A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25), mostrou um recuo nas intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o senador e filho mais velho do ex-presidente Bolsonaro ganha terreno entre os eleitores. Em cenário de primeiro turno das eleições presidenciais, Lula aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 37,9%. Ante a rodada anterior, de janeiro, Lula caiu 3,8 pontos porcentuais a mais, enquanto o senador cresceu 2,9 pontos.
Já em um eventual cenário de segundo turno entre os dois candidatos, o clima demonstra ser de forte polarização nas simulações, com empate técnico entre o presidente Lulae o senador Flávio Bolsonaro. Ambos aparecem empatados pela primeira vez nas simulações do instituto. “Mostra a possibilidade de uma troca de governo e traz uma esperança para o mercado de que o próximo governo adote uma agenda de maior responsabilidade fiscal”, diz Vitor Miziara, sócio da Performa Ideias e colunista do E-Investidor.
A mudança de percepção se refletiu nos ativos financeiros. Na manhã desta quarta-feira (25), o Ibovespa avançou 0,54% e renovou máxima histórica ao tocar pela primeira vez o patamar dos 192 mil pontos. Antes da abertura do pregão, o futuro do índice registrou ganhos de 1,16%.
No mercado de juros, a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 13,220%, contra a taxa de 13,221% na sessão anterior. Já o vencimento para janeiro de 2031 recuava para 12,950%. O dólar também seguiu em queda em comparação ao real. Por volta das 14h19 (de Brasília), a divisa americana recuava 0,31%, a R$ 5,139. A Bolsa acabou recuando, vindo de um pregão de recordes, em um dia de correção dos ativos.
“Daqui para frente, toda leitura positiva para a direita dentro do cenário eleitoral deve dar, ainda mais fôlego para o mercado brasileiro”, diz Felipe Sant’Anna especialista em investimentos do grupo Axia Investing.
O que mercado ainda quer ver
Além do avanço do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, o mercado deve monitorar outros elementos dessa pré-candidatura que serão decisivos para consolidar o otimismo do mercado, especialmente a escolha do vice-presidente e do ministro da Fazenda. Para Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, o crescimento do senador nas intenções de votos aumenta as chances dos partidos de centro e da direita indicarem um nome forte para compor a chapa.
“Se trouxer um vice forte, a candidatura de Flávio ganha força e, consequentemente, as chances dele aumentam. O mercado também deve olhar para quem será o ministro da Fazenda em um eventual governo da Família Bolsonaro. Esse nome vai sinalizar se a política econômica será mais responsável do ponto de vista fiscal”, diz Conde.
O analista pondera, no entanto, que, mesmo com possíveis indicações alinhadas ao mercado, o impacto desse movimento tende a ser limitado no curto prazo, dado o fôlego recente da bolsa de valores em função do fluxo de capital estrangeiro em direção ao Brasil. “O resultado das pesquisas tem impacto pontual porque o cenário pode mudar da noite para o dia. O peso das eleições deve ser mais sentido no segundo semestre, especialmente em setembro”, acrescenta.