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Mercado

Como a gasolina a R$ 7 pode afetar os seus investimentos

Enquanto setor de transportes é prejudicado, empresas ligadas ao petróleo crescem

Foto: Werther Santana/Estadão
  • Além de afetar o dia a dia, o aumento também impacta a situação de empresas e setores da Bolsa
  • Para analistas ouvidos pelo E-Investidor, o movimento deve ser de curto prazo. Apesar do impacto, a situação política e econômica do País e a continuidade da pandemia acrescida das variantes do coronavírus também afetam as análises
  • “É mais um efeito marginal do que uma oportunidade”, define estrategista-chefe da Guide Investimentos

O preço do litro da gasolina chegou a ultrapassar R$ 7 em algumas cidades do País nos últimos dias. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o crescimento no mês já é calculado em 0,60%. Além de afetar o dia a dia, o aumento também impacta a situação de empresas e setores com papéis listados na Bolsa de Valores, seja para o lado positivo ou negativo.

Na terça-feira (24), a PetroRio (PRIO3) fechou a R$ 19,08, com alta de 2,14%. A valorização também foi sentida pelas ações da Petrobras, a PETR3 fechou com alta de 1,14% a R$ 28,38 e a PETR4 cresceu 2,07%, cotada a R$ 27,58. Enquanto empresas do setor petroleiro registram altas, o setor de logística é prejudicado.

Para analistas ouvidos pelo E-Investidor, o movimento deve ser de curto prazo. Apesar do impacto, a situação política e econômica do País e a continuidade da pandemia, reforçada pelas variantes do coronavírus, também afetam as análises.

Locadoras de veículos, fabricantes de automóveis e setor de logística são os principais prejudicados com o aumento do custo do combustível.

Por outro lado, o preço do petróleo teve pico em julho, quando chegou a custar cerca de R$ 77. Em agosto, o Petróleo Brent futuro acumula queda de 7,70%, mas os combustíveis no Brasil sentem a máxima do mês anterior nas bombas dos postos de gasolina. Outras commodities marcaram fortes baixas comparadas ao ápice que tiveram no começo do ano.

Vale ressaltar que das treze empresas do setor de transporte da B3, apenas uma tem acumulado positivo no mês, a Trevisa (LUXM4), voltada ao transporte aquático. Tegma (TGMA3) e Hidrovias (HBSA3) registraram os maiores tombos: 21,47% e 18,08%, respectivamente.

Quem deve subir ou descer?

De acordo com Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos, a influência pode ser observada tanto no lado positivo quanto negativo. Petrobras (PETR3 e PETR4), PetroRio (PRIO3), além das distribuidoras BR (BRDT3) e Ultrapar (UGPA3), que podem ser beneficiadas com a capitalização, são companhias que tendem a ganhar com o aumento dos preços.

Guilherme Tiglia, sócio da Nord Research, aponta que o impacto para as distribuidoras acontece de forma indireta. “As empresas de distribuição de combustíveis, como é o caso da BRDT, são favorecidas no curto prazo, uma vez que o estoque havia sido comprado por um preço inferior se valorizou, explica Tiglia.

Com o aumento do petróleo, outras fontes de energia podem ser beneficiadas por conta da procura de alternativas mais baratas. “Também no lado positivo vemos empresas de açúcar e etanol como São Martinho (SMTO3), BrasilAgro (AGRO3) e Cosan (CSAN3). Quando a gasolina está cara, o etanol fica mais barato, então as empresas podem ter receitas maiores”, explica Zogbi.

Por outro lado, as empresas mais prejudicadas, segundo Zogbi, são aquelas que gastam com transporte, ou seja, desde as produtoras de bens de consumo, varejistas e do setor de logística. “Mesmo que possa ser um custo repassado ao consumidor, lojas do e-commerce tendem a absorver os custos para ganhar mercado”, complementa.

A analista da Rico complementa que empresas de aviação também podem ser afetadas, mas as brasileiras do segmento possuem boa posição de hedge. “É claro que existem outros impactos, estamos vivendo uma situação atípica, com a pandemia e as questões político-econômicas o cenário fica bastante nebuloso”, explica.

“É mais um efeito marginal do que uma oportunidade”, define Luis Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos. Para Sales, as aéreas estão entre as mais prejudicadas, junto de empresas do setor de logística como JSL (JSLG3) e Tegma (TEGMA3).

Segundo a Ágora Investimentos, a informação é negativa para o setor de aluguel de carros, especialmente se considerar o maior custo por afetar o número de motoristas de aplicativo.

Além do preço do combustível, as locadoras ainda enfrentam dificuldades na compra de carros por conta do fechamento de fábricas e montadoras durante a pandemia. Situação que amplia o impacto para as locadoras.

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