As perdas da principal referência da B3 foram contidas pela valorização de papéis de peso. Os ativos da Petrobras encerraram em alta de 0,63% (PETR3) e 0,19% (PETR4). Vale (VALE3), por sua vez, teve ganho de 0,77%. Entre as commodities, o petróleo Brent avançou 1,26% e o minério de ferro fechou em alta de 1,14% na Bolsa chinesa de Dalian.
O principal indicador da B3 veio de sucessivas máximas em novembro, tendo encerrado o mês com ganhos de 6,37% – o melhor desempenho mensal desde agosto de 2024. Isso abriu espaço para uma realização de lucros hoje.
Investidores esperam sinais sobre corte de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Hoje, as atenções ficaram no presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em palestra da XP Investimentos em São Paulo, Galípolo afirmou que o Comitê de Política Monetária (Copom) não tem, no momento, uma sinalização sobre qual será seu próximo passo, justamente porque ainda está na etapa de analisar dados.
“Não estamos deixando de comunicar porque a gente quer, estamos deixando de comunicar porque estamos realmente olhando a cada 45 dias como é que as coisas estão se comportando, dado todo o nível de incerteza que o ambiente já tem e dado fatos novos que podem acontecer”, afirmou.
Mais tarde, chega a vez de monitorar o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em evento do Hoover Institution às 22h (de Brasília).
Na agenda econômica doméstica, o boletim Focus trouxe um novo alívio na estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025, de 4,45% para 4,43%, abaixo do teto da meta de 4,5%, mas manutenção nos seguintes anos. Já a projeção para a inflação suavizada nos próximos 12 meses passou de 4,09% para 4,10% e a Selic esperada para 2028 caiu de 9,75% para 9,50%. Para os anos anteriores, as expectativas não foram alteradas.
A semana ainda tem divulgações importantes como o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e o índice de inflação americano PCE, além da pesquisa ADP de emprego nos EUA e PMIs mundiais, com alguns já sendo informados hoje.
No câmbio, o dólar hoje fechou em queda ante moedas fortes no exterior, mas avançou ante o real. No final do pregão, a divisa americana se valorizou 0,46% a R$ 5,3593.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (1º)
Bolsas de valores globais iniciam dezembro sob cautela
As Bolsas internacionais operaram no vermelho nesta segunda-feira. Em Nova York, Nasdaq recuou 0,38%, enquanto Dow Jones e S&P 500 sofreram perdas de 0,9% e 0,53%, respectivamente.
Na Europa, as Bolas fecharam majoritariamente em queda. Os índices índices de gerentes de compras (PMI) da indústria da zona do euro, Alemanha, China e Japão ficaram abaixo de 50 em novembro, apontando contração da atividade. O PMI industrial do Reino Unido, no entanto, subiu de 49,7 para 50,2, como previsto.
No câmbio, o dólar hoje caiu ante o iene após o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmar que o banco discutirá detalhadamente a possibilidade de um aumento da taxa de juros em sua próxima reunião.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ontem que escolheu quem será o próximo presidente do Federal Reserve e fará o anúncio em breve. Segundo probabilidades feitas pelo mercado de previsão Kalshi, Kevin Hassett, atual diretor do Conselho Nacional de Economia do governo americano, tem 72% de chance de ser nomeado. Hassett disse que aceitaria o convite e ficaria feliz em servir.
Boletim Focus corta previsão do IPCA para 2025
O Boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (1º), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 passou de 4,45% a 4,43%, novo patamar abaixo do teto da meta previsto para este ano.
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15% pela 23ª semana consecutiva, após o Copom ter mantido os juros neste nível na mais recente decisão, no dia 5 de novembro.
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O que mais repercutiu no Ibovespa hoje
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil deve injetar R$ 28 bilhões na economia, resultando em aumento do consumo.
No Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-PP), deve pedir a presidência do Banco do Brasil (BBAS3) em troca do favorecimento de Jorge Messias no Senado, onde será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no próximo dia 10 de dezembro. Messias foi indicado por Lula a uma cadeira no STF.
Com a piora da relação entre o governo e lideranças do Congresso, uma série de projetos com impacto fiscal pode ir à votação e agravar o desequilíbrio das contas públicas. Somente quatro medidas em tramitação na Câmara e no Senado, se aprovadas, poderiam gerar impacto aos cofres públicos acima de R$ 100 bilhões em 2026 e 2027.
Agenda econômica da semana
A primeira semana de dezembro traz, no Brasil, a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre e da produção industrial de outubro. No exterior, são esperados o Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos e a produção industrial do país.
Na agenda econômica hoje, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) encerrou novembro com alta de 0,28%, após avanço de 0,23% na terceira quadrissemana e crescimento de 0,14% em outubro, conforme informações divulgadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado de hoje, o IPC-S acumula alta de 4,03% nos últimos 12 meses até novembro. No ano, a valorização é de 3,71%.
Já o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial do Brasil subiu a 48,8 pontos em novembro, de 48,2 em outubro, segundo dados da S&P Global. Apesar da melhora marginal, é o sétimo mês consecutivo em que o indicador fica abaixo dos 50,0 pontos, o que indica deterioração da atividade.
Ao longo da semana, a terça (2) traz como destaque a produção industrial de outubro. Na quarta (3), serão divulgados o PMI de serviços e o PMI composto da S&P Global. Na quinta (4), saem o PIB do terceiro trimestre e a balança comercial de novembro. Na sexta-feira (5) tem o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de novembro.
No exterior, a agenda hoje trouxe, nos EUA, o índice de gerentes de compras (PMI) industrial, que caiu de 52,5 em outubro a 52,2 em novembro, segundo pesquisa final divulgada hoje pela S&P Global. O resultado definitivo de novembro veio acima da estimativa preliminar, de 51,9, e superou a projeção de analistas consultados pela FactSet, de 51. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell discursa em evento do Hoover Institution.
A terça conta ainda com dados de inflação da Zona do Euro, taxa de desemprego e indicadores industriais da Ásia e Oceania. A quarta-feira reúne PMIs de serviços e compostos da zona do euro, Alemanha e Reino Unido, relatório ADP de emprego e produção industrial dos EUA.
Na quinta, saem vendas no varejo da Zona do Euro, pedidos de auxílio-desemprego nos EUA e discursos de dirigentes do Banco Central Europeu e do Federal Reserve. A sexta-feira concentra o PIB da Zona do Euro, indicadores do Reino Unido, PCE dos EUA e índice de sentimento do consumidor pela Universidade de Michigan.
Esses e outros dados ficarão no radar de investidores e poderão impactar as negociações na Bolsa de Valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa.
*Com informações de Luciana Xavier e Maria Regina Silva, do Broadcast