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Mercado

Ações da Petrobras caem após demissão de CEO. Qual é a recomendação?

No início da tarde de hoje, as ações caíram cerca de 4% após mais uma troca do comando da estatal

Por Daniel Rocha

24/05/2022 | 13:24 Atualização: 24/05/2022 | 13:24

A troca do comando se deve à insatisfação do governo com a alta do preço do combustível (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
A troca do comando se deve à insatisfação do governo com a alta do preço do combustível (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A troca do comando da Petrobras trouxe pessimismo para as ações da estatal nesta terça-feira (24). As incertezas sobre o futuro da companhia com a demissão de José Mauro Ferreira Coelho causaram quedas superiores a 4% para os papéis (PETR3/PETR4) da empresa na manhã do pregão de hoje.

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Mesmo com a segunda mudança no comando da estatal em menos de dois meses, os analistas acreditam que a estatal deve permanecer com a atual política de preço no curto prazo e a desvalorização pode sinalizar oportunidade de compra para os investidores.

Por volta das 10h30, a desvalorização dos papéis PETR3 era de 2,1% e de 1,9% para PETR4. Uma hora depois, a derrocada foi ainda maior com quedas superiores a 3%. Às 11h30, as ações ordinárias (PETR3) caíam cerca de 3,5%, negociadas a R$ 34,16, enquanto as preferenciais registravam uma baixa de quase 4% (3,8%), negociadas a R$ 31,31. Já no início da tarde, a desvalorização chegou a 3,4% para PETR3 e de 4,30% para PETR4.

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Apesar do estresse, o Credit Suisse acredita que a Petrobras não deve alterar a sua política de preço nem a sua estratégia de negócio. No entanto, reconhece que a demissão de Ferreira Coelho impacta de forma negativa as ações da companhia.

“Em nossa opinião, as mudanças recorrentes para o cargo de CEO aumentam substancialmente a percepção de riscos para a tese de investimento da Petrobras, principalmente porque essas mudanças foram anunciadas após os ajustes nos preços dos combustíveis domésticos”, afirmam os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero no documento.

A mesma percepção é feita por Fred Nobre, analista de investimentos da Warren. Para ele, o estresse não deve alterar os resultados que a estatal deve apresentar no segundo trimestre quando for divulgar o seu balanço.

“Essa queda de hoje é mais uma reação pela troca de governante. Mas nesse primeiro momento, não há indícios de que tende a ser um movimento (de queda) prolongado”, avalia Nobre que mantém recomendação de compra para as ações da Petrobras.

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A XP Investimentos também segue na mesma linha com recomendação de compra para as ações. Em relatório, a corretora estabelece preço-alvo de R$ 47,80 para as ações brasileiras (PETR3/PETR4) e US$ 18,40 para as ADRs (PBR/PBR.A). Os fundamentos para a recomendação são baseados nos múltiplos da empresa estarem muito baixo (2,4x EV/EBITDA 2022 versus 3,4x das grandes petrolíferas ocidentais) e por ser uma boa pagadora de dividendos (yield de 24 % para 2022 e ~100% para os próximos 5 anos).

Demissão

O anúncio da demissão de José Mauro Ferreira Coelho do cargo de CEO da Petrobras foi feito em nota divulgada pelo Ministério de Minas e Energia na noite desta segunda-feira (23), após o fechamento do mercado. A exoneração acontece a menos de dois meses da nomeação de Ferreira Coelho. Caio Paes Andrade, atual secretário de desburocratização do Ministério da Economia, foi indicado para o cargo.

A substituição já era uma possibilidade com a saída de Bento Albuquerque e com a chegada do economista Adolfo Sachsida para exercer o comando do Ministério de Minas e Energias. Segundo reportagem do Estadão, a troca colocava pressão sobre Ferreira Coelho, que exercia o cargo de presidente da Petrobras na época.

Com a confirmação dos boatos, a Ativa Investimentos acredita que a mudança na presidência da estatal em menos de dois meses traz sinais negativos para o mercado por demonstrar mais uma vez o descontentamento do Governo com a política de preços adotada pela companhia.

“A chegada de Caio poderá significar a aplicação de política de preços de derivados ainda mais espaçada, abrindo espaço para a vigoração mais perene de preços defasados frente aos praticados no mercado internacional”, informou a corretora.

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Desde o governo de Michel Temer, a Petrobras adota o regime de política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que tem como base os preços praticados no mercado internacional. O problema é que, com a alta da cotação do petróleo, a companhia tem feito repasses desses aumentos para as suas refinarias, o que impactou no preço do combustível para o consumidor.

Esses repasses têm sido alvo de críticas do Planalto nos últimos meses em virtude da insatisfação da população em um ano eleitoral. No início do mês de maio, quando a companhia reportou o seu balanço do 1T22, o presidente Jair Bolsonaro considerou o lucro recorde da companhia como um “estupro”. Já no último mês de março, a demissão do general Joaquim Silva e Luna foi motivada pelos sucessivos aumentos do preço do combustível.

“Bolsonaro tenta a reeleição, mas tem ficado atrás nas pesquisas e a Petrobras pode ser um dos empecilhos para o presidente. Ele (Jair Bolsonaro) segue muito incomodado com a alta dos preços dos combustíveis e já disse que a Petrobras tem que usar os seus lucros para reduzir os preços”, afirma Nobre.

Já para o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (Fup), Deyvid Bacelar, a atitude do presidente é considerada um “movimento eleitoreiro e desesperado”. “O fato é que Bolsonaro não muda ou abandona a política de preço de paridade de importação, o PPI, porque não quer. O PPI não é lei; é decisão do Executivo”, explica Bacelar.

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Com informações da Agência Estado

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