez, enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de Preços ao Produtor (IPP), indicador que mede a variação de preços na porta da fábrica. De acordo com os dados apresentou, o IPP de 2025 teve queda de 4,53%, mas subiu 0,12% no último mês do ano.
A pesquisa Genial/Quaest sobre eleição presidencial de 2026, sem o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), influenciou o humor dos investidores (leia mais abaixo). Tarcísio, há poucas semanas, descartou a candidatura à Presidência e disse que vai concorrer à reeleição no Estado.
No exterior, as atenções se voltaram para os Estados Unidos, com a divulgação do relatório mensal de empregos, o payroll, principal termômetro do mercado de trabalho americano, que foi divulgado com atraso por causa da breve paralisação parcial recente do governo americano. O relatório é peça-chave para as decisões do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.
O dado inclui a criação de vagas, a taxa de desemprego e a evolução dos salários, componentes que ajudam a calibrar a trajetória da inflação. Para saber mais sobre, leia AQUI.
Depois do fechamento da Bolsa, o mercado doméstico ficará atento à divulgação do balanço do Banco do Brasil (BBSA3) do quatro trimestre de 2025.
Ibovespa hoje: os principais destaques do mercado de ações nesta quarta-feira (11)
Bolsas globais fecham em direções opostas
As bolsas de Nova York fecharam sem sinal único após payroll, um farol para as apostas sobre quando virá o próximo corte de juros pelo Fed. O Dow Jones cedeu 0,13%, o S&P 500 ficou estável e o Nasdaq teve queda de 0,16%.
O dólar terminou estável ante outras moedas de economias desenvolvidas. A moeda americana avançou a 152,55 ienes, enquanto o euro caiu a US$ 1,1877 e a libra teve baixa a US$ 1,3629. Já o índice DXY do dólar – que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes – encerrou em alta de 0,12%, a 96,911 pontos.
Na Europa, a maioria das bolsas recuou, enquanto investidores se debruçaram sobre balanços corporativos da região. As ações da holandesa Heineken subiram mais de 4% em Amsterdã após revelarem seus resultados.
Na China, a taxa anual de inflação ao consumidor (CPI) chinês desacelerou para 0,2% em janeiro, ante 0,8% de dezembro, e o Índice de Preços ao Produtor (PPI) mostrou deflação pelo 40º mês consecutivo, reavivando temores deflacionários.
Ainda assim, a maior parte das bolsas asiáticas estenderam os ganhos vistos nos últimos dias. O Xangai Composto registrou alta marginal de 0,09%, a 4.131,98 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,24%, a 2.695,16 pontos.
O índice Taiex subiu 1,61% em Taiwan, a 33.605,71 pontos. Em outras partes da região, o sul-coreano Kospi avançou 1% em Seul, a 5.354,49 pontos, e o Hang Seng teve ganho de 0,31% em Hong Kong, 27.266,38 pontos.
No Japão, não houve negócios hoje em função de um feriado nacional.
Petróleo avança com diálogo entre EUA e Irã
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, enquanto investidores monitoraram tratativas entre EUA e Irã e esforços para encerrar a guerra da Rússia na Ucrânia.
O barril do petróleo WTI para março subiu 1,05% na Nymex, a US$ 64,63, enquanto o do Brent para abril avançou 0,87% na ICE, a US$ 69,40.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 0,07%, cotado a 762,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 110,32. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, também terminou o pregão em leve alta de 0,07%, a 745 yuans, o equivalente a US$ 107,79 por tonelada.
45% dos brasileiros aprovam trabalho de Lula; 49% desaprovam presidente
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira aponta a continuidade de um cenário de divisão no País em relação à percepção do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados aprovam o trabalho do petista, enquanto 49% desaprovam sua atuação à frente do Palácio do Planalto.
Houve recuo de dois pontos percentuais dentro da margem de erro no índice de aprovação da gestão petista. 47% dos entrevistados tinham uma percepção positiva em janeiro. Em dezembro de 2025, eram 48%. O índice de desaprovação se manteve estável em 49%.
A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de fevereiro, com 2.004 entrevistas presenciais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00249/2026.
Em relação à uma possível disputa eleitoral, os dados revelam que o presidente Lula continua como favorito entre candidatos como Flávio Bolsonaro, Ratinho Jr., Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Eduardo Leite. Como esperado, Tarcísio de Freitas, que há poucas semanas declarou abrir mão da disputa eleitoral, não apareceu nas pesquisas.
O que mais esperar do Ibovespa hoje
Na segunda-feira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, falou que “calibragem” é a palavra-chave para este momento da política monetária. As apostas seguem majoritárias para um corte de 50 pontos-base da Selic em março, para 14,50%, mas alguns economistas enxergam apenas uma dose de 25 pontos-base.
Já nesta quarta-feira, durante sua participação no evento do BTG, Galípolo afirmou que suas falas recentes não têm como intenção corrigir a interpretação do mercado sobre a condução da política monetária.
“Eu acho que o mercado vem consolidando uma interpretação do que tem sido a comunicação oficial do Banco Central e não há qualquer intenção aqui na minha fala de fazer qualquer tipo de reparo sobre como a gente tem se comunicado e como tem sido interpretado”, disse. “Se alguém entender algo como uma correção na comunicação fui eu que me expressei mal ou alguém acabou entendendo mal o que eu quis dizer.”
O banqueiro central ressaltou que não há no momento nenhuma mudança de função de reação. “Em um ambiente de tanta incerteza, é importante, sim, a gente ter essa serenidade e até parcimônia para que possamos consumir os dados e ver como isso vai andar, mas sem que isso represente qualquer tipo de mudança ou tentativa de mudança.”
Esses e outros indicadores ficaram no radar do mercado e influenciaram o rumo do Ibovespa hoje.
*Com informações de Geovani Bucci, Gabriel Hirabahasi, Marianna Gualter, Cícero Cotrim, Luciana Xavier e Silvana Rocha, da Broadcast.