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Mercado

Qual é o segredo do resultado recorde do Itaú (ITUB4)?

Banco reportou o segundo maior lucro líquido da história entre os listados na Bolsa

Por Jenne Andrade

10/05/2023 | 10:37 Atualização: 10/05/2023 | 11:18

Itaú Unibanco paga proventos a acionistas (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)
Itaú Unibanco paga proventos a acionistas (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

O Itaú (ITUB4) reportou um lucro líquido de R$ 8,2 bilhões no primeiro trimestre de 2023 – o segundo maior da história entre os bancos listados na Bolsa de Valores brasileira, segundo dados levantados por Einar Rivero, head comercial do TradeMap.

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O resultado da instituição financeira só fica atrás do lucro apresentado pelo estatal Banco do Brasil (BBAS3) no quarto trimestre do ano passado, de R$ 8,6 bilhões. Aliás, dos dez maiores lucros já alcançados por bancos de capital aberto, seis pertencem ao Itaú e quatro ao Banco do Brasil.

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Para efeito de comparação, o Santander (SANB11) reportou o pior resultado entre os bancos privados com lucro líquido de R$ 2 bilhões, o que significa queda de 47,7% em 12 meses.

Já a cifra atingida pelo Itaú no início deste ano, além de recorde, representa uma alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2022.

O resultado vem dentro de um contexto complexo para o setor financeiro.

Os juros altos, de 13,75% ao ano, encarecem o custo das linhas de crédito. Como consequência, há o aumento do número de brasileiros endividados e da inadimplência, ou seja, de pessoas que não conseguem arcar com os empréstimos tomados. Esse cenário é prejudicial para os bancos, que precisam provisionar as possíveis perdas.

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Paralelamente, o colapso da Americanas (AMER3) também respingou nas instituições financeiras. A varejista entrou em recuperação judicial após reportar uma dívida bilionária em janeiro. A quebra de covenants (cláusulas) fez o restante da dívida ser antecipada, totalizando mais de R$ 40 bilhões em débitos – R$ 15,2 bilhões com bancos, que começaram a fazer provisões ainda no quarto trimestre do ano passado.

Tal situação torna o lucro trimestral bilionário do Itaú ainda mais impressionante e fez os papéis se tornarem a principal recomendação de compra entre os pares privados. “É um player de qualidade, com bom gerenciamento de risco, com iniciativas de eficiência e que vem apresentando boa navegação em meio ao cenário macroeconômico mais incerto no nosso País”, afirma Guilherme Tiglia, sócio e analista de ações da Nord Research, que tem recomendação de compra para as ações.

O segredo do Itaú

No balanço do primeiro trimestre de 2023, o primeiro fator que chamou a atenção foi a “margem com mercado”, isto é, quanto os bancos ganharam ou perderam com operações feitas na Tesouraria.

No primeiro trimestre de 2023, o Itaú foi o único entre os pares privados que conseguiu manter essa margem positiva, em R$ 645 milhões, apesar da retração de 36% em 12 meses. A manutenção desse número foi feita por meio de um hedge (estratégia de proteção) feito em taxa de juros, ou seja, o banco fez uma proteção contra a alta da Selic.

Santander e Bradesco apresentaram esse indicador negativo, em R$ 1,17 bilhão e R$ 312 milhões, respectivamente. “O resultado positivo da tesouraria agregou na geração de receita do Itaú”, afirma Wagner Biondo, analista do setor financeiro da Genial Investimentos.

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Outro fator que fez Itaú se destacar no trimestre foi a qualidade da carteira de crédito. Rodrigo Azevedo, planejador financeiro CFP®️, economista e sócio-fundador da GT Capital, ressalta que historicamente o banco é mais criterioso na concessão de crédito, o que acaba refletindo em uma menor inadimplência.

“Essa qualidade é medida analisando a evolução da taxa de inadimplência de 90 dias, onde o Itaú performa melhor que os pares”, afirma Azevedo. No total, o Itaú apresentou uma inadimplência de 90 dias de 2,9%, com crescimento de 0,3 ponto percentual em 12 meses. No Bradesco e no Santander a taxa ficou em 5,1% e 3,2%, respectivamente.

O próprio perfil da carteira de crédito do Itaú, menos concentrada em pessoas físicas que os demais e com mais clientes de alta renda, tornaria a instituição mais resiliente em cenários macroeconômicos desfavoráveis.

Além disso, a carteira de crédito do Itaú seria mais diversificada. Os 100 maiores devedores do banco representam 11,7% do crédito total. No Bradesco e Santander, os maiores devedores correspondem a uma fatia mais relevante do portfólio, de 15,3% e 21,7%, respectivamente. “Isso significa que quando o Itaú tem um problema com um devedor, o impacto acaba sendo menor que nos outros bancos, por estar mais diversificado”, diz Biondo, da Genial.

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O Santander informou, durante a divulgação de seus resultados trimestrais, que tem sido mais seletivo na concessão desde o fim  de 2021 e que passou a focar em produtos com garantias e clientes com melhor perfil de rating (classificação que indica risco de calote), "o que tem refletido em uma melhor qualidade de balanço".

De acordo com nota da assessoria de imprensa do banco, o porcentual de clientes vinculados Select, de alta renda, avançou 21% em 12 meses, para 834 mil, e o segmento respondeu por 24% da carteira de crédito de pessoas físicas total. "Mesmo com esta seletividade, o banco registrou avanço da carteira em negócios estratégicos, com destaque para veículos, consignado e imobiliário – hoje, 65% da carteira de crédito de pessoa física é colateralizada (tipo de operação em que um bem é oferecido como garantia de que a dívida será quitada).

Em relação aos maiores devedores, o Santander informou que a concentração da carteira de crédito caiu de 22,1% ao fim de 2022, para 21,7% em março deste ano.

Por último, para justificar a preferência de analistas pelo Itaú, está a estrutura de negócios da instituição, também considerada pouco mais robusta. O lançamento de vertentes como a Íon, plataforma de investimentos financeiros, fez com que a marca comece a se posicionar em segmentos dominados por concorrentes jovens, como a XP e Nubank.

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“Tanto nos serviços bancários, quanto nos investimentos, vemos uma estrutura sustentável e perene”, afirma Ronaldo Cerqueira, sócio e diretor da Eu Me Banco. “Esses movimentos foram feitos antes da pandemia e agora o Itaú está colhendo os frutos.”

O que esperar das ações?

Na terça-feira (9), os papéis ITUB4 fecharam em alta de 0,99%, aos R$ 26,61. No ano, a ação acumula uma valorização de 7,78%.

Biondo, da Genial, possui recomendação de compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 33,60. A projeção representa um potencial de alta de 26,7% em relação à cotação atual. "Acreditamos que o Itaú vai continuar entregando bons resultados nos próximos trimestres e avaliamos que o lucro anual será de R$ 35 bilhões, uma perspectiva positiva", afirma. Além de Itaú, os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) também estão entre as indicações do analista para a compra no setor financeiro. "Em relação a Santander e Bradesco, estamos mais cautelosos."

Tiglia, da Nord Research, também possui recomendação de compra para os ativos do Itaú. "O Itaú vem entregando resultados bons, sólidos nos últimos trimestres e continua sendo um player de destaque no setor justamente por não ter uma inadimplência fora de controle. No último resultado, o indicador de inadimplência ficou praticamente estável", diz. "Temos observado um nível de rentabilidade diferente de outros."

A preferência pelas ações do Itaú entre os bancos privados listados em Bolsa foi ressaltada pelos analistas Eduardo Rosman, Thiago Paura, Ricardo Buchpiguel e Vitor Melo, do BTG. "O principal ponto positivo em relação aos pares foi a qualidade dos ativos. Apesar da sazonalidade negativa no início do ano, a inadimplência manteve-se estável no trimestre, superando as expectativa", afirma.

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Os ativos do Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4), por sua vez, estão em alta de 5,50% e 4,19% no acumulado de 2023, aos R$ 28,97 e R$ 15,17, respectivamente. Para SANB11, o BTG possui recomendação de venda em função de margens financeiras mais fracas e baixo crescimento de receitas, enquanto em relação a BBDC4 a indicação é neutra.

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