Os mercados operam em direções opostas, mas de forma moderada. Enquanto a maioria dos índices futuros de ações de Nova York sobe, sugerindo que Wall Street dará sequência ao rali do final do ano, as europeias caem.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta considerável. Já os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) avançam, enquanto o dólar cai em relação a moedas fortes.
O volume de negócios na reta final de 2023 tende a continuar fraco e a agenda tem poucas divulgações, com destaque aos pedidos semanais de desemprego nos EUA. Os investidores seguem na expectativa de que grandes bancos centrais comecem a reduzir juros já no primeiro semestre de 2024, principalmente o Federal Reserve (Fed, banco central estadunidense).
No Brasil
O tom positivo visto no pré-mercado de ações de Nova York pode estimular novos ganhos e pontuações inéditas ao Ibovespa, que na quarta-feira atingiu o quarto recorde nominal seguido. Porém, a queda do petróleo no exterior e de 1,33% do minério de ferro em Dalian, na China, são riscos.
Ainda assim, o Ibovespa acumula alta de mais de 20%, a maior em três anos. Já o dólar caminha para encerrar o ano com queda superior a 8,00%, em dia de vencimento de ptax (taxa de câmbio de referência calculada pelo Banco Central do Brasil). Ao mesmo tempo, fica no radar a entrevista que o ministro Fernando Haddad concederá, na qual deverá anunciar medidas de compensação à desoneração da folha de pagamentos.
Além disso, a confirmação da desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) a 0,25% em dezembro, conforme indica a mediana na pesquisa Projeções Broadcast, e com taxa inferior ao teto da meta em 2023, além de um Índice Geral de Preços (IGP-M) com deflação no ano, bem como um Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mais fraco tendem a agradar, principalmente o mercado de juros.
Isso porque reforçariam a tendência de inflação sob controle, o que corroboraria a ideia de mais cortes da taxa básica de juros, a Selic. Como enfatizou o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, à GloboNews, os juros futuros já estão antecipando quedas à frente e que as taxas cobradas para empréstimos de longo prazo já estão menores hoje do que estavam tempos atrás.
Mesmo assim, Campos Neto evitou mudar a comunicação feita oficialmente pelo BC nos últimos tempos e reforçou que o ritmo de quedas de 0,50 ponto porcentual da Selic segue como o mais apropriado no momento.
Agenda
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o Índice Nacional de Preços ao IPCA-15. Antes, veio o IGP-M. Todos relativos a dezembro e a 2023. O Ministério do Trabalho divulga o saldo do Caged de novembro, às 14 horas. Tem ainda para esta quinta-feira o vencimento de ptax.
E o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concede coletiva, às 10h. A expectativa é que Haddad anuncie as medidas de compensação da desoneração da folha de pagamentos que o Congresso estendeu até 2027.
No exterior, saem os pedidos semanais de desemprego americano às 10h30.