Em janeiro, o PicPay (PICS) deu início às negociações na Nasdaq, em Nova York, com uma precificação acima do topo da faixa. Desde 2021, companhias brasileiras não se listavam nos Estados Unidos. O Agibank também anunciou na última semana o seu IPO, que pode levantar perto de US$ 830 milhões. A estreia da empresa na Bolsa de Valores de Nova York deve ocorrer no dia 11 de fevereiro.
Finkelsztain avalia que esse movimento pode ser um “prenúncio” de possíveis aberturas de capital no Brasil. Ele acredita que as companhias listadas nos Estados Unidos também podem disponibilizar Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na B3. Entre abrir capital no Brasil ou nos EUA, o executivo acredita que a minoria das empresas deve optar por se listar lá fora.
Em seu último Investor Day, realizado em dezembro, a Bolsa contabilizou que há 54 companhias com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e que ainda não fizeram um IPO, pois estão aguardando uma janela favorável. São empresas mais preparadas sob a ótica de governança.
“Acredito que esse movimento vai começar com empresas mais maduras, com perspectiva de crescimento mais claro”, destaca Finkelsztain, acrescentando que o setor de infraestrutura deve inaugurar a retomada de IPOs.
Segundo ele, entre executivos de bancos de investimento, existe a estimativa de que aconteçam de 10 a 15 ofertas de ações neste ano, envolvendo IPOs e ofertas subsequentes (follow on).
Uma peça-chave para a retomada de aberturas de capital no Brasil é o movimento de diversificação global, com investidores migrando dos Estados Unidos para mercados emergentes, tendência que impulsionou o Ibovespa a novos recordes.
Somente em janeiro, investidores estrangeiros ingressaram com R$ 26,314 bilhões na Bolsa brasileira, mais do que o total observado em 2025, que foi de R$ 25,473 bilhões. “Veio pouco dinheiro perto do que pode vir”, avalia Finkelsztain.