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Mercado

Gustavo Loyola: “Essas ameaças contra a Petrobras prejudicam as ações”

Para o ex-presidente do BC, os preços das ações da Petrobras poderiam estar em patamares ainda maiores

Gustavo Loyola: “Essas ameaças contra a Petrobras prejudicam as ações”
Loyola acredita que o ciclo de alta de juros pode terminar este ano. Foto: Tendências Consultoria Integrada
  • Gustavo Loyola acredita que a insatisfação do governo com a política de preços da Petrobras só impede a valorização do preços das ações no mercado
  • Apesar das declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a estatal, ele avalia que José Mauro Ferreira Coelho, atual CEO da estatal, não deve ceder às pressões do Planalto
  • O ex-presidente do BC também falou sobre as suas expectativas para o ciclo de alta de juros no País e sobre o desempenho do Ibovespa para o segundo trimestre do ano

Os preços das ações da Petrobras deveriam estar em patamares ainda maiores na Bolsa, se não fosse pelas polêmicas de governança envolvendo a insatisfação do presidente Jair Bolsonaro com a alta do preço dos combustíveis. A avaliação é do economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Tendências Consultoria Integrada.

Em entrevista ao E-Investidor, Loyola citou que as ameaças do Planalto contra a empresa impedem os ganhos dos papéis e aumentam a percepção de risco dos investidores.

No último mês de março, o general Joaquim Silva e Luna foi demitido do posto de CEO da Petrobras. Os sucessivos aumentos do preço do combustível teriam sido a principal causa para a sua saída. Logo depois, o governo oficializou a indicação de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, para o cargo que desistiu da nomeação por conflitos de interesse.

José Mauro Ferreira Coelho foi o novo indicado e segue no cargo da presidência desde o mês de abril. Na época, a indicação do nome foi visto pelo mercado como técnica. Para Loyola, Ferreira Coelho tem autonomia para seguir com a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que tem como base os preços praticados no mercado internacional, e não deve ceder às pressões do Planalto para barrar o repasse da alta do petróleo para as refinarias.

“Estou confiante que o atual presidente da Petrobras não vai ceder a esse tipo de tentação populista, que a gente está vendo, porque isso seria um desastre para o País e para a reputação dele como profissional”, afirma o ex-presidente do BC. No entanto, a possibilidade de mais uma troca no comando da Petrobras entrou novamente no radar do mercado após um mês da eleição de Ferreira Coelho.

Segundo reportagem do Estadão, a substituição de Bento Albuquerque pelo economista Adolfo Sachsida para o comando do Ministério de Minas e Energia coloca pressão sobre o atual presidente da Petrobras. Para Loyola, se a possível troca do cargo de CEO da companhia se concretizar nas próximas semanas, as ações imediatamente seriam afetadas. “Seria mais uma demonstração de interferência na gestão da companhia. Isso evidentemente não é algo que agrada os investidores”, ressalta Loyola.

Além da situação da Petrobras, Loyola também falou sobre o movimento de alta de juros no País, as expectativas para o Ibovespa neste segundo trimestre e também sobre o mercado de criptomoedas. Confira os principais trechos da entrevista:

E-Investidor: O Banco Central aumentou em um ponto percentual a taxa Selic no último dia 4. Até quando vamos lidar com este ciclo de juros mais altos?

Gustavo Loyola: O Banco Central reage aos fatos que vão acontecendo. Nós estamos em um período de grandes incertezas de origem externas e domésticas. É um contexto em que o Banco Central precisa tomar decisões de acordo com as informações que a instituição vai receber. Visto o panorama atual, acredito que a alta dos juros ainda deve prosseguir por algum tempo. É muito provável que a taxa de juros chegue a 14,25% a 14,50% ao ano com risco para segurar a meta de inflação para 2023. Neste ano a batalha parece estar perdida neste sentido.

Há o risco do ciclo de alta de juros se estender para o próximo ano?

Vai depender do cenário, mas acho que dá para encerrar o ciclo de alta neste ano. Não vejo necessidade neste momento de estender esse processo para o ano que vem. Mas essa é uma previsão que está sujeita a muitas “chuvas” e “trovoadas”. Temos a política monetária dos Estados Unidos, a guerra entre Rússia e Ucrânia, os problemas da China e ainda temos os fatores domésticos, como as eleições. Todos esses fatores afetam a decisão do BC. No entanto, o cenário mais provável é que o ciclo de alta de juros encerre neste ano.

No mês de março, o governo federal demitiu o ex-presidente da Petrobras após os sucessivos aumentos no preço dos combustíveis. O mesmo aconteceu no ano passado, com Roberto Castello Branco. O Sr. vê o novo presidente José Mauro Ferreira Coelho com espaço para autonomia daqui para frente?

Eu acho que ele (Ferreira Coelho) tem espaço para autonomia daqui para frente mesmo com os episódios anteriores em relação às intervenções desastrosas do presidente da República. Estou confiante que o atual presidente da Petrobras não vai ceder a esse tipo de tentação populista que a gente está vendo porque isso seria um desastre para o país e para a reputação dele como profissional. O mercado acredita que ele não vai “jogar” o currículo dele “fora” para atender interesses eleitoreiros do presidente.

O Sr. avalia que o presidente Bolsonaro tem pouca margem para novas intervenções na Petrobras este ano?

Eu acho que sim. O presidente tem pouca margem para intervenções porque o preço dos combustíveis é estabelecido pelo mercado internacional e pela taxa de câmbio. Então, não tem muito o que mexer. É torcer para que haja uma mudança no cenário externo, mas o Brasil tem pouco controle sobre isso, de fato.

Para a Petrobras, as intervenções afetam a credibilidade e as ações da companhia. Isso é ruim do ponto vista geral porque indica que é um governo populista que está disposto a sacrificar uma racionalidade econômica para que seja eleito no próximo pleito. Isso afeta a inflação porque gera um ambiente de incerteza.

O presidente da República segue insatisfeito com os preços dos combustíveis mesmo com a troca do CEO da Petrobras. No início do mês, o chefe do Planalto chegou a definir o lucro da estatal como um “estupro”. Além disso, há rumores de que José Mauro Ferreira Coelho também possa ser demitido. Caso os rumores se concretizem, como ficam as ações?

Seria mais uma demonstração de interferência na gestão da companhia. Isso evidentemente não é algo que agrada os investidores. Então, acho que teria um efeito imediatamente negativo para as ações.

Seria um impacto momentâneo ou poderia afetar o desempenho das ações por muito tempo?

Vai depender do desfecho. Essas ameaças prejudicam as ações da companhia enquanto não houver a percepção (do mercado) de que esses riscos ficam apenas nessa verborragia (falas excessivas) contrária à Petrobras.

Se não fossem esses riscos, os preços das ações da companhia estariam em outros patamares?

É difícil dizer quanto, mas eu acredito que estariam mais valorizadas.

Caso os rumores se concretizem, a possível queda no preço das ações da Petrobras não poderia ser vista como uma oportunidade de compra?

Evidentemente, pode até ficar barata e valer a pena correr o risco de sofrer alguma coisa negativa com a companhia mais na frente. No entanto, tudo isso vai depender da capacidade do investidor de correr o risco, já que a ação da companhia pode ficar fora do preço.

O Ibovespa encerrou abril em queda acumulada de 10%, o pior resultado desde março de 2020. Qual a explicação para esse tombo?

Eu acho que tem fatores de natureza externa para o País. A renda variável sofreu no mundo inteiro e isso tem a ver com a inflação, juros altos e as incertezas das cadeias de fornecimento. Então, a renda variável tem sofrido muito, embora algumas ações do Brasil, principalmente as relacionadas às commodities, tenham se preservado mais.

Nas últimas semanas, tivemos um endurecimento da linguagem do Federal Reserve (Fed) para um ciclo monetário mais forte do que se imaginava. Isso pesou sobre a Bolsa. Foi a parte mais relevante porque, de alguma forma, freou as expectativas, principalmente, das ações com projeções muito grandes de crescimento. Esses ativos sentiram bastante.

Então, podemos esperar novas quedas neste segundo trimestre?

É possível, mas vai depender muito do contexto da economia global e da inflação. Grande parte desse ajuste (de ciclo monetário) já foi feito. Eu tento acreditar que sim, mas é algo que não dá para afirmar porque o cenário é bastante volátil, seja do ponto de vista econômico ou político. Eu diria que ainda não há um cenário firme para a recuperação da Bolsa ao longo do ano.

O ingresso de capital no Brasil e a valorização do real foram praticamente explicadas porque o País passou a ser visto como um bom investimento por causa das commodities e também pelo desvio do fluxo de capitais em virtude da guerra do leste europeu. Mas com a mudança em relação à China (com as restrições da pandemia) e a percepção de uma política monetária mais apertada nos Estados Unidos, isso explica porque os fluxos não voltaram (no mês de abril). E obviamente porque os investidores entraram e já colheram os benefícios dos preços mais baratos das ações.

Há oportunidades no mercado brasileiro?

Há oportunidades sim. Não poderia te dizer quais são as oportunidades, mas acho que sim porque a economia brasileira é diversificada. Então, você pode ter ações com preços baixos e que podem ser apostas para os investidores. E geralmente, nesses períodos em que há uma saída de investimentos da renda variável, costumam surgir opções de investimentos que ficam muito baratos e que tem uma perspectiva positiva do ponto de vista de resultados e lucro.

Mas há setores que podem se destacar na bolsa mesmo em um ano de eleição?

As empresas exportadoras podem ser um bom investimento porque tem uma perspectiva de taxa de câmbio atrativa, mas tudo depende da relação com o preço das ações para definir se há uma boa oportunidade de investimento.

No último mês de fevereiro, o Sr. afirmou que as criptomoedas estarão no centro da nova crise financeira global por serem produtos financeiros complexos, supervalorizados e mal-regulados. No entanto, há um movimento entre os bancos centrais do mundo de entender a dinâmica desse mercado e trazer regulações. Acredita que essas medidas serão suficientes para evitar essa possível crise financeira?

O fato dos bancos centrais olharem de forma mais atenta para essa questão pode reduzir o risco atrelados a esses ativos. Agora, não é uma medida simples. É preciso de um alto grau de coordenação entre os reguladores globais a fim de trazer uma regulação de maneira correta para que haja uma redução dos riscos em relação aos criptoativos.

Como deveria ser essa regulação, na sua avaliação?

Uma regulação que evite o uso dessas criptomoedas em crimes financeiros e que ofereça maior transparência sobre as negociações. Algumas criptomoedas possuem alta volatilidade e riscos de perdas porque você não pode expor investidores ao risco exagerado. Em resumo, é preciso uma regulação proporcional ao risco para que esses riscos sejam mitigados.

O Sr. tinha comentado também que as criptomoedas podem ser a causa para uma nova crise do sistema financeiro global. Por que os ativos digitais podem ter esse potencial?

Quando você tem um sistema financeiro paralelo e que não está claramente transparente para os investidores e reguladores, há o risco que esse sistema crie problemas que possam se transmitir para o sistema financeiro tradicional. É por isso que você precisa, do ponto de vista regulatório, uma regulação para identificar os riscos e atuar sobre eles. Não pode atuar somente no sistema financeiro formal.

O Banco Central criou um sistema chamado de SandBox regulatório, em que alguns projetos foram selecionados para analisar como algumas inovações tecnológicas podem ser aplicadas no mercado financeiro tradicional sem causar prejuízos ao investidor. Essa iniciativa mostra que o mercado tradicional precisa inovar para não perder espaço para o mercado de criptoativos?

Sem dúvida. A inovação é algo inerente aos mercados e à economia. Eu acho que nenhum regulador pode inibir a inovação. O que ocorre é que os reguladores precisam proteger o sistema bancário em relação aos riscos. Eu vejo o Banco Central brasileiro incentivando a inovação, mas debaixo das suas “asas” sem perder a capacidade de monitorar o que está acontecendo e adotar uma regulação proporcional aos riscos. Então, de um modo geral, acho que a atuação do BC está correta.

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