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Mercado

As lições de empresas que abriram capital na B3 em 2020

A capitalização rápida e de qualidade são alguns pontos destacados por executivos da B3, Petz e Rede D’or

Por Isaac de Oliveira

23/04/2021 | 12:59 Atualização: 23/04/2021 | 12:59

(Foto: Felipe Rau/Estadão)
(Foto: Felipe Rau/Estadão)

2020 foi um ano de altos e baixos para os IPOs (oferta inicial de ações) na B3. No início do ano passado, havia muito otimismo gerado pela fila de empresas sob análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A pandemia, contudo, jogou um balde de água fria e diversos processos foram interrompidos ou abandonados pelo caminho.

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No segundo semestre, parte das incertezas do mercado se dissiparam, o que deu um novo gás para as companhias retomarem o ritmo de abertura de capital. O ano encerrou com 28 IPOs, que movimentaram cerca de R$ 117 bilhões.

O volume de 2020 foi quase seis vezes maior que as cinco ofertas registradas em 2019, e só perde para o ano de 2007. Naquele, mais de 60 empresas foram listadas na B3.

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Em 2021, o número de ofertas já chegou a 16, com movimentação de R$ 24,60 bilhões. Na avaliação de Gilson Finkelsztain, CEO da B3, apesar da piora recente no quadro da pandemia no País, ainda há otimismo para a chegada de mais estreantes na bolsa brasileira.

“Apesar dessa neblina nesses últimos 30 a 45 dias, parece que o tempo vai melhorar. Investidores internacionais não desistiram do País. Eles estão atrás de bons casos. Como são de longo prazo, estão esperando a poeira baixar e querem uma perspectiva de que o Brasil tem o compromisso com agenda positiva fiscal”, afirmou Finkelsztain, durante o evento Novatas na Bolsa, realizado pela Genial Investimentos na quinta-feira (22).

As vantagens de abrir capital

Alguns meses após as estreias na Bolsa em 2020, algumas empresas já conseguem dimensionar os frutos e as vantagens de terem se tornado companhias de capital aberto. É o caso da Petz (PETZ3), que teve uma forte demanda de investidores no IPO que movimentou mais de R$ 3 bilhões em setembro do ano passado.

“Uma coisa super bacana de ser listada é poder transformar o seu cliente em seu sócio.Você qualifica muito esse consumidor porque, na hora em que ele compra ação, ele sente que está traindo o próprio investimento se comprar no concorrente depois. Ou seja, ele acaba fidelizando a sua marca”, afirma Sergio Zimerman, CEO da varejista de produtos para animais de estimação.

O executivo descreve estar em “lua de mel” desde a abertura, devido à boa relação com investidores. “As nossas decisões são de longo prazo e não de curto. Se você for um investidor que pensa em um retorno rápido, não sei se a Petz é a melhor empresa para investir”, frisa Zimerman.

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Sobre a alta demanda de pessoas físicas no mercado de capitais, o executivo entende que empresas de varejo têm uma grande vantagem no IPO: o fato de serem marcas presentes no dia a dia do consumidor. “Temos uma facilidade maior de captar o interesse da pessoa física porque somos empresas que o consumidor frequenta e tem experiência de compra”, diz Zimerman.

No caso da Rede D’or (RDOR3), que cravou o terceiro maior IPO da história do País com capitalização de R$ 11,39 bilhões em dezembro, a visão é a de que a listagem em bolsa permite a oportunidade de levantar grandes somas de capital de qualidade de longo prazo de muito rapidamente. “Além disso, traz uma oportunidade enorme de elevar ainda mais os padrões de governança e controles internos dentro da companhia. Como se torna obrigatório observar os aspectos do marco regulatório que se coloca para todas as empresas listadas em bolsa”, diz Otávio Lazcano, CFO da gigante de saúde.

A Rede D’or também teve registrou forte demanda pelos papéis na estreia. Para Lazcano, esse é um resultado que decorre de comunicação bem feita, consistência na execução do plano de investimentos de médio e longo prazos e franqueza com investidores. “As empresas precisam apresentar um plano de crescimento robusto, tentar identificar o momento adequado de levar a empresa para mercado dentro de uma tese de investimento muito favorável, além de manter valores individuais e corporativos elevados”, diz.

Outra empresa presente no evento foi a Track & Field. Fred Wagner, fundador e membro do conselho, lembra que a pandemia atrapalhou os planos de abertura de capital no primeiro trimestre de 2020. A oferta só aconteceu em outubro, com movimentação de mais de meio bilhão de reais.

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“Somos uma empresa com fluxo de caixa positivo e menos necessidade de capital, que foi a mercado exatamente em busca de governança. Uma empresa de capital aberto tem bons instrumentos para ter um grupo de pessoas dentro da companhia contribuindo muito para o seu desenvolvimento, avalia Wagner.

Conforme o executivo, a empresa já havia estabelecido uma nova estrutura de governança, testada e aprovada após um IPO em tempos difíceis. “Temos um período de maturação [no País] como em todo mercado. As ações podem ter maior ou menor risco e cabe ao investidor fazer essa lição de casa. Quanto mais esse processo se tornar democrático, mais o mercado vai ganhar e o investidor vai entender para colher bons lucros”, diz Wagner.

No caso da B3, a estratégia no momento é priorizar o negócio principal, mas Finkelsztain explica que vê alguns terrenos a serem explorados no futuro. “Temos investido como empresa para fomentar crédito imobiliário no Brasil, a indústria de seguros, de dados e energia. Esta última está crescendo muito e ainda não temos, infelizmente, liquidez suficiente no mercado. Mas é um caminho certamente sem volta de que esse vai ser um mercado organizado no futuro. A B3 quer ter uma participação relevante neste e em outros mercados”, afirma o CEO da bolsa brasileira.

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