Por volta das 11h30 (de Brasília), o barril do tipo Brent para junho avançava 6,52%, a US$ 107,78, enquanto o WTI para maio disparava 10,84%, a US$ 111. Mais cedo, os contratos chegaram a subir ainda mais, com ganhos superiores a 8%, refletindo a reprecificação do risco geopolítico.
Na B3, também às 11h30, a Petrobras (PETR3; PETR4) acompanha o movimento com ganhos consistentes, em um pregão que combina a disparada do petróleo com notícias corporativas positivas. As ações ordinárias avançavam 3,62%, a R$ 53,81, enquanto as preferenciais subiam 3,00%, a R$ 48,79. A companhia informou o recebimento de cerca de R$ 3 bilhões após a primeira redeterminação da Jazida Compartilhada de Tupi, na Bacia de Santos, movimento que elevou sua participação no campo e reforça a geração de caixa em ativos estratégicos do pré-sal.
O movimento se espalha pelo setor. A Prio (PRIO3) lidera os ganhos, com alta de 4,69%, a R$ 67,14, seguida pela Brava Energia (BRAV3), que sobe 2,57%, a R$ 20,33, e pela PetroReconcavo (RECV3), com avanço de 1,91%, a R$ 13,86.
Escalada militar muda o jogo
O gatilho para o movimento veio do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de quarta-feira (1º). Em tom mais agressivo do que o esperado, o republicano afirmou que o país deve atacar o Irã “com extrema força” nas próximas duas a três semanas, caso não haja acordo.
A sinalização contrasta com declarações recentes, nas quais Trump indicava um possível encerramento do conflito no mesmo horizonte de tempo. A mudança de tom elevou a incerteza e levou o mercado a abandonar, ao menos temporariamente, o cenário de descompressão.
Durante o discurso, Trump afirmou que os EUA podem atingir diretamente instalações de energia iranianas, incluindo usinas elétricas, ampliando o risco de impacto direto sobre a oferta global de petróleo.
Ainda durante a fala, os preços da commodity inverteram o sinal e passaram a subir com força, movimento que se intensificou ao longo da madrugada.
No plano doméstico norte-americano, o endurecimento da postura ocorre em meio a queda de popularidade de Trump, cuja taxa de desaprovação atingiu 66%, segundo pesquisa da CNN.
Estreito de Ormuz no centro das atenções
Mesmo em um cenário de eventual normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, analistas avaliam que o retorno às condições pré-guerra tende a ser lento. Segundo o banco ING, a recomposição da oferta depende não apenas da reabertura logística, mas também da recuperação da produção upstream (exploração e produção, etapas iniciais da indústria petrolífera) e da recomposição de estoques, processos que levam tempo.
Diante desse risco estrutural, países do Golfo voltaram a discutir projetos de dutos alternativos para contornar Ormuz. A avaliação é de que novas rotas de exportação podem ser a única forma de reduzir a vulnerabilidade da região, apesar dos custos elevados e da complexidade geopolítica envolvida.
O oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, que liga o Golfo ao Mar Vermelho e tem capacidade para transportar cerca de 7 milhões de barris por dia, é uma das alternativas em destaque.
Oferta global e dinâmica estrutural
A alta do petróleo não se apoia apenas no risco imediato, mas também em fundamentos mais amplos. A percepção é de que o mercado já operava em déficit relevante, estimado entre 10 milhões e 12 milhões de barris por dia, o que amplifica o impacto de qualquer choque adicional.
Além disso, a reorganização das cadeias globais de energia ganha novos contornos. O envio de petróleo russo a mercados como Cuba e a manutenção da Rússia como fornecedora ativa reforçam a fragmentação do fluxo global de energia.
No Brasil, o ambiente externo tende a pressionar ativos locais, ao mesmo tempo em que sustenta as empresas ligadas ao petróleo. O governo também monitora os desdobramentos, avaliando medidas para mitigar o impacto da alta dos combustíveis, incluindo possíveis ações sobre diesel, GLP e querosene de aviação (QAV).
Com informações Broadcast