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Mercado

Ibovespa hoje sobe junto com ações de bancos após Trump retirar Moraes de sanção da Lei Magnitsky

A valorização do índice destoou do viés negativo de NY; o Ibovespa acumulou alta semanal de 2,16%

Por Igor Markevich, Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

12/12/2025 | 5:30 Atualização: 12/12/2025 | 19:59

Pregão desta sexta-feira (12) deve ser guiado pela divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços, agenda política em Brasília, discursos do Fed e indicadores internacionais. Veja o que pode influenciar o mercado. (Imagem: Adobe Stock)
Pregão desta sexta-feira (12) deve ser guiado pela divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços, agenda política em Brasília, discursos do Fed e indicadores internacionais. Veja o que pode influenciar o mercado. (Imagem: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje avançou 0,99%, aos 160.766,37 pontos, após atingir a máxima de 161.263,40 pontos. O mercado acompanhou nesta sexta-feira (12) o volume de serviços em outubro. No exterior, o foco recaiu sob declarações de três dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em busca de pistas sobre os passos da política monetária em 2026.

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As ações de grandes bancos ampliaram ganhos durante a tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirar o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Maginitsky. A decisão também incluiu a remoção da advogada Viviane Barci, esposa do magistrado, e do Instituo Lex, empresa mantida pelo casal.

O Bradesco (BBDC3) avançou 1,2%, enquanto o Itaú (ITUB4) subiu 0,89%. BTG Pactual (BPAC11) registrou ganhos de 0,93% e o Banco do Brasil (BBAS3) teve alta de 0,6%. A única exceção foi o Santander (SANB11), que cedeu 0,09%.

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A valorização do Ibovespa hoje destoou do viés negativo dos índices das Bolsas de Nova York e do recuo de 0,33% do minério de ferro na China. Além disso, na sessão, as ações da Vale (VALE3) negociaram “ex” dividendos (sem direito a proventos), o que trouxe volatilidade aos papéis, que se desvalorizaram 0,06% no pregão.

O petróleo Brent, por sua vez, teve queda de 0,26%. As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) ignoraram as perdas e subiram 1,22% nos papéis ordinários e 1,06% nos preferenciais.

Por aqui, alguns investidores já começam a se preparar para o final do ano e início de 2026, buscando fechar suas carteiras o quanto antes, explica Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.

Esse preparo ocorre ao mesmo tempo em que o diferencial de juros segue elevado por aqui, atraindo recursos. “Eu vinha falando que não teríamos corte da Selic em dezembro. A taxa não deve cair em janeiro, só em março, a depender do anúncio de medidas populistas pelo governo e de como estará o comportamento do emprego e da inflação”, diz Bandeira.

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Além disso, a força da atividade medida pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) ajudou a empurrar para cima alguns papéis mais sensíveis ao ciclo econômico e o próprio índice Ibovespa, que acumulou alta semanal de 2,16%.

O volume de serviços prestados subiu 0,3% em outubro em relação a setembro. O dado ficou igual à mediana das estimativas encontrada na pesquisa Projeções Broadcast.  “O setor de serviços segue aquecido, com desempenho positivo generalizado”, avalia a Terra Investimentos.

  • Leia mais: O que é a Selic? Entenda os impactos no consumo, nas empresas e nos investimentos

Após a divulgação do Copom, pesquisa feita pelo Projeções Broadcast mostra que 21 instituições, de um total de 34, esperam que os cortes da Selic comecem depois de janeiro: 17 acreditam que será em março enquanto outras quatro veem queda a partir de abril de 2026. Segundo o levantamento, 13 estimam recuo em janeiro.

No exterior, a agenda de indicadores foi vazia, ficando as atenções em discursos de dirigentes do Federal Reserve, poucos dias depois da decisão da autoridade monetária em cortar os juros pela terceira vez seguida e sugerir pausa da queda em janeiro. .

No câmbio, o dólar hoje fechou em leve alta ante pares principais no exterior. A moeda americana também teve alta de 0,12% no mercado local, a R$ 5,4108 na venda.

Ibovespa hoje: os principais destaques do mercado de ações nesta sexta (12)

Bolsas de NY caem com preocupações sobre IA

Os índices de Nova York fecharam em queda. O Nasdaq recuou diante da preocupação com o financiamento de projetos de Inteligência Artificial (IA) e da falta de novos catalisadores para a tecnologia.

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Na Europa, as Bolsas encerraram em queda, com exceção de Lisboa, seguindo o sentimento negativo visto em Wall Street. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,56%, a 9.649,03 pontos, com recuo de 0,19% na semana. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,34%, a 24.211,37 pontos, mas subiu 0,76% na semana. Em Paris, o CAC 40 cedeu 0,21%, a 8.068,62 pontos, acumulando queda semanal de 0,57%. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,43%, a 43.513,95 pontos – na semana, subiu 0,19%. Em Madri, o Ibex 35 fechou em queda de 0,13%, a 16.861,70 pontos, mas subiu cerca de 1% na semana. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,09%, a 8.001,36 pontos, mas teve forte recuo na semana, de 2,40%.

Volume de serviços em outubro vem em linha com estimativas

O volume de serviços prestados subiu 0,3% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal. O resultado veio igual à mediana dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, com intervalo entre uma queda de 0,1% a uma alta de 0,5%. Os dados oficiais constam na Pesquisa Mensal de Serviços divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com outubro de 2024, houve avanço de 2,2% em outubro, já descontado o efeito da inflação. Neste caso, o resultado veio abaixo da mediana das projeções, de alta de 2,8%, com piso de estabilidade e teto de alta de 3,3%.

Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, os dados de outubro mostram que o setor de serviços continua firme e tem mantido um bom ritmo de crescimento, contribuindo para sustentar parte da expansão da economia em 2025.

Quanto aos juros, “os dados mais recentes de atividade e inflação, combinados às sinalizações feitas pelo Copom no comunicado da reunião desta semana, reforçam nossa expectativa de que a taxa Selic seja mantida em 15% no próximo encontro, em janeiro”, afirma. A C6 espera que o ciclo de cortes de juros comece em março, com a Selic chegando a 13% no fim de 2026.

Agenda econômica do dia

Investidores também monitoraram discursos de dirigentes do banco central americano. A presidente do Fed da Filadélfia, Anna Paulson, demonstrou maior preocupação com a fragilidade do mercado de trabalho do que com os riscos de alta da inflação, em discurso na Câmara do Comércio de Delaware nesta sexta-feira. Segundo ela, a oferta de mão de obra tem diminuído ao mesmo tempo que a demanda tem arrefecido.

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Já Austan D. Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, disse que discordou do corte de juros de 25 pontos-base por considerar “mais prudente esperar por mais informações” antes de reduzir a taxa novamente. Ele lembrou que votou por cortes em setembro e outubro, mas afirmou que a falta de dados recentes, sobretudo de inflação, tornou precipitada a nova decisão.

Por sua vez, Jeffrey R. Schmid, presidente do Fed de Kansas, afirmou que a inflação americana permanece muito alta, a economia mostra um impulso contínuo e o mercado de trabalho – embora esteja esfriando – segue em grande parte equilibrado, o que justifica seu voto por uma manutenção dos juros na reunião de dezembro.

“Considero a postura atual da política monetária apenas moderadamente restritiva, se é que é restritiva. Com essa avaliação, minha preferência foi manter a meta para a taxa básica de juros inalterada na reunião desta semana”, disse, ao acrescentar que, para ele, pouco mudou desde a decisão de outubro. “Não alterei fundamentalmente minha visão sobre a economia em relação a outubro”, mencionou.

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na Bolsa de Valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

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*Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast

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