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O dia começou com os ativos bem estressados após discurso do presidente Donald Trump ontem a noite surpreender o mercado. “Todos imaginavam que seria um pronunciamento calmo, mostrando que realmente estamos na reta final da guerra. Pelo contrário: o mandatário reforçou que vai atacar usinas e os campos energéticos iranianos nas próximas semanas com o objetivo de vencer a guerra e liberar o Estreito de Ormuz”, resume Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos. “Todo mundo que estava otimista buscou mudar suas posições”.
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Os contratos futuros do petróleo encerraram a sessão de hoje em forte alta após as perspectivas de novos ataques dos EUA vindas de Trump. A ameaça “injetou novas incertezas nos mercados de energia”, diz a equipe de estratégia de commodities do ING, em nota. Segundo a companhia, “mesmo que o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz seja retomado, um retorno às condições de mercado pré-guerra provavelmente será lento, já que a retomada da produção upstream, a normalização logística e a recomposição de estoques levarão tempo”.
A alta da commodity fez ações de petroleiras subirem na B3. A PRIO (PRIO3) subiu 5,68%, seguida por Brava Energia (BRAV3) (3,28%), enquanto a Petrobras (PETR3; PETR4) registraram alta de 2,25% (ordinárias) e 1,65% (preferenciais). Petroreconcavo (RECV3) subiu 0,74%.
Em Nova York, o Dow Jones recuou 0,13%, enquanto o S&P 500 avançou 0,11% e o benchmark das ações de tecnologia Nasdaq tinha alta de 0,18%. O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos teve queda de 9 mil na semana encerrada em 28 de março, a 202 mil. O resultado ficou abaixo da expectativa da FactSet, que previa 212 mil solicitações. O total de pedidos da semana anterior foi levemente revisado para cima, de 210 mil para 211 mil.
Após rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar encerrou a sessão desta quinta-feira, 2, cotado a R$ 5,16 (+0,06), bem longe da máxima (R$ 5,19) vista no início dos negócios. Operadores ressaltaram que o real resistiu bem ao aumento da aversão de risco no exterior, após discurso de ontem do presidente Donald Trump frustrar as expectativas em torno de um fim iminente do conflito no Oriente Médio
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram PRIO (PRIO3), Auren (AURE3) e Brava (BRAV3).
PRIO (PRIO3): 5,68%, R$ 67,8
As ações da PRIO (PRIO3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 5,68% a R$ 67,8. Além da nova escala do Brent, o papel se ampara também nos dados de produção de março, bem recebidos pelo mercado.
A PRIO3 está em alta de 18,31% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 62,28%.
Auren (AURE3): 4,49%, R$ 12,57
Outro destaque positivo foi a Auren (AURE3), com alta de 4,49% a R$ 12,57. A ação teve seu preço-alvo para o fim de 2026 elevado para R$ 13,47 pelo Santander, o que implica potencial valorização de 9,5%. O banco aponta que a empresa apresentou um “forte histórico operacional”, citando a integração bem-sucedida da AES Brasil, e que se beneficia do movimento de alta dos preços de energia.
A AURE3 está em alta de 7,90% no mês. No ano, acumula uma valorização de 8,08%.
Brava (BRAV3): 3,28%, R$ 20,47
Também auxiliada pelo preço do petróleo, a Brava (BRAV3) subiu 3,28% a R$ 20,47 no pregão.
A BRAV3 está em alta de 6,78% no mês. No ano, acumula uma valorização de 22,80%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram RD Saúde (RADL3), Cyrela (CYRE3) e Yduqs (YDUQ3).
RD Saúde (RADL3): -3,95%, R$ 21,86
Os papéis da RD Saúde (RADL3) sofreram a pior queda do Ibovespa hoje e derreteram 3,95% a R$ 21,86.
A RADL3 está em baixa de 10,70% no mês. No ano, acumula uma valorização de 7,72%.
Cyrela (CYRE3): -3,51%, R$ 27,52
As ações da Cyrela (CYRE3) cederam 3,,51% a R$ 27,52. O papel da construtora faz parte do grupo mais exposto à economia doméstica, as chamadas cíclicas. Essas empresas tiveram um desempenho ruim em pregão marcado pela alta dos juros domésticos, pelo sentimento de cautela nos mercados e maior aversão risco, diante da ausência de sinalizações sobre um cessar-fogo dos EUA com o Irã.
A CYRE3 está em baixa de 10,21% no mês. No ano, acumula uma valorização de 14,86%.
Yduqs (YDUQ3): -2,58%, R$ 11,72
Considerada também uma empresa cíclica, a Yduqs (YDUQ3) fechou em baixa de 2,58% a R$ 11,72 no Ibovespa hoje.
A YDUQ3 está em baixa de 11,72% no mês. No ano, acumula queda de 3,86%.
*Com Estadão Conteúdo