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Mercado

‘O momento nos encoraja a entrar em ações’, diz head do BTG Pactual

Head do BTG diz que a Bolsa brasileira está extremamente descontada e o cenário é atrativo

Por Daniel Rocha

30/10/2023 | 3:00 Atualização: 27/10/2023 | 17:08

(Foto: BTG Pactual)
(Foto: BTG Pactual)

O mercado continua atento aos desdobramentos da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas. O receio dos investidores é que o conflito ganhe proporções ainda maiores ao ponto de elevar o preço do petróleo no mercado internacional. Se isso acontecer, deve mudar as projeções de recuperação econômica no mundo.

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Na avaliação de Jerson Zanlorenzi, head da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual, o cenário considerado de risco seria uma alta do petróleo acima dos US$ 100, como ocorreu no início do conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022.

Segundo o especialista, o petróleo nesta cotação poderá interferir na condução da política monetária dos Estados Unidos e também no Brasil.

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“Se o petróleo chegar a US$ 120, provavelmente não teremos cortes na taxa de juros nos Estados Unidos no próximo ano e a Selic poderá não chegar ao patamar de 9% (como prevê o boletim Focus)”, afirma Zanlorenzi.

Até o momento, o preço do petróleo não ultrapassou o patamar de US$ 100. A maior cotação que a commodity alcançou foi de US$ 89,37 no dia 19 de outubro, segundo dados da Economatica.

Segundo Zanlorenzi, essas recentes variações de preço da commodity não geram tanta preocupação entre os investidores porque a volatilidade já está precificada pelo mercado. “Na nossa visão, mesmo com uma alta volatilidade, se ficar nessa zona de US$ 80 a US$ 100, estaremos com a cotação dentro das projeções”, diz o especialista.

O problema é que o atual cenário adiciona mais aversão ao risco entre os investidores estrangeiros, que já estavam cautelosos e preferindo os títulos da renda fixa dos EUA, já que o juro por lá está alto. “O Ibovespa vai continuar nesse patamar mais lateralizado até o fim de 2023”, avalia.

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Porém, o head do BTG diz que a Bolsa brasileira está extremamente descontada e o cenário é atrativo. “Trata-se de um momento que nos encoraja a entrar em ações”, ressalta.

Ao E-investidor, o head da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual fala sobre os fatores determinantes para a recuperação da Bolsa e quais ações o investidor deve priorizar no atual cenário de baixa liquidez do mercado brasileiro.

E-Investidor  – O Ibovespa não tem tido um desempenho tão atrativo, como se imaginava que poderia ocorrer após o início do ciclo do corte da Selic. O que esperar do índice até dezembro? 

Jerson Zanlorenzi  – Desde o começo do ano, estamos em um cenário de Bolsa bem atrativo em termos de fundamentos porque ela está extremamente descontada. O valuation do Ibovespa está próximo de 9x lucro, enquanto a média fica em torno de 12,3x lucro. Então, trata-se de um momento que nos encoraja a entrar em ações.

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O problema é o que influencia na alta da bolsa é o apetite a risco. Vimos parte desse movimento no segundo trimestre de 2023 com a aprovação do novo arcabouço fiscal, a manutenção da meta da inflação e do Banco Central independente. Esses fatores fizeram o Ibovespa subir.

Acreditávamos que, no segundo semestre, teríamos espaço para novas altas com os avanços das pautas em Brasília. Mas o apetite ao risco reduziu bastante e grande parte dessa piora em relação ao mercado global. O investidor estrangeiro tem uma importância relevante para a nossa Bolsa de valores, mas está “fora do jogo”.

Temos um fluxo estrangeiro tímido e, somado a isso, a indústria de fundos ainda sofre bastante com o resgate de ações. Apesar de estarmos em uma tendência de queda de juros, o patamar continua alto. Tivemos ainda uma nova escalada dos conflitos no Oriente Médio, que trouxe ainda mais aversão ao risco. Então, o Ibovespa vai continuar nesse patamar mais lateralizado até o fim de 2023.

Onde o investidor deve investir para ter bons retornos nesse cenário de Ibovespa andando de lado?

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Nem sempre o Ibovespa sozinho é a melhor métrica para falar de ações no Brasil. Ao olhar o peso da Petrobras, Vale e dos bancos dentro do índice, vemos que as ações dessas empresas são extremamente relevantes. Há investidores que conseguem ter retornos em ações mesmo com o Ibovespa performando de lado.

Temos as carteiras recomendadas do BTG que estão com uma rentabilidade acima do índice. Essas carteiras ficam divididas pelo perfil de risco do cliente. Como estamos vivendo em um momento mais conservador, a nossa alocação tem sido para as ações blue chips. São ações com bastante liquidez, consolidadas nos seus setores, com boa geração de caixa e boa parte delas com uma boa distribuição de dividendos.

Temos, por exemplo, as ações da Rumo que é a maior empresa de logística do Brasil. Temos também na carteira os papéis de Equatorial, Totvs, Itaú, Vale e Mercado Livre. São empresas extremamente consolidadas e que estão em patamares de preços atrativos por causa da aversão a risco.

Nos últimos dois meses, o saldo de investimento estrangeiro na B3 ficou negativo em R$ 12 bilhões. Por que há esse movimento de fuga de capital?

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Todos os mercados emergentes sofreram bastante com a saída do capital gringo. Conversamos muito com os investidores estrangeiros e eles falam que, entre os mercados emergentes, o Brasil é o grande destaque. A questão é que o prêmio de risco (o retorno do investidor) está alto e atrativo para investir nos Estados Unidos.

Até perguntamos para alguns investidores estrangeiros sobre o que falta para o mercado brasileiro atrair novamente o capital estrangeiro. A resposta que mais ouço é que trata-se de uma decisão de tomar menos risco do que um problema específico do mercado doméstico.

Até quando essa aversão a risco deve permanecer?

Os meses de novembro e dezembro ainda serão complexos. No entanto, em 2024, se houver uma maior clareza de quando irá começar o início da queda de juros nos Estados Unidos, investidores estrangeiros devem ser incentivados a procurar uma alternativa.

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Então, o primeiro ponto é o fim do ciclo de alta de juros nos Estados Unidos. O segundo fator de influência tem relação com a capacidade da China de entregar um crescimento de 5% em 2023. O último dado sobre o PIB chinês mostrou que está próximo dessa meta.

Esses são os dois fatores que podem fazer com que o Brasil, assim como os outros ativos de risco do mundo, voltem a ter atenção do investidor estrangeiro. O que pode atrapalhar esses fatores é a escalada dos conflitos no Oriente Médio porque tira a vontade do investidor de tomar risco.

Qual o risco da guerra retardar o movimento de queda de juros nos mercados globais com uma possível alta do petróleo?

O risco é de uma eventual mudança de patamar de preço do petróleo. O patamar de preço do petróleo entre US$ 80 até US$ 100 já está precificado nos modelos de inflação. Então, na nossa visão, mesmo com uma alta volatilidade, se ficar nessa zona de US$ 80 a US$ 100, estaremos com a cotação dentro das projeções.

O grande risco, embora seja baixo, é o petróleo ficar acima de US$ 100 e chegar a US$ 120. Esse não é o nosso cenário base, mas a possibilidade não está descartada. Se o petróleo chegar a US$ 120, provavelmente não teremos cortes na taxa de juros nos Estados Unidos no próximo ano e a Selic poderá não chegar ao patamar de 9% (como prevê o boletim Focus). Teríamos que recalcular todas as projeções de inflação do mundo.

Há fatores internos que são determinantes para a recuperação da Bolsa?

Há três fatores. O primeiro é continuar a trajetória de queda da inflação que vai possibilitar uma queda de juros relevante. Temos que continuar “empurrando” a inflação para a meta para que tenhamos um ciclo de corte de juros interessante. Precisamos também do avanço das pautas reformistas junto com a questão fiscal brasileira. O terceiro ponto está mais relacionado aos resultados das companhias que têm sido bem favoráveis porque, na média, a atividade brasileira segue positiva.

Qual é o hedge que o BTG está utilizando para proteger os investimentos em meio a esse cenário de aversão a risco?

Se o nosso cliente tiver posição internacional, utilizamos alocações globais, seja comprando bonds ou o próprio tesouro direto dos Estados Unidos. Mas se o investidor estiver no Brasil e não quiser ter exposição ao mercado internacional, sugerimos a compra do dólar e de títulos NTN-B (títulos de renda fixa atrelados à inflação) porque o investidor vai estar protegido da inflação e em derivativos.

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